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É o fim da influência como a conhecemos?
10 de Abril de 2020

É o fim da influência como a conhecemos?

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Um artigo da Vanity Fair com a pergunta “É este o fim da influência como a conhecemos?” nos chamou a atenção essa semana. O texto relata o caso de uma influenciadora americana que testou positivo para o COVID-19 e causou uma grande repulsa pela forma como ela se comportou em relação à doença e afins: após aceitar a oferta de diversos testes de coronavírus (especialmente difíceis de encontrar) e distribuir para os seus seguidores, ela documentou a mudança de sua família para uma cidade menor correndo o risco de contaminar ainda mais pessoas. Postou diversos Stories de si mesma abraçando seus filhos em vez de mantê-los à distância. E então seu marido brincou dizendo que apenas pessoas “gostosas” pegam o vírus. No final, ela se tornou o exemplo do que NÃO fazer em uma pandemia: exibir o privilégio, desfilar o caso aparentemente moderado quando os outros estão morrendo, não se manter em quarentena e deixar o epicentro americano da calamidade para colocar em risco mais populações. Seu pedido de desculpas extensivo incluiu esclarecimentos de que seu marido e babá também contraíram o vírus. Ela chorou, admitindo que estava assustada, mas o estrago estava feito. Mesmo antes da crise do coronavírus, já havia alguns sinais de que a cultura da influência, como a conhecemos, estava se desgastando. As pessoas já estavam em um movimento de buscar por um envolvimento mais autêntico e significativo, valorizando mais conteúdo de verdade, menos vidas perfeitas postadas em feeds cheios de filtros, menos clichês desse universo de influência cheio de  “oi, pessoal, tutu pom”. (Assunto destacado na YOUPIX Idea sobre isso neste texto). 

Agora, essa pandemia nos coloca em um momento muito importante de ressignificação de nossas próprias vidas e de tudo que nos cerca, das relações, do que a gente consome, do que é prioridade, do que é verdade, do que devemos levar pra frente depois que tudo isso acabar ou não. E é claro que os influenciadores e celebridades entram nisso tudo. 

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Transitamos em uma linha tênue entre conteúdos sobre o vírus e outros que nos ajudam a fugir da realidade, e tudo bem. Mas, diante de uma pandemia que colocou tanta coisa em perspectiva e mudou a vida como conhecemos, esses conteúdos de escape não podem apenas inspirar ou nos levar para uma vida que não temos, visto que nem sabemos que vida é essa que teremos depois de tudo isso. Quanto mais distantes os influenciadores ficam do momento atual, do zeitgeist, menos sentido eles farão agora… e talvez também depois. 

O artigo “Celebrity Culture Is Burning” publicado no NYT fala muito sobre isso: estamos mais despertos em relação a nossa consciência, entendendo que o momento não é das celebridades e das pessoas distantes, é pra gente se conectar com o que importa e, principalmente, com o que é útil para nossa vida. Nossa tolerância para a superficialidade está mais baixa do que nunca.

Influenciadores que não estão atentos a isso não estão fazendo seu trabalho direito. Mais do que nunca, influência é transformação no pensamento e ação que, para além de inspirar, causa uma mudança concreta. Já a influência exercida de maneira impensada, insensível ou até desajeitada tem muito potencial para causar danos.

Esse é um momento importantíssimo de virada do mercado da influência como conhecemos, e temos a chance de fazer a virada pro lado certo. 

Este texto encerra com a reflexão de uma frase de Brian Solis: “entregue valor e não só conteúdo, busque relacionamento e não apenas exposição de marca. Comunidade se constrói em cima de troca e geração de valor entre pessoas que fazem parte de algo que é maior que elas próprias”.

Oriundo do YOUPIX Ideas, com texto de Bia Granja e Amanda Costa.
 

 

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