A Petrobras sempre foi e ainda continua sendo considerada um patrimônio de todos os brasileiros. Pelo menos e esta a interpretação que temos quando lemos notas ate emocionais falando dessa Empresa.
Ontem tivemos a oportunidade de ouvir seu presidente Pedro Parente, juntamente com 4 de seus diretores, numa apresentação sobre esta Empresa, onde e como esta, para onde querem leva-lá e como farão para chegar ao resultado esperado.
De acordo com dados apresentados a Petrobras ainda continua robusta, mas com uma serie enorme de problemas que precisam ser rapidamente atacados e sanados, sob pena de tornar-se cada vez mais fraca, senão vejamos.
Para atacar os problemas o Governo como principal acionista trouxe Pedro Parente, profissional experiente e que já vivenciou gestão de empresas estressadas.
Para compor seu time manteve 8 diretores da própria Petrobras, 4 deles com mais de 30 anos de experiência no ramo. Essa atitude já traz alguns pontos de vantagem na busca das soluções.
Este time, com o apoio de sua estrutura de profissionais gerentes, num prazo relativamente exíguo para uma empresa desse porte, desenvolveu seu planejamento para os próximos 5 anos com ações emergenciais para os próximos 2 anos para dar a virada.
Os 3 anos seguintes para as ações de crescimento da produção e geração de caixa, definindo para além de 5 anos alguns direcionadores estratégicos que se tornarão base da estratégia para além de 2021.
Vamos examinar os resultados da Petrobras em 2009 e 2015.
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VARIACAO |
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31.12.2009 |
31.12.2015 |
% |
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Vendas Liquidas |
234.939.000 |
321.638.000 |
36,9 |
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Resultado Bruto |
73.672.812 |
98.576.000 |
33,8 |
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lucro (Prejuízo) operacional |
46.128.000 |
(12.391.000) |
-126,9 |
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Lucro (Prejuízo) Anual |
28.981.708 |
(34.836.000) |
-220,2 |
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Margem Bruta |
31,35% |
31,00% |
-1,1 |
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Ebtida ajustado |
59.502.000 |
73.859.000 |
24,1 |
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PL |
159.464.599 |
257.930.000 |
61,7 |
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Valor Patrimonial |
164.000.000 |
258.000.000 |
57,3 |
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Valor mercado |
347.085.000 |
101.000.000 |
-70,9 |
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Endividamento CP |
15.166.000 |
57.400.000 |
278,5 |
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Endividamento LP |
102.051.000 |
435.000.000 |
326,3 |
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Endividamento total |
117.217.000 |
492.400.000 |
320,1 |
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Endividamento x Ebtida |
1,97 |
6,67 |
238,4 |
Vemos que o indicador mais preocupante e a relação de endividamento x geração de caixa que passou de 1,97 para 6,67. Altamente preocupante indicando praticamente insolvência. Esse sera o grande desafio da atual gestão nos próximos 2 anos. Reverter ou mitigar substancialmente essa relação.
Porque a Petrobras teve esse “debacle” nesse período de apenas
6 anos. Em 2009 a Empresa, conforme e de conhecimento publico, já vinha sofrendo os efeitos de desvios de gestão, mas que, talvez, devido a sua intensidade, não estavam ainda sendo sentidos nos seus números.
Além dos efeitos dos desmandos colocados a publico pela Lava Jato, tivemos alguns efeitos como queda do preço do Brent hoje na casa dos US$ 40/50, falta de ajustes pela gestão para adaptação dos custos internos as novas condições de mercado, excesso de euforia com pre sal que exigiu investimentos adicionais na medida em que a Petrobras deveria ter participação obrigatória de 30% na partilha de 100% dos projetos, dispêndios com projetos sem receita ou retorno, defasagem tarifaria, aumento da taxa de juros que subiu de 3,5% a.a. em 2009 para ate 8,5% a.a. atualmente, sem contar a exigência de conteúdo local no fornecimento de bens e serviços nos projetos da Petrobras que visava aumentar a participação da indústria de bens e serviços nos projetos de exploração e desenvolvimento da indústria do petróleo e gás.
Essa exigência foi e esta sendo considerada pela atual gestão da Petrobras como desastrosa na medida em que a indústria brasileira não esta preparada em tempo e custos e tecnologia para atender essa exigência, sendo danosa não so a Petrobras, mas ao Brasil.
Enquanto as empresas de petróleo mundiais procuraram se adaptar as transformações na Industria como a mudança do cenário competitivo com as shale oil/gás, otimização do portfolio, venda de ativos, investimentos e custos operacionais menores, disciplina de capital e financeira e ajuste do efetivo funcional, a Petrobras manteve seu curso em berço esplendido, sem atentar e agir frente as mudanças da realidade.
Para atender a essa virada que a Petrobras precisa, a atual diretoria centra suas forcas na gestão em cima de um orçamento base zero com 4 pilares de geração de valor com redução de investimentos, especialmente sem retorno no curto prazo, manutenção de preços competitivos, manutenção da curva de produção, eficiência na gestão de custos e desinvestimentos de 19,5 bilhões ate 2021 e investimentos através de parcerias que devem alcançar cerca de US$ 40 bilhões em 10 anos.
As parcerias trarão benefícios no compartilhamento de riscos, desoneração de investimentos, aumento da capacidade de investimentos na cadeia, intercambio tecnológico e fortalecimento da Governança Corporativa.
Devera aplicar na gestão da Empresa 21 estratégias sendo 3 para integração, 4 na área de óleo e gás, 7 para gerar valor, 3 para melhorar capacidade técnica, além de 72 ações táticas.
Trabalha ainda com incertezas mundiais como estagnação das economias europeia e japonesa, desaceleração da China, conjuntura do Oriente Médio, politica monetária do FED e eleições americanas e o brexit, que podem afetar essas perspectivas.
Além dessas preocupações, a Petrobras terá de enfrentar nossos próprios problemas e riscos como os efeitos da Lava Jato, um cenário econômico desafiante com desequilíbrio fiscal, recessão profunda e prolongada, desemprego elevado com queda do consumo, inflação elevada fora da meta e uma transição politica conturbada.
Não fossem os riscos externos, os riscos estruturais do Brasil, a Petrobras terá ainda que resolver seus próprios problemas internos com endividamento alto com concentração de vencimentos, custos elevados de carregamento da divida, marco regulatório com a ainda exigência de conteúdo local, obrigatoriedade de participação no pre sal, mudanças frequentes de caráter estrutural com unificação de campos de exploração e elevação de tributos e nuvens negras de disputas judiciais em solo brasileiro e no exterior que podem prejudicar os esforços de estabilização.
As metas são desafiadoras mas segundo sua equipe de gestão factíveis com previsão de redução da relação endividamento/ebtida para 2,5 em 2018, redução de acidentes em 36%. Esperam chegar a esse resultado com o envolvimento de toda liderança e corpo funcional da Petrobras, acompanhamento pari passu das métricas e correção de desvios em tempo real.
Que Deus os ajude.
Elizeu Lima
set/16
www.tegg.com.br
