Em seu segundo dia de trilhas de conhecimento dedicadas a marketing, vendas e inovação, o palco do RD Summit 2022 abriu espaço para que as empresas brasileiras conheçam os novos hábitos de consumo de um público que vai comprar — e até ajudar a co-criar — seus produtos nos próximos anos.
As previsões de mercado foram feitas pela WGSN, líder mundial de previsão de tendências para diferentes setores, e apresentada pela especialista Mirela Dufrayer, Digital Marketing, Growth e Trends & Consumer Insights da companhia, na plenária principal do evento.
Mirela abordou questões relevantes para diferentes marcas pensarem suas estratégias de encantamento de clientes, considerando sobretudo os perfis e sentimentos do consumidor do futuro e como eles devem guiar as empresas na construção (e evolução) das suas estratégias e planejamentos comerciais, nos próximos anos.
Como as marcas podem criar engajamento com consumidores superestimulados, expostos à poluição de informações e ao choque com o futuro?
Com esse questionamento, é fundamental ter foco nas mudanças constantes e na adesão de novos planos de ação capazes de engajar e encantar o consumidor. Para isso, considera-se três pilares principais: os sentimentos do consumidor, seus perfis, e os pontos de ação.
Segundo Mirela Dufrayer, os sentimentos do consumidor indicam que há um “choque com o futuro”, ou seja, mudanças rápidas na sociedade e na tecnologia que causam um sentimento de apreensão. Os consumidores também vivenciam um excesso de estímulos, enquanto as pessoas buscam por propósitos em meio a instabilidades e problemas. Além disso, a especialista destacou que a sobrecarga emocional e o estilo de vida sempre conectado estão esgotando os nossos sentidos.
“O excesso de estímulos impacta os nossos sentidos e causa uma sobrecarga sensorial. Em 2024, o equilíbrio sensorial vai ser um antídoto ao excesso de estímulos”, aponta.
Outras duas sensações se revelam fortalecidas em relação ao sentimento dos consumidores, o “otimismo realista” e o “encantamento”, sentimento de fascínio que se manteve em segundo plano nos últimos anos. “O encantamento reúne e inspira pessoas e, em 2024, será um elo conector num momento de reconstrução do mundo pós-pandemia”.
Um forte indicativo nessa direção, por exemplo, são estudos que mostram que à medida que o estresse e a ansiedade crescem, o consumidor busca por conforto em alimentos e bebidas, que trazem sensação de prazer. Dados do TrendCurve apontam crescimento de 35% nas buscas por fórmulas relaxantes e de bem-estar.
Na sequência, Mirela destacou os sentimentos do consumidor que permitirão a elaboração de quatro perfis do consumidor e suas estratégias de engajamento:
1 – Reguladores: grupo que acredita na consistência como mecanismo de sobrevivência e que tem como principais estratégias de engajamento o conceito de ‘click-and-collect’ (lojas ambulantes) e o comércio por voz e home ecommerce.
2 – Conectores: determinados a reescrever as regras do empreendedorismo e do compartilhamento e que convidam as marcas a repensarem seus rótulos e etiquetas, com o surgimento de organizações autônomas descentralizadas.
3 – Construtores de memórias: fazem referência aos sentimentos de culpa e remorso, pós-lockdown, que estão sendo transformados em vidas mais enxutas e novos conceitos de família, voltadas para estratégias baseadas na economia do cuidado e do boom das compras coletivas.
4 – Neo-sensorialistas: são consumidores híbridos, que substituem o medo pela esperança, quando o assunto é tecnologia. Assim, as ações estratégicas envolvem recompensas metaeconômicas. Ou seja, com o boom da economia dos fãs, das recompensas em games e das carteiras digitais, as empresas precisam se adaptar aos Neo-sensorialistas, apaixonados pelas criptomoedas. Os Neo-sensorialistas vão se interessar também por tecnologias que permitam sentir o metaverso, de dispositivos hápticos a recursos de olfato.
De acordo com Mirela Dufrayer, as marcas que desejam ser mais competitivas e atrair os consumidores do futuro precisam entender o momento de vida que os consumidores estão. Isso inclui pensar muito mais em produtos de bem-estar, porque os clientes estão cansados, uma vez que essa conectividade “full” está gerando um excesso de informações e exaustão.
Segundo a especialista, também é preciso que as marcas adequem ou criem produtos voltados para as novas formas de família e pensem na evolução tecnológica: é preciso que as empresas pensem como elas podem interagir mais facilmente com o consumidor e conectá-lo com a sua marca de um jeito melhor.
Com informações da RD Station, texto de Larissa Cabral
