21-02-06 – A troca de telefone convencional por móvel tem sido a penúria das operadoras fixas há anos. E a situação pode ficar ainda pior para elas. O aumento da competição e a conseqüente queda dos preços nos mercados europeus altamente saturados por celulares têm colocado mais pressão sobre as operadoras fixas, que tentam manter clientes conectados às suas redes.
As redes celulares estão cada vez mais disseminadas e os telefones móveis estão se tornando dispositivos altamente pessoais ao serem equipados com, cada vez mais, aplicações para os usuários. "O valor percebido que você tem de uma linha fixa está ficando cada vez menor", disse Katja Ruud, analista da empresa de pesquisa Gartner.
E as operadoras celulares querem aproveitar essa percepção porque suas próprias receitas de voz estão sob pressão de mercados saturados, competição violenta e autoridades exigindo redução de preços de tarifas.
"Somente 25% das chamadas telefônicas no mundo hoje são feitas por redes celulares. Isso é uma imensa oportunidade para nós", disse o presidente-executivo da Vodafone, maior companhia celular do mundo em vendas, Arun Sarin. As operadoras móveis na Europa têm pouca escolha com taxas de penetração de celulares ultrapassando 100% em muitos países europeus e tarifas em queda. A saída é crescer às custas da indústria de telefonia fixa.
Competição ferrenha
Há anos, as operadoras de telefonia fixa tinham a seu favor um colchão de proteção na forma de tarifas mais baixas em relação às celulares. Mas isso não acontece mais. As tarifas de operadoras celulares caíram entre 30% e 35% na Europa nos últimos três anos, com as maiores quedas sentidas nos países nórdicos. A competição é tão ferrenha que empresas estão pagando para os usuários utilizarem seus serviços. A operadora "3", do grupo Hutchison Whampoa, anunciou no mês passado que pagará usuários de serviços pré-pagos que receberem chamadas no Reino Unido.
Analistas estimam que na Finlândia e Portugal quase 50% do tráfego de voz origina-se atualmente em celulares, e esses telefones substituíram linhas fixas como principal meio de comunicação em um terço das residências. Os problemas para as operadoras fixas não acabam aqui, as operadoras móveis têm olho cada vez maior sobre receitas com transmissão de dados, em um momento em que tentam fazer valer os bilhões de dólares gastos na criação de redes sem fio de terceira geração (3G).
Tecnologias sem fio como HSDPA (high speed downlink packet access) estão evoluindo e este ano devem atingir velocidades de quase 2 megabits por segundo, ante 384 quilobits atuais. E num futuro próximo, podem evoluir para taxas de até 14 megabits por segundo, equiparando-se às oferecidas por redes fixas.
Fonte: Reuters
Edição: Intermanagers
