Coluna Ana Lavratti: Como cheguei até aqui, sem mi-mi-mi

04 de Fevereiro de 2019

Um pouquinho do meu passado: de Oradora da turma aos troféus de Aeróbica

Equipe Doll - Giovanna Nucci de Aeróbica: mais de 50 apresentações

 

A partir de hoje, como candidata ao prêmio ACIF Mulheres que Fazem a Diferença, vou compilar na Coluna um pouquinho do que contei no case... Como cheguei até aqui, sem mi-mi-mi!!! 

Todos os dias, quando eu olho pra minha filha de 13 anos, vejo uma criança cheia de mimos. E chega a ser difícil acreditar que aos 16 eu já tinha deixado a casa dos meus pais, pra viver em Florianópolis com meu irmão de 17. Claro que eu tinha medos, chorava de saudades, então busquei consolo na minha potencialidade. Que não tardou a encontrar a exata oportunidade.

Quando cheguei ao Terceirão, pela primeira vez o Cursinho Geração reunia os melhores professores da cidade... o melhor Pré-Vestibular, ali, à minha disposição. E quando o ano terminou, adivinha... Fui a Oradora da turma. Se falar em nome de todos os colegas já seria uma honra, imagina que a formatura – por algum acerto entre as diretorias – também incluía todos os alunos que deixavam naquela data o Colégio Coração de Jesus. De rasteirinha, um metro e meio de altura, fui tão aplaudida que três anos depois os oradores seguiam pedindo meu discurso, pra só depois escrever os seus.

No ano seguinte, mais emoção: aprovada na única faculdade de Jornalismo do Estado, o curso de Comunicação Social da UFSC. Com a minha média, entraria em Medicina. Mas pra quê, se era escrever que fazia meu coração bater?! As aulas dispersas entre manhã, tarde e noite, o vai-e-vem de ônibus pois ainda nem dirigia, o assédio dos amigos pra ir de festa em festa... nada disso era páreo pra energia que eu dispunha. E todos os dias, eu me punha a produzir. Até que novamente, afortunadamente, na hora certa eu estava pronta.

Assim como a minha vinda pra Floripa coincidiu com o primeiro ano do cursinho Geração, minha participação em dois grupos de dança coincidiu com o advento da ginástica Aeróbica. Pela primeira vez, no mundo, as pessoas se exercitavam dançando, e era isso o que eu sabia fazer: criar sequências no ritmo da música. Foi só começar a dar aulas que me pus a desbravar, em cursos e apostilas, toda a fisiologia por trás de um coração acelerado... toda a anatomia de um joelho dobrado. E não é que mesmo auto-didata, na hora certa eu estava pronta?

De forma inédita, a Associação Americana de Aeróbica e Fitness, a aclamada AFAA dos Estados Unidos, decidiu aplicar um exame no Brasil, pra certificar professores de aeróbica que, naquele tempo, sem Conselho Regional de Educação Física, teriam total aval pra dar aulas de ginástica. Então lá fomos nós... eu e os colegas mais respeitados, até São Paulo fazer as provas. Prova de primeiros socorros, prova prática, prova teórica. E não é que passei? E não é que só eu passei?

Dos 7 mil candidatos, aprovaram apenas 30, e da comitiva catarinense, nunca soube de mais ninguém. Aos 20 anos, eu dava tantas entrevistas que reverti o status em oportunidade de fato. Liderando uma equipe com 12 atletas, armei uma grande rede pra disseminar os benefícios da Ginástica Aeróbica. As academias onde eu dava aula cediam espaço pros ensaios. Conquistei dois patrocínios pra podermos viajar. Criei uniformes e coreografias em diferentes versões. Mobilizei organizadores de eventos, garantindo mais de 50 apresentações... das praias aos palcos, dos colégios às boates. Ganhando troféus, conquistando novos alunos, lotando minhas aulas, induzindo a vida saudável.

E desta primeira grande rede que articulei na vida, o mérito que persiste se chama Romero. Com a elasticidade de um robô contrastando com o carisma sobre-humano, ele encarou meu convite. Sem qualquer experiência, aceitou ser meu par nas coreografias em dupla e logo já estava no grupo. E nos eventos. E nas viagens. E na Europa. Radicado na Itália, Romero Ferreira volta ao Brasil exatamente hoje, 4 de fevereiro, como professor internacional convidado de várias academias, pra Master Classes de uma modalidade nova com baquetas de bateria. Quem diria... Que alegria, saber que os primeiros saltos, ali comigo, do meu lado, foram o trampolim pra um voo tão alto.

AFAA/USA: 7 mil candidatos e 30 aprovados no Brasil
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Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de 3 livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti