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Coluna Ozinil Martins | A natureza não se vinga, ela só reage!
22 de Maio de 2024

Coluna Ozinil Martins | A natureza não se vinga, ela só reage!

"O pesado evento climático ainda em andamento no Rio Grande do Sul pode ser atribuído, em parte, às mudanças do clima"

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 22 de Maio de 2024 | Atualizado 22 de Maio de 2024

Desde que comecei a escrever minhas colunas tenho mostrado preocupação com um tema que passou a ser recorrente: o crescimento populacional descontrolado e seus reflexos sobre o meio ambiente.

Há algum tempo tive acesso a uma interessante entrevista dada ao jornal El País pela diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da Organização Mundial da Saúde, Sra. María Neira, em que afirma, categoricamente, que as últimas epidemias que atingiram o mundo desde os anos 80 do século passado, estão diretamente ligadas ao processo massivo de destruição das florestas tropicais e, que a manter este ritmo, o futuro da humanidade estará, irremediavelmente comprometido, aventando, inclusive, a hipótese de extinção da espécie humana. Segundo ela, o planeta se regenera, os humanos não.

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As epidemias a que se refere são HIV, Sars e Ebola. Ao invadir áreas de florestas, desmatando-as para a instalação da agricultura, entra-se em contato com organismos que se encontravam isolados, e altera-se seu estado natural através do uso de pesticidas e fertilizantes quebrando a barreira natural que protegia os humanos de organismos para as quais não existe defesa. O Ebola é um exemplo clássico; a derrubada das florestas colocou os novos moradores em contato com os morcegos frugívoros, que passaram a fazer parte da dieta das pessoas e, desencadeou a epidemia do Ebola que matou milhares de pessoas na África e colocou o mundo em alerta.

A Sra. Maíra Neira alerta o mundo para o uso das energias fósseis e os problemas trazidos por este tipo de energia. É de conhecimento geral que a energia derivada do petróleo e carvão elevou o patamar de qualidade de vida da humanidade, mas é inegável que trouxe junto consequências nefastas para o meio-ambiente, que se agravam com o crescimento populacional. Hora de rever posição e mudar. O sol e os ventos oferecem oportunidade única para a produção de energia limpa e devem fazer parte da pauta de países que queiram sair da retórica para a prática. Gerar novos empregos nesta área, incentivar a produção de energia limpa, com menor taxação de impostos é o que devem procurar fazer governos lúcidos. Hoje, cada casa pode ser uma produtora de energia limpa, mas o que não pode é que governos passem a taxar com impostos moradores que ousaram investir em energia solar para depositar o excesso produzido na rede.

O imediatismo com que agem alguns segmentos da sociedade, em buscar resultados financeiros de curto prazo em detrimento da manutenção da qualidade de vida no planeta, está bem demonstrado na derrubada de parte da floresta amazônica e na garimpagem de ouro na região norte do Brasil. Os destruidores que lá atuam, não estão preocupados com os rios ou com árvores centenárias, mas com a possibilidade de produzir resultados financeiros imediatos; as consequências da destruição serão solucionadas pelas futuras gerações. Não é mais possível pensar assim!

O pesado evento climático ainda em andamento no Rio Grande do Sul pode ser atribuído, em parte, às mudanças do clima, mas não podemos esquecer da incúria dos agentes políticos em ordenar o uso do meio – ambiente. Primeiro permite-se a ocupação dos espaços que, historicamente, pertencem aos rios; depois se destrói a mata ciliar e permite-se a construção de habitações quase dentro dos rios e, por último, as obras são feitas de maneira primária, quando isto ocorre. A intenção de trazer a discussão para o campo ideológico configura o atraso de parte dos políticos tupiniquins. O problema é muito mais sério que mentes curtas não conseguem alcançar!

Foto:Unsplash

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