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Após fracasso com Warner, Netflix avalia próximos passos
16 de Março de 2026

Após fracasso com Warner, Netflix avalia próximos passos

Especialistas apontam desde estúdios e plataformas esportivas até empresas de tecnologia e áudio como potenciais alvos

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No mês passado, o acordo que poderia redesenhar o mercado de entretenimento em Hollywood acabou não se concretizando.

Após uma longa disputa pela aquisição da Warner Bros. Discovery, a Netflix decidiu abandonar a negociação. Com isso, a Paramount Global fechou a compra por cerca de US$ 110 bilhões, além de pagar uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões à Netflix. Agora, com caixa reforçado, ações em alta e acesso a uma sólida reserva financeira, surge uma nova pergunta no mercado: qual será o próximo movimento da Netflix?

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A resposta mais simples pode ser justamente não fazer nada. A empresa é atualmente a companhia de streaming mais lucrativa do setor, tendo registrado cerca de US$ 13 bilhões em lucro operacional no último ano e ultrapassado 325 milhões de assinantes globalmente.

Além disso, especialistas lembram que grandes aquisições no setor de mídia nem sempre trazem resultados positivos. Erica Gruene, conselheira sênior da Oaklins DeSilva+Phillips, afirma que o histórico dessas negociações serve mais como alerta do que como exemplo de sucesso.

“Se você observar a história das transações no setor de mídia, ela basicamente funciona como um alerta”, afirmou. “Muitas vezes elas acabam destruindo muito mais valor do que criando.”

Um representante da Netflix também citou declarações recentes do diretor financeiro da empresa, Spence Neumann, que minimizou as ambições de fusões e aquisições durante uma conferência com investidores.

Ainda assim, analistas apontam que a companhia vem demonstrando uma abertura maior para esse tipo de movimento. A própria negociação com a Warner Bros. Discovery indicou que a empresa pode estar disposta a realizar aquisições maiores do que as que costumava fazer no passado.

Diante desse cenário, especialistas do setor sugerem diferentes caminhos possíveis.

Esportes ao vivo

Uma das apostas mais citadas envolve o investimento em conteúdo esportivo. A Netflix já deu sinais nessa direção ao fechar um acordo para transmitir o programa WWE Raw.

Mesmo assim, analistas avaliam que a empresa ainda não possui uma estratégia consistente para o segmento.

Chris Cochrane, diretor de estratégia da agência Plug Media, acredita que uma solução seria adquirir uma plataforma esportiva como a DAZN.

“A Netflix ainda não tem uma estratégia consistente para esportes”, afirmou. “Adquirir uma plataforma esportiva poderia oferecer imediatamente a infraestrutura de direitos de transmissão e relações já estabelecidas no ecossistema esportivo.”

O analista Alan Wolk, da TVREV, sugere uma alternativa ainda mais robusta: adquirir a NBCUniversal, cujo serviço de streaming Peacock possui importantes direitos esportivos, incluindo NFL, Olympic Games e Premier League.

“O esporte é o último bastião da monocultura”, afirmou.

Games como nova frente

Outra área que pode ganhar atenção é o mercado de jogos. Apesar de já ter investido em games mobile, a Netflix ainda não conseguiu transformar essa aposta em grande engajamento.

Para o analista Andrew Rosen, fundador da Parqor, o problema é que a empresa ainda não definiu um modelo claro para esse mercado.

Alguns especialistas defendem que a solução seria adquirir grandes estúdios de games, como Electronic Arts ou Ubisoft. Outros mencionam empresas como Take-Two Interactive ou a plataforma Roblox.

“A Netflix vem fracassando no mercado de games há anos”, afirmou o estrategista de mídia Evan Shapiro. “O Roblox nunca foi lucrativo, mas está cheio de propriedades intelectuais valiosas.”

Estúdios e conteúdo

Entre as opções consideradas mais viáveis no curto prazo aparece a Lionsgate, responsável por franquias populares como John Wick, The Hunger Games e Twilight.

“Só a franquia John Wick já poderia valer a compra”, disse Shapiro.

Outra possibilidade mencionada é a emissora britânica ITV, que poderia fortalecer a presença da Netflix no mercado do Reino Unido.

Parcerias inesperadas

Entre as sugestões mais inesperadas está a aquisição da Spotify. A união das duas empresas criaria uma grande plataforma de entretenimento por assinatura que combinaria vídeo, áudio e conteúdo ao vivo.

“Isso daria à Netflix escala imediata e abriria um modelo publicitário muito mais amplo”, afirmou Cochrane.

Outra possibilidade citada foi a compra da Roku, o que fortaleceria a infraestrutura publicitária da Netflix, especialmente no mercado de TV conectada.

“A Netflix é muito boa em produzir seu próprio conteúdo”, disse Gruene. “Mas eu sempre observo o que ela ainda não tem e que poderia gerar receitas melhores.”

Ou simplesmente esperar

Há também quem defenda que a melhor estratégia seja não realizar nenhuma aquisição por enquanto.

Para Gruene, a Netflix demonstrou disciplina ao abandonar a negociação com a Warner Bros. Discovery e deveria aproveitar esse momento.

“Pegue o dinheiro e siga em frente”, afirmou. “Eles acabaram de sair com US$ 3 bilhões. O ideal é investir isso em algo próprio, que possa ser protegido da concorrência e que faça os clientes permanecerem na plataforma.”

O analista Rich Greenfield concorda e acredita que a empresa pode aguardar novas oportunidades no mercado.

“É muito mais provável que a Netflix não compre nada agora e espere o momento oportuno para agir”, disse.

Seja qual for a decisão, analistas concordam em um ponto: a Netflix continua observando atentamente os movimentos da indústria de mídia e entretenimento, pronta para agir quando surgir a oportunidade certa.

Foto: Pexels

Fonte: AdWeek

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