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Capital Social com Transformação: Como Guime Dornelas Transformou Decisões em Comunidade
04 de Junho de 2025

Capital Social com Transformação: Como Guime Dornelas Transformou Decisões em Comunidade

Liberdade não é ausência de risco. É capacidade de gerenciar riscos alinhados à sua essência.

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Por Prof Jonny 04 de Junho de 2025 | Atualizado 06 de Junho de 2025

Algumas trajetórias não seguem linha reta. Elas desafiam padrões, conectam mundos improváveis e mostram que ousar também é uma forma de construir. Guilherme Dornelas começou como atuário, passou pelo universo dos grandes eventos e hoje lidera um dos movimentos mais provocadores da atualidade: o The U. Mais do que um empreendedor, Guime é um criador de contextos que inspiram ação, conexão e reinvenção. Nesta entrevista, ele compartilha as decisões que moldaram sua jornada e os aprendizados que carrega ao longo dela.

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Muito grato por contribuir com nossa coluna de carreira. Você tem uma formação sólida em Ciências Atuariais e iniciou sua trajetória no mercado de resseguros, com experiências técnicas em análise de risco, precificação e desenvolvimento de produtos. O que o motivou, naquele momento, a seguir esse caminho mais técnico na carreira? Como esta formação influenciou suas decisões e sua forma de liderar projetos e negócios?

Minha entrada nesse caminho foi, na verdade, um reflexo do repertório limitado que eu tinha sobre possibilidades. Na minha origem, o empreendedorismo não era uma opção visível. A equação parecia simples: estude, entre numa boa empresa e construa uma carreira.

Sempre tive um raciocínio lógico muito fora da curva. Fui aquele aluno que não estudava e tirava 10, representava minha escola nas olimpíadas de matemática e resolvia problemas que outros nem sabiam por onde começar.

Um professor, que também lecionava na UERJ, me apresentou o curso de Ciências Atuariais como a formação mais promissora da época. Acreditei. Entrei. E vivi uma faculdade dura, onde precisei aprender, sobretudo, a ser autodidata — talvez a skill mais valiosa que alguém pode desenvolver.

Esse pensamento estatístico, de modelagem de riscos, nunca mais saiu de mim. É ele que, até hoje, me permite construir qualquer projeto, qualquer comunidade, calculando risco, retorno, probabilidade de sucesso e, principalmente, probabilidade de ruína. Se hoje crio eventos, ecossistemas ou metaversos, é com a mesma lógica que um atuário precifica vida, morte, catástrofe e futuro.

Depois de alguns anos no IRB Brasil RE, onde você atuou em funções técnicas e de relacionamento internacional, você decidiu deixar esse ambiente corporativo. Qual foi o ponto de virada que lhe levou a sair desse mercado e buscar algo completamente diferente?

O IRB foi uma escola. Aprendi muito, mas aprendi, principalmente, que não nasci para viver dentro de estruturas desenhadas por outros. Ali percebi que, se eu não criasse meu próprio mundo, passaria a vida cumprindo metas que não eram minhas, construindo legados que não me pertenciam e jogando um jogo onde minha voz seria sempre limitada pela hierarquia.

Naquele período, minha habilidade de conectar pessoas, gerar movimento e criar redes já era evidente. Comecei, paralelamente, a vender ingressos para eventos no Rio. No primeiro, vendi 20% da lotação — um evento para mais de 3.000 pessoas. Só ali, em poucos dias, ganhei quase 60% do meu salário anualizado.

Foi quando a equação ficou clara: a liberdade estava no risco. E, ironicamente, como atuário, sou especialista em risco. Aprendi que risco calculado é liberdade.

 

Seu movimento para o setor de eventos, como relações-públicas e estrategista de marketing, é uma guinada notável em sua trajetória. Como foi essa transição e que aprendizados você trouxe da experiência atuarial para esse novo universo?

Foi uma decisão que parecia absurda para quem estava de fora. Saí de um cargo sólido, em uma das maiores empresas do país, para empreender em festas e eventos. Mas eu enxergava aquilo não como um fim, e sim como um meio. Eventos são, na essência, infraestruturas temporárias de capital social e econômico. Minha cabeça de atuário me deu vantagens monstruosas nesse mercado:

  • Calcular riscos e retornos de cada evento com modelos que nenhum produtor usava.
  • Prever padrões de compra, comportamento e consumo antes do próprio mercado perceber.
  • Modelar clusters, perfis e jornadas do público usando inferência estatística.
  • Construir campanhas, branding e até experiências sensoriais baseadas em dados.

Na prática, fiz dos eventos um laboratório vivo para testar modelos de comportamento, sociologia aplicada e construção de comunidade.

