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Elóy Simões revela bastidores do julgamento do Prêmio Catarinense de Propaganda
28 de Novembro de 2008

Elóy Simões revela bastidores do julgamento do Prêmio Catarinense de Propaganda

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28/11/08

“Teve momento em que me senti meio esquisito.

Durante quarenta anos fui chamado para julgar peças de comunicação de marketing.

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Desta vez, como auditor, tive de acompanhar, durante um dia inteiro, cada detalhe de um julgamento onde eu não podia opinar. Não podia, sequer, revelar, através de qualquer reação, minhas preferências.

Não sei se você consegue imaginar os momentos de angústia que vivi. Antes que o julgamento começasse, eu não consegui.

Participei, com a maior tranqüilidade, dos preparativos, cuidando, com o Mazzuco e a equipe do SINAPRO, para que nada fosse faltar. Não me foi difícil prever os problemas que poderiam surgir. Nessa hora, valeu minha experiência.

Meu problema apareceu quando o julgamento começou.

Tente visualizar a cena: dezenas de anúncios espalhados sobre uma grande mesa. Os membros do júri olham um, olham outro, discutem ??? diga-se de passagem – com uma seriedade irrepreensível. Era a hora do sim ou não: de tirar do páreo a maioria, e só deixar os que tinham condição de se tornarem finalistas ??? uma operação que se repetiu em todas as categorias.

E em todas as categorias, eu, ali do lado, quieto querendo falar, arrancando os pentelhos pra me conter sem demonstrar meus sentimentos.

Graças a Deus a diretoria do Sinaprosc tinha sido feliz na escolha dos jurados. Todos, sem exceção, mostraram-se capazes, sérios,
conscientes da responsabilidade que tinham para com os publicitários e a publicidade catarinense. As peças eram analisadas, uma a uma, com o maior respeito, gostassem ou não. Nem pareciam profissionais com raro talento, prêmios e experiência internacional. 

E eu ali, vivendo um misto de admiração, inveja, um desejo quase desesperado de opinar. Doido para enfiar minha colher enferrujada no meio. Mas ao mesmo tempo feliz e agradecido à diretoria do Sinaprosc pela felicidade de estar ali me atualizando, aprendendo, ouvindo análises em uma linguagem da qual estava morrendo de saudade.

Já me irritei em alguns dos muitos júris dos quais participei, quando via um jurado, cheio de soberba, ridicularizar peças inscritas. Pra dizer a verdade, eu acreditava que isso aconteceria com esse júri. E me preparei para isso.

Enganei-me redondamente. Ali, cada peça mereceu consideração, apesar do rigor com que o júri decidiu. Algumas, claro, foram criticadas. Erros, quando apareceram, foram apontados. Mas tudo dentro do melhor espírito profissional. E houve, também, momentos de surpresa, de euforia diante da alta qualidade apontada por eles.

???Este devia estar no anuário do Clube de Criação de S. Paulo???, ouvi algumas vezes.

Seiscentos e quarenta peças depois e vários prêmios concedidos, quando o júri encerrou os trabalhos, eu estava exausto. Acho que mais exausto do que eles, em parte porque embora não tivesse me manifestado, julguei junto. Calado, mas não pude evitar isso. Em parte porque me contive, o tempo todo, para não extrapolar minha missão. Em parte porque tinha a consciência de que todos cumprimos nosso dever ??? eles, a equipe do SINAPRO, seus diretores  (que, para deixar claro que o júri era soberano e independente, desapareceu, deixando-o por nossa conta) e eu. Em parte por causa do esforço que fiz para não deixar escapar nada e aprender tudo com eles.

Mas feliz, porque tive a oportunidade de ver de perto um dos mais sérios julgamentos dos quais participei.

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