21-02-06 – O Google rejeitou formalmente uma intimação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que pede informações sobre buscas feitas pelos usuários do mecanismo de pesquisa da companhia na web. A empresa argumenta que a exigência viola a privacidade dos internautas e seus próprios segredos comerciais. Respondendo a um pedido feito pelo Secretário de Justiça dos EUA, Alberto Gonzales, o Google também informou que a exigência do governo para revelar dados de buscas dos usuários é impraticável.
A administração Bush quer que o Google entregue as informações como parte de um esforço para apelar de uma decisão da Suprema Corte do país sobre uma lei que penaliza administradores de sites que permitem que crianças vejam pornografia. O Google vai contestar o pedido do governo dos EUA sozinho. Os rivais Microsoft e Yahoo estão entre as companhias que aceitaram a exigência do Departamento de Justiça.
Os advogados do Google afirmam que a companhia compartilha da preocupação do governo sobre conteúdos impróprios para menores, mas argumenta que o pedido de dados é irrelevante. A empresa ofereceu uma série de argumentos técnicos para sustentar sua tese de que as informações não serão úteis. O Google afirma que a exigência de entregar dados sobre "incontáveis milhões de buscas" representará um peso excessivo sobre a empresa, além de despender "uma semana de tempo de engenharia para ser completado".
"Algoritmos mudam freqüentemente. Uma busca submetida hoje pode trazer um resultado diferente do que uma pesquisa idêntica realizada ontem", disseram os advogados do escritório Perkins Coie, contratado pelo Google.
Resistência
Atender à exigência do governo também forçará o Google a revelar como sua tecnologia de busca funciona, algo que guarda um segredo comercial da companhia. A empresa recusa-se até a revelar o total de buscas conduzidas por dia em seus sites. A resistência do Google contrasta com um acordo acertado pela empresa com o governo chinês para censurar a exibição de algumas pesquisas em seu site na China. O acordo atraiu duras críticas à empresa feitas por parlamentares norte-americanos e ativistas defensores dos direitos humanos.