 

Durante mais de seis anos, você esteve diretamente envolvido na criação de grandes eventos no circuito premium do Rio de Janeiro, atuando com marcas e artistas. Nesse período, quais foram as decisões mais desafiadoras que você precisou tomar e que moldaram seu perfil empreendedor?

Foram três saltos que redefiniram meu destino:

1- Sair do corporativo e assumir a vida como empreendedor, começando como promoter.

2- Assumir o risco completo dos eventos, tornando-me sócio e dono dos projetos.

3- Sair do entretenimento tradicional e migrar para a construção de ecossistemas — comunidades, masterminds, movimentos e infraestruturas sociais.

Cada uma dessas decisões foi, na prática, a troca de um galho por outro, sempre testando a firmeza antes de soltar.

 

A fundação do METAVERSO -LIVEPLANET marca um novo ciclo, voltado à construção de presença digital e criação de mundos online. O que o levou a criar essa empresa e como você enxerga o papel da tecnologia nas transformações de carreira e identidade profissional?

O metaverso nasceu de uma crise. Perdi todos os eventos, fiquei devendo mais de 100 mil reais e me perguntei:
“Se o presencial acabou, como continuo gerando valor para minha rede?”

A resposta foi: virtualizar as relações, digitalizar o capital social e construir um mundo onde as conexões não dependessem do espaço físico. Assim nasceu o LivePlanet, dois anos antes do Meta anunciar seu metaverso. O que vejo claramente é que:

  • O metaverso não falhou. Ele só precisa esperar a IA amadurecer.
  • IA e metaverso são camadas da mesma infraestrutura do futuro: redes sociais inteligentes, hiperpersonalizadas, baseadas em dados, reputação e contexto.
  • Toda tecnologia existe para aumentar a qualidade de vida, a escalabilidade de impacto e a autonomia das pessoas. Quem entende isso, não teme a tecnologia – usa ela como alavanca de legado.

 

Sua trajetória combina competências técnicas, visão de marketing, atuação em eventos e agora empreendedorismo em ambientes digitais. Qual destas transições você considera a mais difícil e por quê? E qual foi seu maior aprendizado com ela?

A transição mais difícil foi, sem dúvida, sair do mundo CLT/Acadêmico para o empreendedorismo.

  • Eu não tinha referências.
  • Não tinha modelos.
  • Não tinha apoio familiar.

Tinha só um chamado interno, uma convicção e, claro, meu modelo mental de atuário, que me permitia olhar o risco como aliado e não como ameaça.
O maior aprendizado?

Liberdade não é ausência de risco. É capacidade de gerenciar riscos alinhados à sua essência.

 

Hoje você lidera o The U (Clube Imparável), um movimento que une capital social, performance e transformação pessoal. Em linhas gerais, como você define capital social? Que experiências anteriores mais contribuíram para a criação dessa visão, e como você percebe sua missão hoje dentro desse projeto?

Capital social é a moeda que move o mundo.

É tudo aquilo que você constrói nas suas relações — reputação, confiança, reciprocidade, acesso, influência e poder de mobilização.

Se você entende o jogo do capital social, você entende que:

  • Tudo que você precisa já está a uma conexão de distância.
  • Sua rede é o seu maior ativo.
  • Monetizar não é vender. É ativar, cocriar, colaborar.

Essa visão se formou na prática — entre eventos, comunidades, negócios e, hoje, no The U, onde ensinamos pessoas a transformarem redes em liberdade, prosperidade e legado.

 

Ao longo dessa trajetória plural, você demonstra ter cultivado a coragem de tomar decisões que fogem do previsível. Como mensagem final, o que você diria hoje para alguém que sente o desejo de mudar de rota, mas teme abrir mão de uma carreira já consolidada?

Regra do Macaco: “Nunca solte um galho antes de segurar outro.”

Se você não tem uma reserva financeira, empreenda em paralelo. Valide. Crie recorrência. Quando a renda cobrir seu custo de vida por 3 a 6 meses, solta o galho com segurança. Se você tem reserva, queime as pontes. Vai com tudo. Mas lembre-se:

  • Ninguém é responsável pelo seu destino além de você.
  • Não terceirize suas decisões.
  • O mundo não precisa de mais peças no tabuleiro. O mundo precisa de quem constrói o tabuleiro.

E a pergunta que deixo é: Qual mensagem você quer deixar na Terra?

Lições de carreira

A trajetória de Guime Dornelas mostra que a coragem de mudar de direção pode ser o maior ativo de uma carreira. Quando alinhamos técnica, visão e propósito, criamos espaços onde crescimento e autenticidade andam juntos. Mais do que seguir um plano, construir uma carreira é aprender a escutar o momento certo de virar a chave e confiar no movimento.

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!

Abraço, Jonny

Entre em contato com o AcontecendoAqui se tiver interesse em divulgar seus trabalhos para a Comunidade AcontecendoAqui. Envie um e-mail para [email protected]

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