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Coluna Ozinil Martins | Qual será o futuro do futebol?
29 de Novembro de 2023

Coluna Ozinil Martins | Qual será o futuro do futebol?

"Surpreendo-me ao confessar meu total desinteresse pelo futebol atual"

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 29 de Novembro de 2023 | Atualizado 29 de Novembro de 2023

Em 2020 a Associação dos Clubes Europeus contratou pesquisa para monitorar o interesse dos jovens europeus pelo futebol. O resultado mostrou o seguinte quadro: 13% dos jovens entre 16 e 24 anos disseram odiar o futebol, enquanto outros 27% disseram não ter nenhum interesse pelo esporte. As razões capituladas pelo desinteresse vão desde a preferência por esportes eletrônicos até a falta de emoção nos jogos e a duração das partidas.

Em pesquisa conduzida pelo Datafolha, em janeiro de 2018, 41% dos brasileiros disseram não ter mais interesse por futebol; em 2010 a mesma pesquisa apurou que este índice era 10% menor, logo, o desinteresse pelo futebol vem em um crescendo.

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Óbvio que o resultado preocupou os “stakeholders” ingleses. Se o melhor futebol do mundo é praticado na Inglaterra, se lá se encontram os melhores jogadores do mundo, se é o campeonato que mais gera dinheiro para os clubes, o comprometimento do futuro fica claro pela diversificação do interesse de seu público potencial no futuro. Importante discutir por que o futebol perde interesse.

Confesso que como acompanhante do futebol desde tempos remotos (em 1954, com 8 anos, acompanhei pelo rádio a Copa do Mundo da Suíça) até as encantadoras seleções de 1970 e 1982 surpreendo-me ao confessar meu total desinteresse pelo futebol atual desenvolvido por clubes brasileiros e pela própria seleção.

As últimas apresentações da seleção brasileira mostram jogadores desmotivados, sem interesse, preocupados muito mais em viver seus minutos de fama do que jogar futebol. Hoje, para os jogadores, é mais importante a cor das chuteiras, como vai estar o colorido dos cabelos do que o resultado final da partida. O jogo das vaidades ganhou do resultado da partida.

Parece-me que o problema do futebol brasileiro começou com o fim dos campos de várzea, engolidos pela especulação imobiliária e pelas escolinhas de futebol. Os jovens pobres e que transformaram o futebol brasileiro em celeiro da produção de craques, sumiram; as escolinhas engessaram o futebol e, ensinando, táticas e posicionamentos, acabaram com o improviso e a criatividade. Este problema veio para ficar e a tendência é agravar-se. Os Pelés e Garrinchas que nasciam nos campos de pelada em Bauru e Pau Grande desapareceram. Pessoas simples e humildes foram substituídas por jovens prepotentes que, transformados em ídolos, por uma imprensa sequiosa em criar craques, criaram um futebol chato e cheio de amarras em que, um pequeno choque se transforma em um espetáculo circense, a marcação de um pênalti em uma maratona de reclamações. O futebol ficou chato, muito chato!

Arrisco-me a enviar um recado ao técnico Fernando Diniz, que reputo como exceção na mediocridade dos técnicos que por aí perambulam: nos próximos jogos das eliminatórias convoque só jogadores que atuam no Brasil. Deixe fora os jogadores que atuam no exterior, pois estes estão cheios de dinheiro e enfastiados de jogar. A matemática é simples: classificam-se 6 países em 10 disputantes e o 7 disputa com a Ásia a última vaga; é impossível não classificar-se com a concorrência de Bolívia, Peru e Paraguai. Até o Íbis se classificaria!

Créditos: Freepik

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