No conturbado cenário político atual os jornalistas que cobrem política em Brasília geram tanto expectativas quanto controvérsias. Com a segurança de seus quase 40 anos de profissão, Eliane Cantanhêde tenta passar ao largo das críticas e rótulos. Começou no Jornal do Brasil, trabalhou 17 anos na Folha de São Paulo, além da Gazeta Mercantil e O Globo. Hoje é colunista e blogueira d’ O Estado de São Paulo, comentarista de várias rádios nacionais e integra a equipe do programa ‘Em Pauta’, da Globonews. “Acho que meu maior desafio é responder às perguntas sobre o futuro político do país. Não sou pitonisa e nem os políticos sabem para onde vamos”, disse ela, em entrevista para o Acontecendo Aqui, durante a 47ª Convenção Estadual do Comércio Lojista, em Florianópolis.
Acontecendo Aqui- Toda a sua carreira foi cobrindo política em Brasília. Isso foi deliberado ou acidental?
Eliane Cantanhêde – Meus pais eram servidores públicos e talvez por isso eu tenha me apegado à cobertura do Estado. Além de política, tenho muita experiência em Defesa, militares e política externa. Fui nove vezes à Venezuela e fiz a primeira entrevista exclusiva com Hugo Chávez quando se elegeu presidente pela primeira vez.
Como faz para conviver com a crítica e os rótulos daqueles que discordam de suas análises políticas?
Na época em que Fernando Henrique era Presidente os petistas gostavam das minhas colunas porque achavam que eu era dura com o governo. Quando chegaram ao poder talvez tenham imaginado que eu seria ‘amiguinha’ deles. Mas um bom jornalista não é amigo ou inimigo de ninguém. Não quero relação de compadrio com nenhum lado. Prossegui com meu estilo de independência e isso os desagrada.
Os governos do PT foram mais difíceis de cobrir?
Lula e Dilma tinham problemas sérios com a Imprensa, só gostavam de falar com ‘gente amiga’. A Dilma ficou muito tempo sem realizar uma entrevista coletiva. E havia os jornalistas que eram pagos com o dinheiro público para falar mal dos colegas que exerciam o jornalismo independente.
É comum lhe questionarem qual será o desfecho deste intrincado quadro político?
As pessoas querem saber coisas para as quais eu não tenho resposta. Não sou pitonisa. Meu trabalho é traçar cenários, após ouvir as várias tendências e interpretações desta realidade palpitante que vivemos. Mas certezas nem os políticos têm. A eleição de 2018 é um tabuleiro com as peças em movimento e até lá veremos muitas jogadas.
Esta entrevista foi realizada pelo jornalista Carlos Stegemann e gentilmente compartilhada com os leitores deste portal. A foto também é dele.
