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Agências evoluíram na operação. Mas ainda operam no limite.
06 de Abril de 2026

Agências evoluíram na operação. Mas ainda operam no limite.

Tem uma mudança acontecendo no nosso mercado. E ela é real.

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Imagem Coockie Studio – Freepik

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O Censo de Agências 2026, elaborado pela Operand, ajuda a dar contorno a isso. Para quem não conhece, a Operand é uma plataforma brasileira de gestão que está dentro da operação de centenas de agências. Ou seja, não é uma fotografia distante. É um retrato de quem está no dia a dia.

E o que esse retrato mostra?

Um mercado que evoluiu na forma. Mas que ainda não resolveu o básico.

Os avanços existem e são consistentes.

O modelo de FEE mensal se consolidou. Mais de 80% das agências operam nesse formato. Isso traz previsibilidade, aproxima cliente e agência e reduz a lógica puramente transacional.

O trabalho remoto e híbrido virou padrão. A estrutura de contratação começa a se organizar. A precificação por horas ganha espaço e indica uma tentativa de trazer mais racionalidade para a formação de preços.

Tudo isso aponta para um mercado mais profissional.

Mas tem um número que muda a leitura.

A maior parte das agências pesquisada gera entre R$ 2 mil e R$ 6 mil de receita por colaborador ao mês.

Esse é o ponto.

Porque não estamos falando de faturamento total. Estamos falando de produtividade.

E, na prática, isso revela um setor que ainda opera com margem pressionada.

Ao mesmo tempo, o modelo de gestão segue fragilizado.

A maioria dos líderes ainda acumula função operacional, comercial e de atendimento. Poucos conseguem, de fato, atuar como gestores.

Na prática, quem deveria estar olhando o negócio continua ocupado fazendo o negócio acontecer.

E isso tem custo.

Custo de crescimento. Custo de escala. Custo de decisão.

Existe também um ponto que precisa entrar de vez na conversa.

A relação com os clientes.

O mercado avançou, mas a dinâmica comercial ainda carrega distorções. Prazos cada vez mais curtos, escopos pouco estáveis, demandas que crescem ao longo do contrato e pagamentos que nem sempre acompanham a realidade operacional de quem executa.

Não existe cadeia sustentável com um lado sempre absorvendo pressão.

No campo tecnológico, a inteligência artificial já está incorporada ao dia a dia.

Mas ainda concentrada em tarefas operacionais. Geração de ideias, textos, imagens.

O uso em análise de dados e, principalmente, em gestão financeira ainda é mínimo.

Ou seja, estamos ganhando velocidade.

Mas ainda não estamos ganhando inteligência de negócio.

E isso tende a separar quem vai crescer de quem vai ficar pelo caminho.

O que o Censo revela, no fim, é um setor em transição.

Menos improvisado. Mais estruturado. Mais consciente.

Mas ainda distante de um modelo econômico sólido.

E talvez aqui esteja o ponto central.

O mercado não precisa apenas de mais clientes.

Precisa de melhores modelos de negócio.

Precisa de gestão de verdade.

Precisa de precificação com margem.

Esse não é um desafio isolado das agências.

É uma agenda do ecossistema.

Das empresas, que precisam amadurecer suas relações comerciais.

Porque, no fim, não existe setor forte com empresas operando no limite.

O Censo mostra um mercado que evoluiu.

Mas ainda não resolveu o básico.

E talvez o maior risco seja exatamente esse.

Confundir evolução com maturidade.

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