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Penúltima parte da entrevista com Mário Motta, comunicador do Grupo RBS em Santa Catarina
25 de Setembro de 2013

Penúltima parte da entrevista com Mário Motta, comunicador do Grupo RBS em Santa Catarina

AcontecendoAqui efetivou uma parceria com o blog Estopim que contempla, dentre outras coisas, a publicação de material gerado por ele e que tenha compatibilidade com o conteúdo do portal. Iniciamos com a publicação d de uma ampla entrevista realizada com Mário Motta, comunicador do Grupo RBS onde apresenta o Jornal do Almoço na RBS Tv e Notícias da Manhã na CBN Diário. As duas primeiras partes já publicadas você confere aqui:

Parte 1

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Parte 2

Terceira parte da entrevista

Na Capital

Ping – Aqui na Capital, você entrou na RBS assim que chegou?

Mário Motta – Não. Eu vim para Florianópolis para trabalhar na Secretaria da Educação e para coordenar uma Sucursal que a TV Planalto havia montado aqui depois de conseguir um canal para por no ar sua imagem através de uma repetidora em São José. Florianópolis era a única capital brasileira que não recebia a imagem do Programa Sílvio Santos aos domingos e isso era cobrado diariamente pelo senhor Abravanel. Cheguei no dia 17 de fevereiro de 1986. Trabalhei três meses como Diretor de Jornalismo da sucursal da TV Planalto, montada nos altos da Rua Tenente Silveira em frente a Biblioteca Pública de Santa Catarina. Comigo além do senhor Jorge Salum (comentarista), seu filho Jorge Salum como nosso repórter. Foi uma experiência que me deixou saudades. No final de março, promovemos a final do concurso Miss Santa Catarina que o Silvio Santos havia adquirido nacionalmente. Para variar, quem apresentou o concurso aqui fui eu. Não tínhamos muitas opções de apresentadores, por isso lá vou eu num smoking enfrentar a plateia no Ginásio Charles Edgar Moritz do SESC na Prainha, comandando o Concurso de beleza e o Show do cantor Agepê. Exercitando uma política de boa vizinhança, o Roberto Amaral convidou para participar do júri o Diretor de Relações Públicas da RBS, Antonio Cabreira e o diretor Operacional da RBS. Nós ainda não nos considerávamos concorrentes da RBS. A forte concorrente deles em Florianópolis era a então TV Cultura, que tinha Roberto Alves como sua estrela maior.

Quando terminou o concurso, os dois Diretores da RBS vieram conversar comigo e me convidaram a subir o morro para conhecer melhor a emissora. O Jornal do Almoço, principal programa da emissora, já naquela época, estava sendo ancorado pelo jornalista Moacir Pereira, uma vez que Maria Lins havia sido contratada pela TV Bandeirantes de São Paulo. O Roberto Alves dirigia a TV Cultura e com seus diretores conseguiu tirar ao mesmo tempo o Moacir Pereira e o Miguel Livramento reforçando o Jornal do Meio Dia. Foi um golpe violento no Jornal do Almoço. Naquela época, era uma briga de audiência muito grande. A RBS não tinha muito mais que quatro anos e precisava urgentemente reestruturar o Jornal do Almoço, encontrando alguém para ancorá-lo. Aí me convidaram.

 

Ping – A emissora era uma potência?

Mário Motta – Já era uma potência. Tinha aqui, em Blumenau, e estava começando a montar em Joinville. Mas no Rio Grande do Sul, era uma potência. Tinha Zero Hora, Rádio Gaúcha. Já tinha umas dez emissoras pelo Estado todo. A tendência deles era chegar a Santa Catarina com muita força.

 

Ping – E aí sua estreia foi junto com o Diário Catarinense?

Mário Motta – No mesmo dia em que o DC foi às ruas. Minha primeira manchete como âncora do Jornal do Almoço, no dia 05 de maio de 1986 foi política: Vilson Kleinübing entra para o Partido Socialista Cristão. A segunda manchete foi: Nas bancas a edição número 1 do Diário Catarinense.

