22/12/08
Dados parciais do Sindicato dos Distribuidores sugerem que o número de espectadores não cresceu em 2008
O público de cinema no Brasil está estagnado. O resultado parcial de bilheteria monitorado pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro, há mais de 15 anos consecutivos, aponta que o número de espectadores de 2008 é praticamente igual ao que compareceu aos cinemas no ano passado: cerca de 89 milhões. Já o número de público de filmes brasileiros indica uma pequena queda em relação ao ano passado e a estimativa é que a participação de mercado do filme nacional fique entre 9% e 10%. Os números finais, com os dados de todo o ano, serão divulgados na segunda semana de janeiro.
O levantamento do Sindicato até novembro mostra que 81.200.000 pessoas foram aos cinemas. E a previsão é de que – somado ao público de dezembro – o total do ano fique entre 88 e 89 milhões. Os números indicam que o consumo de filme estrangeiro em termos de público cristalizou-se. Está, nos últimos sete anos, em torno de 80 milhões, com exceção de 2004, quando alcançou cem milhões. Portanto, o mercado só irá aumentar quando houver crescimento da participação do filme brasileiro no mercado. E isto não tem ocorrido. Em 2006 a participação foi de 11%; em 2007 de 11,5%; e em 2008 ficará entre 9% e 10%.
Em relação ao número de salas houve um pequeno crescimento de 3,6%, com 119 novas salas abertas, sendo que 34 foram fechadas; totalizando 2300 em todo o país. A renda bruta de 2008 está estimada em R$ 723 milhões, um aumento de 2,1% em bilheteria, contra R$ 707.988.485 de 2007 e R$ 701.376.000,00 de 2006.
“Os números são piores do que 2007 quando já tivemos uma performance ruim. Existem bons filmes tanto brasileiros quanto estrangeiros, mas o problema é que faltam cinemas em quantidade suficiente para exibi-los e mantê-los em cartaz. Continuamos acreditando que o grande problema é a falta de cinemas na periferia que possam atender ao público das classes C e D. Enquanto os recursos de financiamento estiverem voltados quase que exclusivamente para a produção e não para a construção de salas, essa situação não vai melhorar”, analisa o presidente do Sindicato, Jorge Peregrino.
Em 2009, entretanto, os números do cinema nacional podem melhorar. O material promocional dos filmes nacionais exibidos no 7º Show Búzios, em novembro último, indicam filmes com bastante potencial. A exemplo de 2006, que abriu a agenda de lançamentos nacionais com o longa ???Seu eu fosse Você???, 2009 chega com a estréia de ???Se eu fosse você 2??? no dia 2 de janeiro. Outros 40 filmes nacionais já estão agendados e contam com distribuição garantida. Entre os estrangeiros, na linha seqüências, estão as estréias de ???Harry Potter???, ???X-Man???, ???Era do Gelo???, ???Velozes e Furiosos???, ???Uma Noite no Museu??? e ???Transformers???. Há também estréias de peso como ???2012???, ???The Spirit ??? O Filme??? e ???Avatar???. Além dos infantis ???Bolt Supercão??? e ???O corajoso ratinho Desperaux???, entre outros.
Para que os resultados de 2009 sejam positivos, Peregrino aponta, entre outras medidas, a necessidade de a Ancine tomar, como prometido, a meritocracia como medida para a distribuição dos novos recursos recentemente anunciados. Ele ressalta que a promoção ???Mês do Cinema Nacional???, promovida pela Ancine em parceria com os exibidores, não trouxe nenhum resultado concreto para o cinema nacional. Não houve alteração significativa nas bilheterias de filmes que estavam em cartaz durante a promoção como ?????ltima Parada 174???, ???Orquestra de Meninos??? e ???Romance???, por exemplo.
“Apenas o preço não pode ser tratado como questão chave para o crescimento do público, até porque a sua redução sem levar em conta o impacto na renda do produtor não pode ser ignorada. Nada contra, mas essa redução, se tivesse o efeito esperado, em última análise significa maior venda de pipoca e refrigerante para os cinemas. Ao invés de se ficar fazendo experiências com preços dos cinemas, a sua construção deveria ser a prioridade. Não há outra maneira de fazer com que as tão faladas classes C e D retomem a ida ao cinema como lazer, o que foi excluído dos seus hábitos de consumo”, afirma Peregrino.
