13-02-06 – Duas boas notícias animaram o setor de cerâmica catarinense esta semana. A primeira foi a redução do IPI para produtos da construção civil, no caso dos revestimentos cerâmicos o imposto baixou de 10 para 5%. A segunda foi o anúncio do governo estadual da diminuição do ICMS para o setor, alterando a alíquota de 17 para 12%. Com essa redução vai aumentar a competitividade entre as indústrias nacionais, uma vez que em São Paulo, outro forte pólo cerâmico do país, o ICMS já havia sido reduzido em 2005. Com estas duas decisões, a expectativa também é de, em longo prazo, oferecer preços mais baixos ao consumidor e gerar mais empregos.
Ameaça chinesa
As novas alíquotas equilibram a competitividade dentro do Brasil, porém não evitam o que hoje é considerada a maior ameaça ao setor cerâmico brasileiro ??? a invasão dos produtos chineses. O Brasil se manteve por anos como o principal consumidor mundial de cerâmica, posto que perdeu recentemente para a China que hoje é também o maior produtor e o terceiro maior exportador de revestimentos cerâmicos do mundo. Só nas exportações o país asiático cresce a uma média anual de 60%.
O produto chinês chega ao Brasil com um preço competitivo, favorecido pela política de incentivos do governo daquele país para as indústrias ligadas a cadeia da construção civil. ???Enquanto no ano passado o Brasil reduziu a zero a exportação de produtos para o país asiático, devido a exigência de uma certificação de anti-radiatividade, a China ampliou em quase 350% a entrada de produtos cerâmicos no Brasil???, afirma Murilo Bortoluzzi, presidente da Asulcer. ???Além disso, é de conhecimento comum que o processo industrial chinês é pouco alinhado com as boas práticas de concorrência saudável entre mercados, podendo citar como exemplos a moeda subvalorizada e a falta de legislação trabalhista e ambiental???, completa Bortoluzzi.
Competição internacional
A China já está conquistando mercados externos antes dominados pelo Brasil, como os Estados Unidos. Em um período de seis anos os chineses aumentaram em oito vezes o seu volume de exportação em metros quadrados para os Estados Unidos, enquanto o faturamento aumentou em quase 10 vezes. A previsão é que se a China continuar neste ritmo em dois anos ultrapassará o Brasil em volume de exportações para os Estados Unidos.
Diante desse cenário a avaliação da ASULCER é que a participação da China pode provocar um colapso na indústria brasileira de cerâmica. A entidade participou da definição de um documento que será entregue ao governo federal solicitando medidas para controlar a invasão da China no setor cerâmico brasileiro. Uma das alternativas é implantação de uma política salvaguardas transitórias. ???Definimos este assunto como prioridade. Há livre entrada dos produtos no Brasil e muitas regras para a entrada do nosso lá na China. Não podemos admitir uma competitividade desleal dessas???, declara Murilo.
Sobre a Asulcer
A Associação Sul Brasileira da Indústria de Cerâmica para Revestimento engloba 14 empresas dos estados de SC, PR, RS e MT que representam o maior pólo exportador de revestimentos cerâmicos das Américas. Só as associadas são responsáveis por 25% de toda a produção nacional de revestimentos, 28% das vendas internas de revestimentos, 46% do faturamento do setor no Brasil, 35% da força de trabalho do setor (empregam 10 mil pessoas, gerando mais de 50 mil empregos indiretos) e ainda são responsáveis por 65% das exportações de revestimentos cerâmicos.