Defini que iria para a RBS no dia primeiro de maio, um feriado de quinta feira. Liguei de um orelhão da praia de Ponta das Canas e disse ao Délcio que aceitava a proposta, mas que precisava conversar com o Roberto Amaral. Me pediram para estrear na segunda feira, 05 de maio. Lá fui eu dizer ao Roberto que estava deixando a TV Planalto e ainda tentar a dispensa imediata sem o cumprimento do aviso prévio. Fui trabalhar na sexta feira e no final do expediente chamei o Roberto de um lado e disse:

“Roberto preciso falar contigo, estou indo embora”.

“Você tá morando na Trindade não é. Vamos comigo. Te deixo em casa.”

“Não Roberto, estou indo embora da emissora.

Pois o Roberto me disse que só me liberaria se fosse para ancorar o Jornal do Almoço da RBS, por exemplo. E eu disse que era exatamente isso que eu iria fazer. Ele então me desejou toda a sorte do mundo e ainda me liberou imediatamente com uma única condição – que o comentário A Hora da Corneta – que eu gravava aqui e enviava para Lages para o Panorama do dia seguinte (naquele caso – da segunda feira), fosse ao ar como minha despedida. Assim, naquela segunda feira, dia 05 de maio eu entrei nos dois vídeos catarinenses- estreando no Jornal do Almoço e com o quadro Hora da Corneta na TV Planalto de Lages.

Como já havia feito nos últimos cinco anos na TV Planalto, quando ao lado do Quirino Ribeiro coordenei as grandes coberturas dos Jogos Abertos de Santa Catarina, certamente isso motivou também a própria RBS a iniciar a cobertura dos JASC. Quando chegava os Jogos Abertos, a TV Planalto parava de transmitir sua programação regular. Você ligava na TV e assistia uma programação semelhante ao que hoje fazem as grandes Redes em cobertura de Olimpíadas, ou mesmo a ESPN ou a SporTV. E só tínhamos uma única e pequena micro ondas naquela época.

Tão logo conheceu nossa cobertura dos JASC de 1981 em Lages, Roberto Alves propôs uma parceria entre a TV Planalto e a TV Cultura para o JASC do ano seguinte em Itajaí. Eu tinha criado um slogan que é usado até hoje: TV Planalto – de braços e jogos abertos. Em verdade, trouxe essa ideia de nossa cobertura pela Rádio Piratininga dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo em 1976. A parceria com a TV Cultura do Roberto Alves mexeu com a audiência, e como a RBS não tinha espaço estadual devido a não abertura da Rede Globo, perdia parte de sua audiência durante os Jogos Abertos. E não se conformavam com aquilo. Entrei na RBS para apresentar o Jornal do Almoço, mas logo em seguida fui convidado para Coordenar o Depto. De Esportes (por onde já haviam passado Luiz Carlos Prates e JB Telles). Coordenei o Esporte na empresa por três anos e fico muito feliz ao lembrar tudo o que fizemos.

Desde que entrei na RBS eu dizia – Senhores, precisamos ir mais ao encontro das pessoas nas cidades, nas regiões, enfim – no interior de Santa Catarina. Afinal, somos uma rede de emissoras que veio do Rio Grande do Sul e que ainda mantém essa forte visão do regionalismo gaúcho e é fundamental que quebremos isso. E, hoje posso dizer que a identificação com os catarinenses é fato consolidado.

 

mario-motta_310Ping – Ainda nessa origem , o fato de você não ter o curso de jornalismo, teve algum dia que você se incomodou com isso? Que você pensou estou numa grande emissora, com grande audiência, será que eu estou preparado jornalisticamente?

Mário Motta – Sinceramente eu nunca pensei muito nisso. O que sempre me pareceu importante foi o acesso à informação, a vivência ao identificar e consolidar fontes e se a informação que eu estava transmitindo era correta. Ou seja, o que sempre me importou foi a teor de responsabilidade da minha informação. Porque na época era obrigado você ser sindicalizado e ter o DRT de jornalista. Eu só tinha e tenho a de Radialista. Não me era permitido assinar uma publicação jornalística, ser responsável por uma revista, por um jornal, mas nada me impedia de apresentar um programa como radialista, porque eu era um comunicador, ou melhor eu me considero um comunicador.

