O atual momento da Educação Básica do Brasil mostra o seguinte quadro: 43 milhões de estudantes sendo18% em colégios particulares, portanto, aproximadamente, 8 milhões de estudantes, gerando uma movimentação financeira em 2025 de R$ 84 bilhões. Deste montante 20% são pagos aos colégios ditos como Premium.
Por que são chamados de Premium? São colégios com diferenciais no processo ensino – aprendizagem, tais como: bilíngues, alguns até trilíngues, focados em uma formação global. Eles se destacam pelo currículo internacional, corpo docente altamente qualificado, infraestrutura tecnológica avançada e foco no desenvolvimento socioemocional e integral do aluno. Isto justifica a cobrança de mensalidades de até R$ 15 mil.
Óbvio que um mercado com este potencial atrairia o interesse de grupos educacionais e fundos de investimento. Começou com o Affinitas comprando os colégios St. Francis e Beacon em São Paulo e despertando o interesse de redes britânicas e uma suíça; a partir daí houve a venda de vários colégios brasileiros.
Se concordarmos que a igualdade social só será possível pelo oferecimento de oportunidades iguais àqueles que são desiguais, vemos que a desigualdade, em Terra Brasilis, tende a se aprofundar, pois o oferecimento de oportunidades começa pelas diferenças nas ofertas. Enquanto uns são estimulados desde a mais tenra idade a conviver com desafios e possibilidades, a massa restante é treinada para ser usuária de benesses governamentais, pois não são preparados para ofertar ao mercado o que este está disposto a comprar.
Os problemas da Educação no Brasil são de conhecimento de todos que atuam na área. Para sintetizar basta lembrar que os estudantes do Ensino Médio são recompensados financeiramente para concluir seus estudos e são promovidos, automaticamente, mesmo que reprovados e, o número de matérias difere de Estado para Estado. Não há preocupação com a qualidade do que se está transmitindo e nem do que se está aprendendo.
E se buscar informação junto aos órgãos competentes farão menção à falta de recursos financeiros. Porém, interessante observar que os valores definidos para a Educação são determinados em termos de governo federal, estadual e municipal; logo, se a taxa de natalidade é decrescente e, os números provam isto, deveria estar sobrando dinheiro na Educação. Ou não?
O curso superior com maior número de estudantes no Brasil em 2026 é a Pedagogia; são quase 900 mil estudantes que buscam esta formação e que, com certeza, buscam fazer o melhor para a Educação, mas será que estão sendo bem formados? Não adianta sala de aula com todo conforto se os professores não estiverem sintonizados com o que o mercado procura e deseja. Sei que os defensores da Educação pura não gostam quando se fala em mercado e estão preocupados com a formação de cidadãos, mas o que o presente nos mostra escancara as deficiências do Ensino Básico, pois o Superior é consequência.
Importante ressaltar que enquanto não existir Educação pública de qualidade a tendência é o alargamento do fosso social. A Coreia do Sul, Polônia e agora o Vietnã provaram e estão provando que o único caminho para a igualdade social é Educação de qualidade.
Foto de Elyse Chia na Unsplash
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