O mercado vive a febre da Inteligência Artificial. O assunto está na pauta de todas conversas, reuniões, e fóruns de empresários, executivos, e líderes de instituições, o que pressiona as empresas a adotarem ferramentas tecnológicas, muitas vezes a qualquer custo, para se apresentarem alinhadas com a inovação.
É inegável a revolução em andamento provocada pelo alcance real e potencial das disruptivas tecnologias baseadas em inteligência artificial. No entanto, a preocupação é sobre como o mercado brasileiro muitas vezes adota soluções como um fim em si mesmo, e não como meio para se chegar a resultados.
Além disso, temos também um histórico de implantações de conceitos e cases importados, muitas vezes sem adaptação às características regionais e do estágio de maturidade de cada empresa. Dos anos 80 até hoje, muitas novidades e modelos de gestão foram introduzidas no Brasil durante as grandes transições mercadológicas, muitas vezes como uma onda obrigatória. Podemos lembrar de conceitos como Qualidade Total, Reengenharia, CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente), Modelo de Excelência da Gestão (MEG), Lean Startup, Metodologias Ágeis, Gestão por OKRs (Objectives and Key Results), Data-Driven (Gestão Orientada a Dados), Customer Success (CS), Receita Previsível, SDRs (Sales Development Representatives), e muitas outras nomenclaturas e frameworks de gestão, inovadores e eficazes, porém muitas vezes implementados sem o devido preparo em termos de cultura organizacional, revisão de processo, e definição de um planejamento estratégico. Ao final, sem gerar os resultados esperados, causaram frustração e culpas injustas sobre os conceitos. E assim muitas empresas seguem a espera da nova onda salvadora.
O verdadeiro desafio está em transformar a tendência inexorável da adoção de IA pelo mercado em eficiência, diferencial competitivo, e lucro.
Recentemente, o painel especial LIDE reuniu no “2º Summit de IA Brasil 2026”, no Ágora Tech Park que sedia a Casa LIDE Joinville, líderes empresariais e especialistas em tecnologia para debater exatamente essa virada de chave: como migrar do discurso futurista para a aplicação real de cases de negócios. A conclusão foi unânime: o sucesso não depende apenas do software escolhido, mas sim da mentalidade da liderança, da cultura organizacional e da solidez da infraestrutura tecnológica existente em cada empresa.
O painel discutiu a aplicação real de cases de negócios no Brasil usando inteligência artificial, seja no viés de ganhos de competitividade e produtividade das empresas, seja no viés de geração de novas oportunidades de mercado e expansão. Participaram como expositores o fundador e CEO da empresa de tecnologia LifesHub e presidente da Unimed Grande Florianópolis, Ademar José de Oliveira Paes Jr., que também preside a vertical “Inovação na Saúde” do LIDE SC RS; o Head de TI da Cliomed, Mateus Rodrigues, empresa do Grupo Schmitt, liderado pelo empresário Dr. Julio Schmitt, Presidente da vertical “LIDE Empreendedor”; e o CEO da Novalogic e Presidente da Casa LIDE Joinville, Felippe Prates.
O Summit de IA Brasil, realizado anualmente em Joinville, cidade que é um dos maiores polos industriais do Brasil e a terceira economia do Sul do pais, reúne os principais pensadores, inovadores e implementadores de IA sendo pioneiro no país ao se dedicar exclusivamente ao avanço e à aplicação da inteligência artificial em diferentes âmbitos.
Além do “hype” que se tornou a ideia de que as empresas precisam ter processos e soluções com utilização de ferramentas de IA, a discussão foi sobre como gerar resultados de fato através das emergentes e disruptivas tecnologias.
A ênfase foi na importância de um novo modelo mental de líderes que pensem a tecnologia como um meio e que a cultura de inovação seja o fator crítico para o sucesso de projetos que envolvem novas soluções, e também na relevância de antes de implementar novas ferramentas, cada organização fazer um mapeamento do estágio e maturidade da infraestrutura para suportar a implementação de novas camadas de tecnologia.
O erro mais comum das empresas modernas é se apaixonar pela tecnologia antes de entender o problema que precisam resolver. O verdadeiro líder da era digital não busca implementar Inteligência Artificial apenas para carimbar o selo de “empresa inovadora”. Ele entende que a IA, por mais disruptiva que seja, é apenas uma ferramenta — um meio para alcançar objetivos de negócios, e nunca o objetivo final. Essa mudança exige um novo modelo mental da liderança. Em vez de perguntar “como podemos usar IA aqui?”, o líder estratégico questiona: “quais são os nossos maiores gargalos de produtividade?” ou “onde estão as nossas próximas oportunidades de expansão?”. Somente após identificar essas respostas é que a tecnologia é convocada para servir à estratégia.
Sem essa clareza, as organizações correm o risco de inflar seus orçamentos de TI com soluções caras que não geram valor real ou que resolvem problemas que sequer existiam.

Foto: Divulgação
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