Discussões sobre mercados em desenvolvimento e contato verdadeiro com público trazem insights importantes
23 de Junho de 2023

Discussões sobre mercados em desenvolvimento e contato verdadeiro com público trazem insights importantes

Havas Café | Cannes Lions 2023

 

Glamour e charme nunca estão em falta no Cannes Lions. O tapete vermelho, os lindos locais, a Riviera Francesa, roupas de gala. Os assuntos giram sobre o poder da criatividade, autenticidade, o impacto no mundo, dando um tom ainda mais poderoso para o que aqui acontece. Mas deixando o glamour de lado, sempre é importante quando a discussão se despe e se aproxima da vida real e dificuldades encontradas pelos profissionais.

Nos primeiros três dias, algumas conversas bastante interessantes exploraram esses desafios. Uma das conversas comparou como os líderes criativos em mercados menos desenvolvidos competem com agências e profissionais de centros globais.

Maria Gracia Lotuffo, fundadora e CCO da MadKind explicou como no Equador, seu país, o orçamento para a produção de uma campanha muitas vezes fica longe do orçamento disponível de uma empresa e quem precisa fazer concessões é a agência.

Mohammad Akrum Hossain, executive creative director da Asiatic Marketing Communication, declarou que em Bangladesh acontece o mesmo e contou uma história valiosa: ele ganhou oito leões e foi convidado para ser um jurado em Cannes, só que para conseguir comparecer pela primeira vez à Riviera Francesa precisou vender uma propriedade em seu país.

Esforços como esse são prova do valor do Cannes Lions em se abrir para novos mercados, narrativas e profissionais, que nem sempre tem o destaque ou o empurrão de grandes agências.

 

Não perder de vista o que importa

O tom da conversa entre Samir Singh (global CMO da Unilever), Kory Marchisotto (CMO da e.l.f. Beauty) e William White (CMO do Walmart) também foi bastante interessante, mesmo que contendo uma autocrítica poderosa em relação à indústria.

“O fato é que as pessoas confiam mais no que outros dizem sobre nossas marcas muito mais do que nós. Nós sempre controlamos a mensagem no passado. Mas com a Creator Economy, temos essa flexibilidade”, disse Singh.

“Muitos dos profissionais criativos que são avaliados em Cannes não são os que são premiados pelos consumidores e que se conectam com eles”, afirmou.
Adaptar-se às mudanças

O tópico das constantes mudanças e o avanço da tecnologia também esteve presentes nas discussões aqui em Cannes. Lina Polimeni, chief corporate brand officer da empresa farmacêutica americana Eli Lilly deu uma declaração importante: “as marcas estão evoluindo, mas as culturas estão mudando mais rápido (…) Nós temos que nos mover na velocidade da cultura.”

Isso se encaixa não apenas com a ideia de Creator Economy, mas também com o uso de ferramentas que possam facilitar o trabalho dos profissionais e deixá-los mais focados em atividades que geram valor. Brad Lightcap, COO da OpenAI, que está causando uma verdadeira revolução nas mais diversas indústrias, falou sobre isso.

Para quem não acompanha de perto, Cannes Lions pode parecer apenas uma grande festa da indústria, mas as discussões são sempre um dos pontos altos, especialmente quando elas não poupam na autocrítica e na capacidade de construir e discutir de forma saudável.

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