Se alguém não me considera jornalista, penso eu que não seja pelo fato de eu não ter diploma – mas sim porque ele não me considera mesmo. Ele não identifica no meu trabalho, um trabalho jornalístico. Eu não sou um Jornalista com diploma por uma série de circunstâncias. Confesso que gostaria muito de ter frequentado um Curso Universitário da área. Ultimamente tenho ido muito ao espaço acadêmico e discutido temas de muita responsabilidade. Participei da Cátedra RBS, disciplina que integra o currículo do Curso de Comunicação da UFSC. Fui conversar com os acadêmicos que estão quase se formando em jornalismo. E aí eu vou discutir o quê? Epistemologia? Teorias da Comunicação? Enfim? Talvez até pudesse, mas eu não vou. Poderia até discutir teoricamente as coisas por alguns aspectos que eu já domino, porque também não parei de ler, não parei de me buscar meu aprofundamento. Mas, penso poder aproveitar muito mais todas as experiências práticas que vivi e todas as histórias que humildemente ajudei a escrever e a construir.

Para você ter uma ideia, em 1996, embora eu fosse o mais velho da redação da RBS, fui um dos primeiros, senão o primeiro a navegar na Internet na redação. Talvez eu tenha sido a primeira pessoa, modestamente falando também, a colocar um computador no estúdio de rádio e abrir uma sala de bate-papo ao vivo, em tempo real para os ouvintes. Isso ocorreu em 1996, quando criei o neologismo “Ouvinternautas“ que mantenho até hoje. Para concluir quanto a exigência ou não de diploma, penso que se existe uma lei que exige o diploma para determinadas ações, eu serei o primeiro a defende-la. Se existe a Lei, então que o Diploma seja cobrado. Se eu não o tenho, ou vou para a Universidade reciclar meus conhecimentos e adquirir legalmente o Diploma, ou vou fazer apenas aquilo que a falta do diploma me permite.

 

Ping – Mário a tua apresentação no Jornal do Almoço ela é irmã gêmea do Diário Catarinense, como a gente falou aqui agora há pouco, o principal jornal do Estado. No entanto esses irmãos trilham caminhos diferentes. O que eu quero entender é porque você nunca escreveu no DC?

Mário Motta – Olha, talvez justamente pela falta do diploma, mas, certamente não só pela falta do papel senão o Cacau [Menezes] não teria sua coluna desde o número um do DC. E embora a coluna tenha se transformado em “jornalística, isso aconteceu pelo talento do Cacau. Porque dá prá dizer que o Cacau não faz jornalismo? Gostem ou não, o Cacau tem uma coluna aberta. E ele trabalha muito bem as informações privilegiadas que suas fontes lhes dão. O Cacau desenvolveu e compensou, com um talento nato, o que talvez a falta do diploma quase o impediu. Mas dá pra falar que a coluna do Cacau é só jornalismo? Não, não dá. É também entretenimento, curiosidade, sociedade. Não é coluna social porque ele também nem gosta da denominação, mas também é e ele sabe disso. Mas só com muito talento se consegue usar muito bem o lado social da coluna com uma pitada de crítica social.

Eu não faria assim se tivesse uma coluna no DC como eu tenho no Hora, por exemplo. Talvez não tenha esse talento. Mas talvez hoje, o Hora represente para a RBS, o que o Jornal do Almoço de hoje representa para a TV. O Jornal do Almoço também foi sendo regionalizado.

Talvez eu não tenha ingressado no DC no início porque não trabalhava com o veículo efetivamente.

 

Ping – Quem sabe uma questão de público, seria isso?

Mário Motta – Talvez público, talvez por uma questão de coincidir oportunidade. Eu já escrevi pro DC agora recentemente, no redação-móvel. Hoje talvez haja um grande reconhecimento do Mário Motta multimídia do que existia há algum tempo. Eu sempre fui muito respeitado em TV, Rádio, mas eu não tenho, entre aspas, uma tradição de escrita para jornal. Embora eu escreva, e talvez porque eu também nunca tenha provocado muito isso.

Esta entrevista foi produzida por Nícolas David – graduando do curso de jornalismo da Unisul e criador do personagem Repórter Ping-Pong que entrevista profissionais da imprensa.

Na próxima segunda feira, 30/09 publicaremos a  última parte desta entrevista.

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