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Painel da Expogestão aborda a internet como a quarta revolução industrial
06 de Maio de 2016

Painel da Expogestão aborda a internet como a quarta revolução industrial

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Uma quarta revolução industrial está em andamento e terá impactos profundos na sociedade. O consenso é de José Rizzo Hahn Filho, presidente da Pollux Automation; Valsoir Tronchin, vice-presidente de Vendas e Inovação da SAP Brasil; Jefferson de Oliveira Gomes, diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Santa Catarina (Senai-SC); e Reinaldo Lorenzato, diretor de Soluções na Hewlett Packard Entreprise, que participaram hoje, dia 6 de maio, do painel Internet Industrial – A quarta revolução, na Expogestão, realizada na Expoville, em Joinville.

“As mudanças vão ser tão rápidas, que grandes empresas vão ter sua posição ameaçada pelas pequenas, que são mais rápidas e mais ágeis”, disse Hahn Filho, da Pollux Automation. Um dos drivers dessa mudança é a expansão da internet industrial, que está gerando uma ampla gama de dados e informações. “Reduziu a latência de informação para que máquinas e pessoas tomem decisões mais rápidas”, destacou o presidente da Pollux Automation. Ele aponta que o exemplo clássico disto é o app Waze, que, a partir de informações geradas por smartphones, ajuda o motorista a escolher o trajeto mais eficiente e a se livrar de congestionamentos. “A tecnologia se tornou de baixo custo.”

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Mas o executivo aponta que há uma série de barreiras a serem transpostas. A principal delas é em relação à mão de obra. Segundo ele, 60% dos profissionais de tecnologia da informação não estão preparados para trabalhar com uma ampla gama de dados. “O sistema educacional não está preparado para a era digital.”

Outro desafio é em relação à interoperabilidade dos softwares de diversos fabricantes. “Fazer com que eles conversem entre si terá um grande impacto nos custos dos negócios.” Ele estima que a economia possa superar trilhões de dólares.

O vice-presidente de Vendas e Inovação da SAP Brasil, Valsoir Tronchin, aponta que estamos entrando em uma nova era, marcada pela hiperconectividade – “é uma nova vila global” -; pela supercomputação – com a ampla disponibilidade de dados – e pela computação em nuvem – o que possibilita fazer fora das empresas o que antes era feito dentro delas.
Este cenário muda a percepção em relação ao erro. “O custo dele e do experimento é baixo”, disse o executivo da SAP. Ele destaca, por exemplo, que a prototipação apresentou uma brutal queda nas últimas décadas. Uma das principais preocupações vai ser com a segurança cibernética. “A confiança vai ser, cada vez mais, o ativo mais importante das empresas e da nova economia.”

O diretor-regional do Senai-SC e coordenador do Centro de Competência em Manufatura do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Jefferson de Oliveira Gomes, disse que o principal impacto corporativo desta quarta revolução industrial será uma indústria muito mais moderna, com custos de investimento menores em máquinas e equipamentos. “Elas estão mais baratas. O preço dos robôs vem caindo, em média, 10% ao ano.” 

Uma das principais mudanças que esta nova revolução industrial vai gerar é o fortalecimento das cadeias de suprimentos. “Atualmente, no Brasil, elas são bem frágeis”, afirma o especialista. Segundo ele, vai ser preciso um novo arcabouço regulatório, uma vez que há uma tendência à uberização dos serviços.

Assim como Hahn Filho, da Pollux Automation, Gomes está preocupado com a situação da mão de obra. “65% das crianças de hoje executarão empregos que não existem hoje”, disse o executivo do Senai-SC. É necessário integrar o que se aprende nas escolas à necessidade das empresas. “Daqui para frente não vai adiantar só ter um conhecimento específico. É preciso uma aprendizagem baseada em problemas e projetos. O modelo atual de formação para a indústria acabou.”

Para Reinaldo Lorenzato, diretor de soluções na Hewlett Packard Enterprise, a matéria-prima desta nova era industrial vai ser a informação. “A padronização vai dar lugar à personalização; a produção em série vai dar espaço à individualização.” Um novo padrão industrial deverá ser estabelecido. O executivo da multinacional destaca que grande parte dos produtos atualmente feitos pela indústria poderá ser feito fora dela. “Um dos vetores desta mudança é o barateamento da impressão 3D e o aperfeiçoamento desta tecnologia.” Atualmente, de acordo com ele, é possível imprimir com mais de 1.200 materiais e combinações de elementos.

Os reflexos se estenderão da indústria para outros segmentos. “Teremos um varejo diferente, uma logística diferente, uma cadeia de valores diferente. Enfim, a economia, tanto no nível micro, quanto no macro, passará por mudanças.”

 

  • Foto: André Kopsch

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