Cannes 2026 | Entrevista com Iron Brito, diretor de Criação – AlmapBBDO
22 de Junho de 2026

Cannes 2026 | Entrevista com Iron Brito, diretor de Criação – AlmapBBDO

Publicitário será Jurado na Categoria Print & Publishing

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Foto: Divulgação

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Testemunhe a criatividade ganhar vida no Cannes Lions, onde trabalhos inovadores são premiados e líderes de pensamento influentes sobem ao palco. Pessoas do mundo todo se reúnem no Festival, permitindo que você construa uma comunidade global, troque e celebre ideias e impulsione o crescimento com pessoas que compartilham os mesmos ideais. Independentemente do estágio da sua carreira criativa, o Cannes Lions proporciona aprendizados, experiências e conexões incomparáveis. Desta forma, o Cannes Lions Festival está convidando a comunidade para sua edição 2026.

O Festival Cannes Lions é onde toda a indústria global de comunicação criativa se reúne. Aproximadamente 12.000 profissionais de mais de 100 países são esperados no Palais of Festivals and Congresses of Cannes.

Jurados Brasileiros em Cannes

O AcontecendoAqui cobre presencialmente o Festival Cannes Lions desde 2013. Nas semanas que antecedem o evento, realizamos entrevistas com alguns jurados brasileiros que estarão lá no Festival julgando presencialmente os trabalhos que concorrem em suas respectivas categorias.

Hoje apresentamos nossa conversa com o publicitário Iron Brito, 41 anos, 11 anos na AlmapBBDO, atualmente ocupando o cargo de Diretor de Criação. Brito tem 21 anos no mercado. Tem no currículo trabalhos para clientes como Volkswagen com destaque para case de 70 anos com a Maria Rita e Elis Regina, GOL Linhas Aéreas, META, CNN, Itaú, Heinz, P&G e Mattel Games, com reconhecimentos nacionais e internacionais.

 

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2026?

É incrível. Sabe aquele meme “só acredito vendo e vendo não acredito?”
Foi mais ou menos essa a sensação quando recebi o e-mail com o convite oficial.
Significa muito, representa um reconhecimento de uma carreira, de um bom trabalho.

 

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?

Tem trabalhos que dependem de uma compreensão de contexto cultural, acho que vai ser uma das coisas ricas dessa troca.
Em 2024 por exemplo, se não tivessem jurados brasileiros ajudando a explicar um pouco mais a grandeza e a importância da Elis Regina no Brasil talvez o resultado tivesse sido diferente. Então esse é um aspecto que acho muito relevante na troca com gente do mundo todo.

Outra coisa sempre rica são as discussões, cada um com seu critério, com um ponto de vista único.

 

O Festival passou por grandes reformulações nas 3 últimas edições. O que você poderia citar sobre essas mudanças e o que será avaliado em Print & Publishing, Categoria que você vai julgar?

Acho que o festival muda pra acompanhar as mudanças no mundo, e isso é ótimo. Especialmente numa indústria que persegue e premia o novo.
Isso ajuda a organizar também as caixinhas das ideias, por exemplo a categoria de Luxo acho que está no terceiro ano e tem ideias que ali cabem melhor do que se fossem concorrer com outras categorias. AI é outro caso mais recente, esse ano especialmente tem regulamentos mais claros, subcategorias. Isso ajuda a organizar e trazer também mais justiça nos resultados.

A minha categoria é uma das mais clássicas do festival, apesar de eu achar que tem uma nova compreensão sobre as expressões de print, na sua grande maioria as entradas são de trabalhos de print clássico e é basicamente em cima disso que nosso direcional está posto.

 

Atualmente a publicidade abraçou as ferramentas de IA. Na sua Categoria ela também está em alta?

Sem dúvida tem bastante coisa nos trabalhos inscritos que usam em parte AI. Mas eu tenho visto muito um movimento contrário também e isso está sendo interessante. Trabalhos que não usam nada de AI e tem feito questão de mostrar no case a quase “manufatura” deles. O que sem dúvida valoriza o Craft e o lado mais humano na confecção da ideia.

 

Você credita que as inscrições neste ano estarão carregadas de trabalhos finalizados com IA? Em quais categorias isso mais vai aparecer?

Sem dúvida, e cada vez mais. A gente já está em um ponto que é quase impossível não ter AI em algum momento do processo. Seja na concepção da ideia, seja na hora de layoutar ou na hora de produzir e pós produzir.
Mesmo que o trabalho final tenha sido produzido por vias 100% de inteligência humana. Antes de chegar aí sem dúvida teve muito teste com AI, de certa forma acho que isso também influencia no resultado final. Hoje se pode experimentar muito mais possibilidades e só então ter certeza qual delas merece ver a luz do dia na rua pra valer. Então daqui a pouco a gente sai de ferramental para sistêmico o uso da AI. É inevitável, a revolução já aconteceu.

 

Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer Cannes neste ano.

Johnnie Walker com “Walk of fame” acho que é um grande potencial esse ano. O Paulinho da Costa, lendário percussionista que tocou literalmente com todo mundo, com todos os grandes. A celebração dos passos desse cara é uma coisa impressionante. A quantidade de desdobramentos da campanha, de resultados e de PR é tudo muito bonito, significativo e grandioso. Tomara que em Cannes a realidade acompanhe minha expectativa.

 

Por que o Brasil valoriza tanto Cannes? Um dos países com maior número de inscrições, visitantes e leões.

Eu acredito que o prêmio é um reconhecimento da busca e da entrega com excelência no maior nível possível.

O Brasil sempre foi reconhecido por isso, pela genialidade mas também pela forma de entregar essa genialidade. A excelência é a nossa marca e só é possível chegar nesse resultado sendo muito obstinado. Ser obstinado toma tempo e dá trabalho.

A gente gosta de olhar os prêmios mas é importante olhar o caminho árduo até a caminhada para o palco. É tudo muito suado, é difícil.
Colocar ideia na rua hoje em dia já é um feito seja ela boa ou ruim. Colocar ideia na rua nesse nível mundial a ponto de merecer um prêmio como esse, é realmente um feito. E se você adicionar a isso tudo o fato que são trabalhos pensados para gerar resultado de negócio. Acho que a conta fecha pra todo mundo.

O prêmio por sua vez, chancela as agências e criativos. Todo cliente quer poder contar com as melhores ideias para alavancar seus negócios.
Pronto, temos um ciclo virtuoso.

 

O que é mais importante em Cannes? Ganhar um leão, palestras, conhecer pessoas?

Uma vez lá, o que já é complicado pelo preço. Palestras e conhecer pessoas depende só da gente. Essa parte é fácil e importante.
Já ganhar é uma coisa completamente fora do nosso controle, a gente tem a ideia, tenta fazer ela ser o mais conhecida possível e torce. Mas quando ganha também é muito importante.

 

O que não falta na sua bagagem para Cannes?

Na babagem de ida não falta alegria e torcida pelo Brasil.
Na bagagem de volta não faltam boas histórias e se Deus quiser leões.

Forte abraço e obrigado pelo espaço.

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