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Como a R/GA usou IA para criar um anúncio “impossível”
11 de Agosto de 2025

Como a R/GA usou IA para criar um anúncio “impossível”

O prazo era curto: apenas quatro semanas

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A agência R/GA recebeu, no início deste ano, um desafio ousado: criar um anúncio que só poderia existir graças à Inteligência Artificial generativa.

A missão veio do Google, que queria demonstrar o potencial de seu modelo de vídeo generativo, o Veo. O prazo era curto: apenas quatro semanas.

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“Foi um pouco assustador”, admitiu Nicholas Pringle, diretor de criação da R/GA para Europa, Oriente Médio e África.

O resultado, revelado em junho, foi From the Mountains to the City, um filme experimental feito com o Veo e estrelado pela marca de luxo Moncler. A peça gerou debate nas redes sociais e no Cannes Lions, onde o Google apresentou o trabalho a líderes criativos. Segundo Pringle, embora a plataforma tivesse limitações, ela obrigou sua equipe a repensar a forma de criar, e mostrou o quanto a IA avançou em pouco tempo.

Abraçando o inesperado

O processo tradicional de filmagem é linear: roteiro, storyboard, gravação, edição e pós-produção, etapas caras para serem refeitas. Com a IA, o fluxo se tornou muito mais flexível.

Cada cena era gerada pelo Veo a partir de comandos, mas nem sempre correspondia ao que a equipe imaginava. Às vezes, a tecnologia falhava, como ao tentar mostrar um homem fechando o zíper de uma barraca. Outras vezes, surpreendia com resultados inusitados, como as esculturas de gelo que acabaram integradas ao filme.

“Assim, a IA se torna quase um co-criador, apresentando ideias que você não havia previsto”, disse Pringle.

Para Sadie Thoma, diretora de marketing do Google Ads, essa aleatoriedade abre novas possibilidades criativas: “Você não precisa filmar exatamente o que está no storyboard.”

Ainda assim, lidar com esse elemento imprevisível foi um desafio para uma marca exigente como a Moncler, embora ela tenha se mostrado aberta à experimentação.

Novo fluxo de trabalho e limitações

O projeto levou a R/GA a criar uma ferramenta interna chamada Shot Flow, desenvolvida com o assistente de IA Gemini. Ela funcionou como um espaço de trabalho colaborativo, permitindo que equipes de diferentes escritórios refinassem cada elemento das cenas e mantivessem consistência nos resultados. Porém, os desafios permanecem: manter a aparência consistente dos personagens, evitar falhas visuais e lidar com questões legais, como direitos autorais, ainda são pontos sensíveis no uso comercial da IA.

Humanos + máquinas

Apesar de acelerar o processo, o Veo não substitui a criatividade humana. A trilha sonora, por exemplo, foi composta por Tom Gallo, e o roteiro, os prompts e a direção visual partiram da equipe criativa.

“O que fez o filme ter alma foi a visão das pessoas, não apenas da máquina”, afirmou Pringle. “A tecnologia é uma ferramenta, mas exige engenhosidade, gosto, precisão nos comandos e sensibilidade para ser bem aproveitada.”

Seu conselho para outros criativos: “Mergulhe nessas ferramentas e comece a experimentar, mesmo que de forma despretensiosa. O importante é criar sua primeira peça.”

Fonte: AdWeek

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