por Jailson de Sá
O publicitário e jornalista Emilio Cerri, prestes a completar 50 anos de carreira e ainda em atividade como consultor de comunicação de marketing, curador e produtor de conteúdos, foi indicado para o Hall da Fama do CC,SC-Clube de Criação de Santa Catarina, segundo informa o presidente Alexandre Guedes. Sua "bio" que constará do próximo Anuário – a ser publicado no começo do segundo semeste deste ano – será escrita pelo jornalista, publicitário e colunista do AcontecendoAqui Elóy Simões.
"História de criaçãoNo meio dos anos 60, em plena ditadura, quatro jovens paulistas chegaram a Brasília e abriram a primeira agência realmente criativa do DF, o Grupo Jovem. Lula Vieira (redator), Marcelo Martinez Ramos (diretor de arte), Ataide Rodrigues Lopes (produtor e atendimento) e Dario Miotto (administração). Poucos meses após a inauguração eu me associei a eles. Um dos nossos bons clientes era o Magazine Slaviero, uma loja de departamentos. No Natal de 1969 resolvemos propor a eles um jingle. Lula e Ataide, que estavam em São Paulo, visitaram o compositor e jinglista Edson “Passarinho” Borges para encomendar o trabalho. Mas, antes do briefing, o Passarinho tocou uma música recém criada que poderia fazer parte de um disco de músicas de Natal do grupo Titulares do Ritmo: “Quero ver você não chorar, não olha pra trás…”. Bingo! Aquilo era um jingle sensacional. Negociamos e apresentamos para o cliente. Acredite: foi recusado. Acharam triste, queriam algo mais “varejão”.
Em 1971 estávamos no Rio, juntos, na criação da agência JMM. Coube a mim um job do Banco Nacional (Chico Socorro atendia a conta). Uma campanha para valorizar os gerentes. Criei o personagem, José (o nome do presidente do banco era José de Magalhães Pinto), interpretado pelo ator e humorista Mauro Gonçalves, mais tarde consagradao como o Zacarias, dos Trapalhões. Ele era o gerente bonzinho, que ajudava o cliente a materializar seus sonhos. Assinava com a mensagem “José, você é um santo!”. Acho que foram produzidos quase uma dezena de comerciais (Lula Vieira era o diretor de criação, o Francisco “Chico” Abréia o RTVC da agência (naquele tempo o cargo era esse). O Abréia praticamente foi morar na PPP – Persin Perrin Produções Cinematográficas dos sócios René Persin e Hubert Perrin – para supervisionar a realização da série. Para o último filme, em cores, com veiculação no Natal, criei o José regendo um coral de crianças. Roteiro aprovado, mas qual música usar? Então explodiu na sala da criação a ideia de usar aquele jingle do Passarinho. O resto é história."
Emílio Cerri
COMENTÁRIO
Caro Emílio,
Para muitos pode parecer apenas um elogio oportunista de amigo.
Não importa.
O que realmente importa é que o Clube de Criação de Santa Catarina acertou na mosca ao escolher você para o Hall da Fama e imortalizá-lo no seu Anuário 2012.. Uma linda e comovente história envolvo a sua carreira profissional, cujo brilho, creio eu, despontou exatamente naquele momento épico da JMM, no Rio de Janeiro nos Inícios dos anos setenta. Com uma conta de grande porte que era o Banco Nacional. Nâo é pouca coisa. Abraços fraternos do seu amigo de sempre.
Chico Socorro
