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ARTIGO | O dilema da atenção: capturar e manter o foco do consumidor é o grande desafio das marcas
27 de Fevereiro de 2025

ARTIGO | O dilema da atenção: capturar e manter o foco do consumidor é o grande desafio das marcas

No final, a questão não é apenas como ser visto, mas como ser lembrado

Por Daniel Rost Dreyer*

Vivemos em um tempo em que a atenção se tornou um dos recursos mais escassos. O bombardeio constante de informações, notificações e estímulos faz com que captar e reter o interesse do público seja um desafio cada vez maior. A audiência está fragmentada, dividida entre múltiplas telas, navegando por diferentes plataformas ao longo do dia. De acordo com uma pesquisa realizada pela psicóloga americana Gloria Janet Mark, a capacidade de atenção diminuiu drasticamente nas últimas décadas: o tempo médio que uma pessoa permanece focada em uma tela antes de alternar para outra caiu de 2,5 minutos, em 2004, para apenas 47 segundos nos últimos anos. Esse dado evidencia o desafio das marcas em capturar e manter a atenção do consumidor em um ambiente digital saturado de informação.

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David Ogilvy, fundador da Ogilvy & Mather e autor de obras essenciais como Confissões de um Publicitário, sempre defendeu campanhas baseadas em pesquisa, criatividade e uma comunicação clara e persuasiva. Sua famosa frase — “Se você não pode fazer algo interessante, não o faça” — é ainda mais relevante no ambiente digital, onde a atenção do público é disputada a cada segundo. No Brasil, a publicidade continua sendo uma poderosa ferramenta de conexão, transmitindo mensagens de forma efetiva. Prova disso é que 96% dos brasileiros prestam atenção na publicidade e 60% utilizam algum meio de comunicação como referência para decisão de compra. Esse forte alcance se traduz diretamente em influência e engajamento: 38% afirmam que a propaganda impacta suas escolhas e 30% interagem ativamente, seja clicando em anúncios ou escaneando QR Codes.

Na busca por efetividade, nota-se que os consumidores ficam mais atentos – e preferem – publicidade que seja adequada à sua experiência. Entre os usuários de internet, por exemplo, 54% preferem ver anúncios online relacionados ao conteúdo dos sites que visitam e 59% prestam mais atenção às propagandas exibidas em sites de confiança. Esses dados reforçam a importância da personalização e da segmentação inteligente na comunicação digital. O erro de muitas marcas está em tratar a performance digital apenas como números, mas métricas isoladas não garantem relevância. Como Jeff Bezos afirmou, “a marca é o que as pessoas dizem sobre você quando você não está na sala”. O verdadeiro sucesso digital não está apenas em quantas pessoas clicam, mas no que elas sentem em relação à marca depois do clique. Construir confiança e criar experiências autênticas são elementos que tornam qualquer estratégia mais eficiente a longo prazo.

No final, a questão não é apenas como ser visto, mas como ser lembrado. Em meio a um excesso de informações, apenas as marcas que souberem equilibrar estratégia e emoção, dados e criatividade, conseguirão transformar campanhas em conexões genuínas. Mais do que impactar a audiência, trata-se de construir algo que resista ao tempo.

*Daniel Rost Dreyer é especialista em comunicação empresarial e BI, Marketing Digital e Estratégia Data Driven. CEO e sócio fundador da Boome Performance Digital 

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