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“Segunda sem carne”, campanha assinada pelo Bradesco ainda dá o que falar
05 de Janeiro de 2022

“Segunda sem carne”, campanha assinada pelo Bradesco ainda dá o que falar

Ação de marketing fora do core business, coloca a instituição numa saia justa

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Trazemos à Comunidade AcontecendoAqui uma leitura muito interessante de Rafael Rez, conceituado profissional de marketing, sobre um fato que movimentou os setores de comunicação, marketing e pecuário no Brasil na semana passada: a campanha publicitária do Bradesco com influencers que recomendavam a redução do consumo de carne “porque a criação de gado contribui para o aumento do efeito estufa”.

Logo após o comentário de Rafael Rez, mostramos dois vídeos que ajudarão no entendimento mais amplo do caso e sua repercussão e, também, o pedido de desculpas do Bradesco enviado aos pecuaristas.

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Rafael Rez
Founder at Web Estrategica Consulting and Founder at Nova Escola de Marketing

Bora de polêmica? A campanha do Bradesco sobre “segunda sem carne” ainda está dando o que falar, vou dar meus 20 centavos para a discussão, do ponto de vista de um Profissional de Marketing.

Ressalto que a crítica não é direcionada à equipe de Marketing do banco ou à agência que criou a campanha. A crítica é direcionada a um movimento que tomou conta do mercado sem grandes fundamentos: a tal “humanização no marketing”.

Em “Marketing 3.0” Philip Kotler começou a falar sobre “o marketing centrado no ser humano”, uma era na qual as marcas adotariam valores mais “emocionais” e “espirituais”.

Em “Marketing 4.0” ele cita algumas características de “marcas que se tornam humanas” na página 143: “fisicalidade, intelectualidade, sociabilidade, emocionalidade, personalidade e moralidade”.

Mas em nada aquilo que o mestre Kotler cita se parece com essa onda de humanização que estamos assistindo.

Esse tema ganhou as redes sociais numa velocidade inexplicável e as marcas passaram a investir em ações cada vez menos ligadas com seus Campos de Domínio. Banco fala sobre dinheiro. Empresa de carne fala sobre alimentação. Empresa de viagens fala sobre viajar.

Quem fala sobre o que entende erra menos.

É preciso entender que liberdades individuais são exatamente isso: individuais. Comida, estilo de vida, religião, orientação sexual, filiação política, time de futebol, porte de arma, isso tudo é liberdade individual. Seguidas as regras da lei, cada um faz o que achar melhor para si.

Quando uma empresa resolve ditar regra sobre o que as pessoas devem fazer ela toma partido de um lado e obviamente desagrada outros lados. Não faz o menor sentido fazer isso.

A analogia deixa isso evidente: imagine a Sadia fazendo uma campanha de final de ano: “Não use cartão de crédito às segundas-feiras, faça menos dívidas, pague à vista e não pague juros”.

Não tem contexto, não tem sentido.

Assim que a campanha foi veiculada bateu no calo do agronegócio e as reações foram tão entusiasmadas que o Banco divulgou um comunicado oficial no qual afirma: “Pelo contrário. O Bradesco acredita e promove direta e indiretamente a pecuária brasileira e por conseguinte o consumo de carne bovina.”

No fim das contas, o Banco conseguiu ficar mal com pecuaristas e com veganos e vegetarianos.

Esse é o grande risco ao entrar na onda da “humanização” sem atentar devidamente aos fundamentos clássicos de Marketing.

Ao opinar sobre liberdades individuais, as marcas entram em terrenos de areia movediça.

No fim, a minha visão é que a luta deve ser para que cada um possa escolher livremente o que quer e não por determinar qual é essa escolha. Que haja respeito a todas as escolhas, pelas pessoas e pelas marcas.

Se alguma marca efetivamente se preocupa em “ser mais humana” deve respeitar a todos, indistintamente.
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Pecuaristas de Goiás

Antonio Pereira do Canal tvagro comenta sobre a campanha do Bradesco

Pecuaristas fazem churrasco em frente a agências do Bradesco

 

Bradesco se desculpa

Após a avalanche de críticas à sua ação, o Bradesco retirou a campanha do ar e se desculpou com o setor do Agronegócio. Leia a íntegra do comunicado:

CARTA ABERTA AO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO
Ao longo de seus quase 79 anos de história o Bradesco apoiou de forma plena o segmento do agronegócio brasileiro, estabelecendo parcerias sólidas e produtivas. Tal opção é baseada em sua crença indelével nesse segmento enquanto vetor de desenvolvimento social e econômico do país.

Contudo, nos últimos dias lamentavelmente vimos uma posição descabida de influenciadores digitais em relação ao consumo de carne bovina, associadas à nossa marca.

Importante dizer que tal posição não representa a visão desta casa em relação ao consumo da carne bovina.

Pelo contrário.

O Bradesco acredita e promove direta e indiretamente a pecuária brasileira e por conseguinte o consumo de carne bovina.

Diante do ocorrido, medidas foram imediatamente tomadas incluindo a remoção do conteúdo de ambiente público, e, além disso, ações administrativas internas severas.

Dessa forma, reiteramos nossa lamenta pelo ocorrido e reforçamos mais uma vez nossa crença irrestrita na pecuária brasileira.

 

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