por Karin Koshima*
Imagine ter que vender alguma coisa em que pouca gente acredita. Alguma coisa a respeito da qual todos os argumentos de venda já foram usados e decodificados pelos potenciais compradores.
Pois é. Todo profissional de marketing político estará, neste ano, diante dessa desafiadora circunstância: tentar demonstrar que Política e políticos não são aquilo que a má política e os maus políticos andaram fazendo. E que as transformações almejadas na Política passam, necessariamente, pela eleição de: políticos. Como acontece quando alguém é picado por uma cobra e a solução está no uso do soro antiofídico extraído da própria cobra, a solução para a crise política será sempre uma solução política.
Já disse a pensadora alemã Hannah Arendt, que “a política é a arte da convivência”. Portanto, sem política estabelece-se o caos, pois como, em outra ocasião lembrou a mesma pensadora, “a única coisa que todos temos em comum é sermos todos diferentes uns dos outros” – razão pela qual ela se opunha enfaticamente a qualquer proposta autoritária, aquela que impõe sua vontade e tenta converter a todos em seguidores de um único pensamento. O caminho para o exercício de uma política saudável sempre buscará algum tipo de consenso, sem renunciar ao contraditório, e o impasse se resolverá pelo voto. E todos acolherão, democraticamente, o resultado. Assim deveria ser.
Vivemos um momento complicado sob esse aspecto no Brasil. Afinal, quando a política é colocada em questão, a democracia perde sustentação. E democracia sem sustentação é um prato cheio para aventureiros. Gente que faz um coro oportunista à indignação popular e que, para além de criticar a desigualdade social e a corrupção, atribui esses males à política em si, provocando nos eleitores, muitas vezes, um “tanto faz” perigosíssimo para todos. É um discurso superficial e oportunista. Mas que carrega uma característica poderosa de convencimento: a simplicidade. Não por acaso, o último Presidente eleito teve na simplicidade (e na simploriedade) dos discursos um importante fator de adesão. Os candidatos (e seus assessores de comunicação) terão que encontrar um discurso simples e objetivo, na forma, porém dotado de conceitos respeitáveis, em termos de competência e sensibilidade social para a gestão pública, no conteúdo. Principalmente, um discurso sem truques, sem cacoetes de marketing e sem ilusionismos. São essas definições que precisam ser resgatadas urgente e didaticamente para recuperarmos os eleitores perdidos e para que se estabeleça algum sentido de construção coletiva nesta eleição. E nós, profissionais do marketing, somos peça fundamental nesse processo.
* Karin Koshima. Especialista no comportamento do eleitor e do consumidor. Consultora em marketing político e pesquisas de opinião. Mestre em políticas públicas. [email protected]
