A estreia do documentário curta-metragem Itapocu, acontecerá no 23º Festival de Cinema Ecrans Noirs, um dos maiores e mais conceituados festivais de cinema da África, que acontece de 13 a 20 de julho em Yaoundé, capital da República dos Camarões. O filme será exibido na sexta-feira (19), na competitiva de Curtas-metragens Internacionais, sendo o único representante de fora do continente africano nessa categoria.
Itapocu é um curta-metragem documental que registra a comunidade quilombola do Itapocu, e a Associação e Grupo Folclórico Catumbi da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Itapocu, no interior do sul do Brasil, norte de Santa Catarina, e sua tradição centenária do Catumbi, uma manifestação sincrética que mistura dança, música e diversas manifestações afro-brasileiras. Uma tradição centenária de afirmação da identidade negra na região.
A celebração é marcada pelo sincretismo religioso e envolve música, dança e outros ritos. O Catumbi é um ritmo afro-brasileiro similar ao congado e ao reisado originado pelos escravos no século XIX, misturando a coroação dos reis do Congo com louvações a santidades católicas. Ocorre com bastante frequência em outras partes do país, porém, em Santa Catarina, a tradição praticamente se perdeu.
O curta documental é dirigido por André Senna, produzido e editado por Marcos Serafim, com produção local de Alessandra Bernardino, e direção de fotografia e câmera por Rosano Mauro Jr. Em 2016, o diretor André Senna, foi contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema 2014/2015 da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), sendo filmado em 2017 e lançado agora em 2019. Após a estreia na África, o filme já tem exibição garantida em mais três importantes festivais de cinema documental pelo mundo.
