O Brasil é o 2ª país do mundo que mais realiza transplantes, ficando atrás somente dos Estados Unidos.
Na outra ponta, quando o assunto é doação de órgãos, o Brasil ainda revela um cenário preocupante e oportunidades de muito crescimento, estimulado por uma maior conscientização sobre o tema.
Atualmente, 60 mil pessoas estão na fila no Brasil esperando pela doação de órgãos. Só em 2022, mesmo após morte encefálica comprovada, cerca de 42% das famílias não concordaram com a doação, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). A cada milhão de pessoas, menos de 20 são doadoras de órgãos, o que aumenta a fila de espera por um transplante.
Além disso, de acordo com a ABTO, a pandemia causada pela Covid-19 fez com que o número de procedimentos diminuísse ainda mais em todo o país em 2020. Em 2021, 4.200 pessoas morreram à espera de um transplante. Aos poucos, este cenário começa a mudar, mas ainda há um longo caminho de conscientização pela frente.
“Quando a Vida se Renova”
Para estimular a mudança da condição, a campanha Quando a Vida se Renova criou uma série documental, já disponível na internet, reunindo depoimentos de pacientes transplantados, familiares, doadores, médicos, ONGs e demais envolvidos em todas as etapas do processo de transplantes de órgãos e tecidos.
Nos episódios, os transplantados contam, em detalhes, toda a trajetória que enfrentaram até conseguir seu procedimento e ganharem uma nova chance de viver.
A Biometrix Diagnóstica, a Sociedade Brasileira de terapia Celular e Transplante de Médula Óssea (SBTMO) e a ABTO são apoiadores da campanha.
Como se tornar um doador de órgãos?
É possível realizar a doação de órgãos (rim, coração, fígado, pâncreas e pulmão) ou de tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical). Um único doador que teve morte encefálica pode ajudar até dez pessoas que estão na fila de espera do transplante.
Para ser um “doador vivo”, é importante a pessoa apresentar boas condições de saúde, passar por avaliações médicas, ser capaz juridicamente e, principalmente, concordar com a doação. Legalmente, pais, irmãos, filhos, avós, tios e primos podem ser doadores. No caso de doação para uma pessoa que não seja parente, é preciso obter autorização judicial. Neste caso, os órgãos considerados para doação podem ser rim, fígado, pulmão e medula óssea.
Todas podem ser consideradas doadoras em potencial, independentemente da idade ou histórico médico. O que determinará a possibilidade de transplante e quais os órgãos e tecidos que poderão ser doados é uma avaliação do corpo feita por meio de exames clínicos, de imagem e laboratoriais no momento da morte. O mais importante é deixar claro para a família o seu desejo de ser doador. No Brasil, o transplante de órgãos só pode ser realizado após autorização familiar.
Não podem ser doadores de órgãos somente pessoas com diagnóstico de tumores malignos, doença infecciosa grave aguda ou doenças infectocontagiosas – destacando-se o HIV, as hepatites B e C e a doença de Chagas. Também não podem ser doadores os diagnosticados com insuficiência de múltiplos órgãos, situação que acomete coração, pulmões, fígado, rins, impossibilitando a doação desses órgãos.
