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Copa inspira estratégia para marcas na era da IA
02 de Julho de 2026

Copa inspira estratégia para marcas na era da IA

O que é fundamental para manter qualidade e controle em operações globais?

A Copa do Mundo de 2026, disputada simultaneamente no Canadá, México e Estados Unidos, é a maior edição já realizada do torneio. Além da dimensão esportiva, o evento chama atenção pela estrutura tecnológica que sustenta sua operação. Para Oliver Disney, Chief Growth Officer da Collective, esse modelo oferece aprendizados importantes para empresas que utilizam inteligência artificial na produção de conteúdo e na gestão de marcas.

Segundo o especialista, a principal lição do torneio não está apenas na sua escala, mas na forma como a organização mantém todas as operações conectadas por uma base única de informações. Com 48 seleções, três países-sede e uma audiência global de bilhões de pessoas, a competição depende de uma camada centralizada de inteligência, alimentada por gêmeos digitais (Digital Twins) de estádios e jogadores. Esse sistema reúne dados verificados que orientam as decisões em todas as etapas da operação, garantindo que diferentes equipes trabalhem com a mesma referência.

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Na avaliação de Disney, o marketing segue uma trajetória semelhante. O aumento do número de mercados, canais de comunicação, equipes e parceiros acelerou a produção de conteúdo, processo que se intensificou com a adoção da inteligência artificial.

Embora a tecnologia permita produzir mais peças em menos tempo e com menor custo, o especialista alerta para os riscos de ampliar a escala sem uma estrutura capaz de garantir consistência. Segundo ele, quando conteúdos gerados por IA não são orientados por uma base confiável de informações, tornam-se mais frequentes problemas como divergências na identidade da marca, representações incorretas de produtos e diferenças entre materiais produzidos para mercados distintos.

Disney compara esse cenário à organização da Copa do Mundo. Assim como a FIFA não poderia permitir que cada estádio adotasse procedimentos próprios para situações semelhantes, empresas que atuam em diversos países ou comercializam diferentes produtos também precisam evitar que cada equipe trabalhe com informações distintas sobre a marca.

Para o executivo, a solução passa pela construção de uma infraestrutura baseada em uma fonte única e validada de dados. A partir da experiência da Collective com ecossistemas de conteúdo apoiados em gêmeos digitais e inteligência artificial, ele apresenta cinco princípios para estruturar esse processo.

O primeiro consiste em criar uma base de dados verificada antes de ampliar a produção de conteúdo. Segundo Disney, ferramentas generativas só entregam resultados confiáveis quando alimentadas por informações precisas sobre produtos e identidade da marca.

O segundo ponto é compreender o Digital Twin como uma camada de controle, e não apenas como um conjunto de ativos digitais. Para o especialista, seu valor está em servir como referência única para todas as peças produzidas, assegurando que produtos mantenham as mesmas características em diferentes canais e mercados.

Outro aspecto destacado é a necessidade de estabelecer processos de governança desde o início dos projetos. Definir responsáveis pela validação das informações e alinhar todos os envolvidos contribui para preservar a precisão dos conteúdos. Disney observa que o sistema utilizado pela FIFA funciona porque todas as partes responsáveis participam da validação das informações.

O especialista também defende que todas as equipes utilizem a mesma base de dados. Assim como a operação da Copa é coordenada por uma camada centralizada de inteligência, empresas podem reduzir inconsistências quando diferentes mercados, agências e áreas internas trabalham a partir da mesma referência.

Por fim, Disney afirma que o reaproveitamento dessa infraestrutura amplia o retorno sobre o investimento. Uma base validada pode sustentar campanhas para diferentes eventos, como Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Eurocopa ou ações sazonais, preservando a consistência da comunicação em novos mercados.

Ao concluir, o executivo afirma que a principal lição da Copa do Mundo não está apenas na capacidade de operar em grande escala. Para ele, operações complexas só funcionam quando apoiadas por uma estrutura capaz de garantir controle, consistência e informações confiáveis. Nesse cenário, as marcas que conseguirem construir essa base estarão mais preparadas para utilizar a inteligência artificial de forma segura e eficiente, produzindo conteúdo com maior qualidade e alinhamento em todos os seus mercados.

Foto: Pexels

Fonte: WARC

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