Por Pablo Lemos*
O marketing digital está passando por uma transformação profunda. Os consumidores, cada vez mais conscientes do uso de suas informações pessoais, têm pressionado empresas a repensarem suas estratégias de coleta e uso de dados. Nesse cenário, os cookies de terceiros, por muito tempo a base para campanhas publicitárias, estão no centro de uma discussão que envolve privacidade, regulamentação e ética.
Essa mudança não representa o desaparecimento total dos cookies, mas sim um novo momento para as estratégias de marketing. Recentemente, o Google anunciou uma mudança significativa em sua abordagem aos cookies de terceiros. Inicialmente, a gigante da tecnologia havia planejado desativar completamente o uso destes cookies em seu navegador Chrome, mas voltou atrás na decisão. Em vez disso, propôs uma nova experiência que permite aos usuários escolherem de forma informada como seus dados são utilizados, podendo ajustar essas preferências a qualquer momento.
A evolução dessa tecnologia reflete as demandas dos consumidores por mais transparência e o fortalecimento de regulamentações como a LGPD e a GDPR, que buscam proteger os dados dos usuários. Muitos enxergam o fim dos cookies de terceiros como algo alarmante, mas, na verdade, trata-se de uma oportunidade de adaptação e inovação.
Dados recentes reforçam a importância dessa discussão. De acordo com o Centro de Recursos para Roubo de Identidade, os vazamentos de dados aumentaram 500% no primeiro semestre de 2024 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse cenário não apenas altera a percepção dos consumidores sobre a segurança de suas informações, mas também intensifica a necessidade de práticas éticas no marketing digital.
Embora os cookies de terceiros enfrentem desafios no olhar do consumidor, os cookies primários continuam desempenhando um papel essencial. Eles permitem personalizar experiências e criar campanhas eficientes sem comprometer a privacidade do consumidor. Essa troca de valor – onde a empresa oferece benefícios reais em troca de informações – fortalece a relação entre marcas e seus públicos. Programas de fidelidade, vantagens exclusivas e experiências personalizadas são exemplos de estratégias que tornam essa abordagem viável e atrativa.
Olhando para o futuro, transparência e ética não são apenas palavras da moda, mas condições indispensáveis para construir relações de confiança com os consumidores. As marcas precisam abandonar práticas invasivas e adotar soluções que respeitem o usuário e entreguem valor real. Acredito que o futuro do marketing digital não está em abandonar os cookies de terceiros, mas em integrá-los a estratégias de dados que sejam adequadas ao contexto atual e ao que está por vir.
Estamos diante de uma nova era no marketing digital, na qual a ética e a privacidade desempenham papéis centrais. Profissionais e empresas que abraçarem essas mudanças terão a chance de liderar um setor mais equilibrado, transparente e sustentável. Esse movimento beneficia não apenas as marcas, mas também os consumidores, criando um ambiente digital mais seguro e satisfatório para todos.
*Pablo Lemos é CTO e Sócio da NeoPerformance, com uma carreira marcada pela inovação no marketing e na tecnologia. Publicitário por formação, começou como redator e rapidamente se tornou um desenvolvedor autodidata, combinando essas habilidades para criar softwares de governança de dados para clientes como Vale e Bradesco. Esse caminho resultou na criação do NeoDash, um software avançado que modela e interpreta dados de publicidade. NeoDash é hoje a espinha dorsal da operação de dados da NeoPerformance. Com dois leões de Cannes na bagagem, sua expertise tem beneficiado grandes anunciantes no Brasil e no exterior, ajudando-os a entender e otimizar os resultados de suas campanhas de mídia paga. Como diretor de produto do NeoDash e CTO da Neoperformance, Pablo continua a liderar iniciativas tecnológicas que impulsionam o marketing digital, consolidando sua posição como um inovador na indústria.
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