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por André Goeldner*
A pandemia está aí.
Existe um vírus à solta.
Ele é silencioso, invisível e mortal.
Ataca homens e mulheres de todas as idades.
Seu sintoma? Paralisia.
Seu grupo de risco? Gestores.
Seu nome? Medo.
Desde que o Covid-19 se espalhou pelo mundo, seus efeitos foram de toda ordem. Países, pessoas e marcas ainda estão tentando descobrir como lidar com ele. Natural, afinal ninguém aprendeu isso na faculdade ou foi preparado em algum MBA. Embora não surpreenda se em breve vier a ser.
No entanto, chamam a atenção algumas marcas globais buscando alternativas que de fato fazem a diferença na vida das pessoas, como a Ford, na Bélgica, emprestando carros para que os médicos possam ir e voltar dos hospitais, a Nike doando US$ 15 milhões para a pesquisa contra o vírus e a rede de cafeterias Pret a Manger oferecendo café gratuito aos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (NHS) da Inglaterra. Já no Brasil, a maioria das marcas parece ter adotado outra estratégia. O silêncio e a inércia.
Compreensível, uma empresa visa ao lucro e, se está entrando menos dinheiro, faz sentido reduzir as despesas.
Mas é exatamente aí que surgem dois problemas.
Primeiro: pouco antes disso tudo começar, a palavra preferida do mundo do marketing e da comunicação era propósito. Foi um momento em que todas as empresas descobriram que, além de vender seus produtos e serviços, também poderiam fazer do planeta um lugar melhor. Em seguida, Covid-19. Impossível, agora, no meio disso tudo, não fazer a pergunta: onde estão todas aquelas marcas que minutos antes queriam salvar o mundo?
Como ensina Simon Sinek na teoria em seu livro “Comece pelo porquê” e a Nike na prática com o case Colin Kaepernick, propósito corporativo verdadeiro é quando uma empresa está disposta a sacrificar algo pelo que acredita. Inclusive, dinheiro. Essas são as instituições que neste momento estão repensando suas estratégias e agindo para construir marca e criar um forte e real vínculo emocional com as pessoas.
Já o segundo grande erro é considerar comunicação um gasto e optar por emudecer.
Vale lembrar que, quando todos estão em silêncio, quem fala recebe atenção total. Nessas horas, com apenas um passo, você já está na frente.
É uma pena que muitas marcas ainda não tenham descoberto isso. Infelizmente, a maioria delas ainda permanece imune ao vírus da oportunidade.
*André Goeldner – Redator publicitário
