Nas Colunas anteriores, sempre às segundas-feiras desde 04.02, compartilhei com vocês um pouquinho do meu Case, apresentado à ACIF como candidata ao Prêmio Mulheres que Fazem a Diferença. O último critério, sobre o qual faltou discorrer, abrange Resultados. Considerando a Comunicação como um meio, e não como um fim. Considerando a guinada das redes sociais sobre a imprensa tradicional, onde sempre atuei. Considerando as diferenças entre lucro e credibilidade, este sim um valor intangível que construo com meu trabalho, digamos que não é tão simples relatar Resultados. Então vou tentar me ater ao que não há de perecer, às memórias sob proteção na caixa preta do meu coração.
Minha obra-prima?? É minha obra-filha!! A Lara, feliz fruto de um entroncamento feliz. E quanto me orgulho disso… De jamais permitir que as demandas e vaidades se sobreponham às minhas verdades, que é a vontade de viver pela família que semeei, 17 anos atrás.
Quanto me orgulho do quanto me esgotei antes da Lara nascer. Oito anos no Diário Catarinense, disseminando o talento dos outros enquanto lapidava o meu próprio. Viajando a trabalho pelo Brasil e exterior. Enviada pro show do Michael Jackson! Pra desfile no Nordeste! Pra resort no Caribe! Pode até parecer lazer, mas foram tantas horas extras, trabalhando todos os fins de semana, que passei dois meses na Europa, recebendo em dia, até ajustar minha planilha.
Quanto me orgulho da dura decisão que tomei, porque a Lara nasceu. Deixar a Band, o jornalismo ao vivo, as coberturas nacionais, o “3, 2, 1…” em três países da Europa, o coração acelerado que oito anos depois repetia a emoção da primeira gravação. Mas com bebê de colo, eu precisava de horário pra voltar pra casa. Então entrei no Serviço Público com a mesma determinação de fazer a diferença, liderando as equipes de Comunicação da Secretaria de Estado do Planejamento e Secretaria de Estado da Saúde.
Ali, nos bastidores, quanto me orgulho das relações que forjei, apesar da Lara pequeninha em tamanho e gigante em exigências. Gerando clientes pro escritório de comunicação que mantenho há mais de 20 anos, que leva meu nome e mais do que isso, concentra minha paixão por consolidar marcas e projetar negócios, via presença na imprensa.
Quanto me orgulho do exemplo que deixo, pra Lara e quem mais quiser, que mesmo no vácuo entre o velho e o novo – cravada numa geração que migrou da máquina de escrever pra interação em tempo real, dos filmes revelados no escuro pras selfies sem fim – fui da Ana Analógica pra multimídia tecnológica, trabalhando em jornal, TV, revista, como assessora de comunicação, colunista social, mestre de cerimônias, e o que exige mais de mim: como escritora e palestrante.
Quanto me orgulho de ter a Lara diante de mim, na plateia, quando 15 anos depois de lançar o primeiro livro seguiam os convites pra falar sobre ele. Com 100% da renda revertida para a Associação Catarinense para Integração do Cego, o livro “Seus Olhos – Depoimentos de quem não vê como você nunca viu”, abriu meus olhos pra outro mundo. E desde 2002, nunca deixei de defender, em chats, palestras e entrevistas, a inserção social do deficiente visual.
Quanto me orgulho de ter a Lara comigo, no auge da infância desdentada, no lançamento do segundo livro, recordista em vendas pela editora Insular nas sessões de autógrafos de 2012. Tal qual na obra de estreia, “Antunes Severo, o Menino do arroio Itapevi” também repercutiu em uma série de palestras, na Unisul, Estácio, Anhanguera, acompanhada por meu personagem visionário, fundador da Propague e ADVB-SC.
Quanto me orgulho de ter comigo o pai da Lara, herói de hercúlea batalha entre a vida e a morte, no lançamento do terceiro livro. E quem diria… “Somos centenários, memórias dos 100 anos da ACIF”, escrito sob o medo de perder meu amor no minuto seguinte, é justamente a obra com vida “eterna”, inserido na Cápsula do Tempo da Associação Comercial de Florianópolis a ser aberta nos 200 anos da entidade, em 2115. E é esta luta & labuta que compartilho na palestra “Dádiva da Vida”: o segredo pra conciliar trabalho, filha pequena e marido doente sem esquecer de mim, cursando mestrado na UFSC.
Quanto me orgulho de ser a esposa Mestra de um marido Doutor, diligentes produtores de ciência apesar da dor que dizima a paciência. Poliglota aprovada em exames de proficiência. Autora de um artigo publicado na Europa, de cases premiados, E-books, assinando pesquisas e capítulos em diferentes obras, finalizando a edição de uma biografia inspiradora, com o quinto livro dedicado à diva do canto, a soprano Rute Gebler.
E quer saber mais? Se for contabilizar em números os talentos que divulguei, vínculos que criei, projetos que ajudei ou as posses que conquistei, ainda me orgulho mais das medalhas que acumulei – 36 em 11 anos – porque são o testemunho de que nunca verguei. Na corrida não tem sorte nem padrinho nem atalho ou trampolim. Sob o sol ou a lua, no calor ou no breu, sou só eu e eu… Protagonista de cada passada… Sozinha na pista mas no peito acompanhada! Pela fé que me move e o Deus que me convence… que posso até me cansar, mas é só resistindo que vou alcançar. A força que eu tenho é a força que treino.
