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Em tempos de corona vírus, marcas lavam as mãos
14 de Abril de 2020

Em tempos de corona vírus, marcas lavam as mãos

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Imagem de Mylene2401 por Pixabay 

 

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por André Goeldner*

 

A pandemia está aí. 
Existe um vírus à solta. 
Ele é silencioso, invisível e mortal. 
Ataca homens e mulheres de todas as idades. 
Seu sintoma? Paralisia. 
Seu grupo de risco? Gestores. 
Seu nome? Medo.

Desde que o Covid-19 se espalhou pelo mundo, seus efeitos foram de toda ordem. Países, pessoas e marcas ainda estão tentando descobrir como lidar com ele. Natural, afinal ninguém aprendeu isso na faculdade ou foi preparado em algum MBA. Embora não surpreenda se em breve vier a ser.

No entanto, chamam a atenção algumas marcas globais buscando alternativas que de fato fazem a diferença  na vida das pessoas, como a Ford,  na Bélgica, emprestando carros para que os médicos possam ir e voltar dos hospitais, a Nike doando US$ 15 milhões para a pesquisa contra o vírus e a rede de cafeterias Pret a Manger oferecendo café gratuito aos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (NHS) da Inglaterra. Já no Brasil, a maioria das marcas parece ter adotado outra estratégia. O silêncio e a inércia. 

Compreensível, uma empresa visa ao lucro e, se está entrando menos dinheiro, faz sentido reduzir as despesas. 

Mas é exatamente aí que surgem dois problemas. 

Primeiro: pouco antes disso tudo começar, a palavra preferida do mundo do marketing e da comunicação era propósito. Foi um momento em que todas as empresas descobriram que, além de vender seus produtos e serviços, também poderiam fazer do planeta um lugar melhor. Em seguida, Covid-19. Impossível, agora, no meio disso tudo, não fazer a pergunta: onde estão todas aquelas marcas que minutos antes queriam salvar o mundo?

Como ensina Simon Sinek na teoria em seu livro “Comece pelo porquê” e a Nike na prática com o case Colin Kaepernick, propósito corporativo verdadeiro é quando uma empresa está disposta a sacrificar algo pelo que acredita. Inclusive, dinheiro. Essas são as instituições que neste momento estão repensando suas estratégias e agindo para construir marca e criar um forte e real vínculo emocional com as pessoas.

Já o segundo grande erro é considerar comunicação um gasto e optar por emudecer. 

Vale lembrar que, quando todos estão em silêncio, quem fala recebe atenção total. Nessas horas, com apenas um passo, você já está na frente.

É uma pena que muitas marcas ainda não tenham descoberto isso. Infelizmente, a maioria delas ainda permanece imune ao vírus da oportunidade.

*André Goeldner – Redator publicitário

 

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