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Justiça dos EUA suspende compra da Warner pela Paramount
21 de Julho de 2026

Justiça dos EUA suspende compra da Warner pela Paramount

Processo também levanta questionamentos sobre impactos para o jornalismo e a indústria audiovisual nos Estados Unidos

Uma juíza distrital dos Estados Unidos determinou, na segunda-feira (20/7), a suspensão temporária da compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount, interrompendo uma das maiores operações do setor de entretenimento.

Embora a aquisição tenha recebido aval do governo federal norte-americano, a negociação foi contestada por uma ação apresentada por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores do processo argumentam que a fusão pode reduzir a concorrência e concentrar ainda mais o mercado.

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A decisão tem caráter provisório, mas representa o primeiro obstáculo judicial enfrentado pelas empresas desde o anúncio do negócio. O caso também amplia o debate sobre concentração no setor de mídia e pode aumentar os custos e a complexidade da operação.

A Paramount pertence aos bilionários Larry e David Ellison, pai e filho. Larry é cofundador da empresa de tecnologia Oracle e pai de David, presidente-executivo da Paramount Skydance. Ambos são aliados de Donald Trump, cuja administração autorizou o prosseguimento da aquisição.

Como ficaria o novo conglomerado

Caso a compra seja concluída, Warner Bros. e Paramount Pictures passarão a integrar o mesmo grupo empresarial. A operação também reunirá marcas como HBO, HBO Max, CNN, Discovery, CBS, MTV, Nickelodeon e Paramount+.

A concentração não se limitaria à produção de filmes e séries. O conglomerado também passaria a atuar de forma integrada em streaming, televisão e jornalismo. Um dos principais pontos levantados pelos críticos é a união da CNN e da CBS News, consideradas as duas maiores marcas jornalísticas dos Estados Unidos.

Essa integração ocorre em um cenário marcado por frequentes embates entre Donald Trump e veículos de imprensa. Para opositores da fusão, a concentração amplia o risco de pressões políticas e empresariais sobre as redações.

Justiça vê argumentos consistentes

Ao analisar o pedido, a juíza distrital Araceli Martínez-Olguín, de Oakland, avaliou que os argumentos apresentados pelos 12 estados são “fortes”. Por isso, determinou a suspensão da compra por 14 dias para examinar o caso.

Quando a ação foi protocolada, a Warner argumentou que a fusão fortaleceria a capacidade da nova empresa para competir com plataformas e grupos de tecnologia, como Netflix e Amazon. Na decisão, a magistrada considerou que essa justificativa, por si só, não era suficiente. Após a suspensão, procuradores-gerais de diferentes estados comemoraram o resultado inicial. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, classificou a decisão como uma “primeira vitória crucial” para a ação.

“A história mostra o que acontece quando algumas pessoas detêm grande poder sobre mercados essenciais para a vida dos americanos: menos oportunidades para mais pessoas, produtos e serviços piores para todos.”

Em Nova York, a procuradora Letitia James também considerou o resultado importante e afirmou que “está ansiosa para continuar lutando”.

A próxima manifestação da juíza está prevista para 3/8. Nessa etapa, ela poderá autorizar a continuidade da aquisição, ampliar o prazo de suspensão ou determinar que a operação permaneça paralisada até a conclusão do processo, o que pode levar meses.

Mercado reage à decisão

Após a divulgação da ação movida pelos estados, as ações da companhia recuaram até 4%. Inicialmente, a suspensão vale por duas semanas. No entanto, a juíza poderá decidir que a fusão só seja concluída após o encerramento da disputa judicial, cenário que aumentaria os custos da operação e dificultaria seu financiamento.

Se a transação não for concluída até 30 de setembro, prazo previsto no acordo, a Paramount poderá ter de realizar pagamentos periódicos aos acionistas da Warner Bros. Discovery, estimados em cerca de US$ 650 milhões por trimestre, até a conclusão do negócio. Caso os estados obtenham uma vitória definitiva, a aquisição poderá ser cancelada ou exigir mudanças na estrutura da operação.

O valor atribuído ao negócio varia conforme a metodologia adotada. Considerando apenas os ativos da Warner Bros. Discovery, a aquisição é estimada em cerca de US$ 81 bilhões. Com a inclusão das dívidas assumidas pela Paramount, o montante chega a aproximadamente US$ 110 bilhões.

Estados apontam riscos à concorrência

Na ação, os estados afirmam que a concentração reduzirá o poder de negociação de exibidores, distribuidoras e operadoras de televisão, além de diminuir as opções disponíveis para os consumidores.

Segundo o processo, um mercado com menos concorrentes tende a resultar em preços mais altos, menor diversidade de conteúdo e redução dos incentivos à inovação. Os procuradores também apontam impactos para profissionais da indústria audiovisual. Com menos grandes estúdios disputando projetos e talentos, atores, roteiristas, diretores, produtores e técnicos teriam menos oportunidades de contratação e menor poder de negociação salarial.

Outro ponto citado é o plano de corte de custos de US$ 6 bilhões anunciado pelas empresas. Para os estados, a medida reforça o risco de demissões, fechamento de estruturas e redução da produção.

Além das questões concorrenciais, a ação questiona o contexto político da aprovação federal. Em junho, o Departamento de Justiça informou que não tentaria barrar a aquisição após concluir que a operação não causaria prejuízos relevantes à concorrência ou aos consumidores.

Os estados contestam essa avaliação e alegam que a decisão pode ter sido influenciada pela relação entre Donald Trump e o empresário Larry Ellison. Embora a ação não trate essa influência como um fato comprovado, solicita que as circunstâncias da aprovação sejam consideradas pelo tribunal.

Paramount defende a operação

Em resposta ao processo, um porta-voz da Paramount afirmou que a empresa está confiante de que “as provas demonstrarão que os argumentos antitruste dos procuradores não têm fundamento”. Segundo ele, as alegações dos estados “não têm base na realidade do mercado atual”.

Quando a ação foi apresentada, a companhia também afirmou que a iniciativa parte de uma interpretação equivocada do mercado de entretenimento e sustentou que impedir ou atrasar a operação prejudicaria consumidores, profissionais do setor e produtores de conteúdo.

Na Justiça, a Paramount argumentou que pretende ampliar investimentos e lançar cerca de 30 filmes por ano após a integração. Para a empresa, a fusão permitirá formar um grupo com escala suficiente para competir com plataformas globais de streaming e empresas de tecnologia que disputam audiência e investimentos em conteúdo.

Foto: Magnific

Fonte: MediaTalks

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