Foi um ano de turbulência operacional, mas nossas sondagens apontam para
um balanço positivo no final de 2022”, acrescenta. O setor emprega cerca de 40
mil pessoas em 3.500 agências no país.
O faturamento das agências de publicidade entre janeiro e setembro mostra o mesmo crescimento de 12%: R$ 13,6 bilhões ante R$ 12,2 bilhões do mesmo período do ano passado, segundo dados do CENP, Fórum de Autorregulamentação do Mercado Publicitário.
“Aceleramos até o talo, com o freio de mão puxado”, diz Fernando Diniz, executivo-chefe da DPZ, uma das agências do grupo global Publicis. “Tivemos que ter mais eficiência e eficácia, com menos verba dos clientes”, observa.
“Foi uma montanha russa”, no ponto de vista de Gláucio Binder, fundador da Binder, com sede no Rio de Janeiro. “Acho que nunca trabalhei tanto quanto neste ano”, comenta o executivo.
Segundo Binder, no primeiro semestre os anunciantes pareciam apreensivos sobre qual caminho seguir e em setembro decidiram seguir com as campanhas programadas.
Diniz observou o movimento semelhante no ano. “No primeiro semestre foram reticências por parte dos clientes. No segundo se transformaram em exclamação.”
A DPZ passa por um momento de restruturação, depois da saída em agosto do ano passado de grandes clientes, como McDonald’s e Natura, que acompanharam o ex-sócio Eduardo Simon para sua nova agência, Galeria.
O chairman de uma das maiores agências do país, o grupo WMcCann, da Aldeiah, que atende o Bradesco, e da Craft, Hugo Rodrigues, diz que 2022 foi um ano estável para o grupo como um todo.
“Não deu para crescer tanto em relação ao ano passado, porque em 2021 batemos todos os recordes, giramos muito rápido”, afirma o executivo, que comanda 560 pessoas na WMcCann, 80 na Aldeiah e mais 10 na Craft, uma produtora.
Na opinião dele o ano foi positivo para o mercado publicitário, não só em anúncios. “Teve a volta dos eventos, das convenções e todas as ativações em torno”. E lembra que a 22ª edição do programa Big Brother também gerou muitos negócios no início do ano.
“As marcas aprenderam durante os últimos anos que não podem ser tão sensíveis a fatores econômicos e políticos externos, porque não podem deixar de falar com seu público”, analisa o presidente da Fenapro.
Ele acredita que as turbulências só aumentaram a relevância das agências de publicidade para as empresas e a economia em geral. “O macroeconômico existe para todos, o que faz diferença é a criatividade, é a inteligência.”
O setor vem sofrendo com a falta de mão de obra e está abrindo frentes com escolas de mídia. A facilidade de recrutamento de profissionais em outros países e outros Estados, de uma lado aumenta a evasão de bons profissionais, mas para Gláucio, da Binder, facilita a contratação. “Nossa coordenadora de negócios em Brasília mora na Itália”, exemplifica.
Oriundo do Valor Econômico. Para a íntegra desta matéria, clique aqui.
