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Entrevistas com fotógrafos de publicidade – Rodrigo Ormond
27 de Fevereiro de 2014

Entrevistas com fotógrafos de publicidade – Rodrigo Ormond

eu_autoretrato_ormondRodrigo Ormond é um criativo multi-disciplinar. Formado em Comunicação Visual/Design Gráfico pela UFSC e Especializado em Marketing pela FGV, atuou em escritórios de Design e como Gerente de Marketing no mercado Publicitário Catarinense e empresas no setor de alta tecnologia e inovação.  Com a experiência em atividades como assessor de comunicação no SESIsc e Gerente de Marketing do Grupo RIC RECORD, acrescentou ao seu perfil uma visão gestora e comercial que somada ao campo das artes visuais cria um serviço equilibrado com a inovação e a necessidade do cliente.

Sendo na adolescência o início de sua relação com a fotografia, enquanto registrava suas experiência vividas com viagens para surfar, andar de skate e foi se desenvolvendo em paralelo com sua carreira de executivo de marketing. Mantendo-se sempre atento ao resultado do seu trabalho e estuda formas de melhorar a qualidade técnica de suas imagens para os trabalhos que realiza no mercado.

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Como Comunicador Visual por vocação e formação, segue seu caminho de pesquisa estudando e participando de discussões que contribuam no desenvolvimento da técnica e expansão das possibilidades da fotografia e no uso desse recurso como fator de contribuição para a cultura, arte contemporânea e como ferramenta de comunicação comercial para a Propaganda.

Seus trabalhos compreendem campanhas publicitárias e de moda com destaque também para fotografia de alimentos e jóias, Ormond produz imagens para marcas nacionais e internacionais, fotografando no Brasil e no exterior. Dentre destaques compreende campanhas para agências como  Propague, D/Araújo, 9mm, Sambba, Decisão e clientes como Dohler, Pedra Branca, Formacco, Tyson Foods, Koerich, UnimedSC dentre outros.

É grande admirador do poder das imagens, na forma como são capazes de estimular sentimentos quando colocadas frente ao espectador. Em busca dessa linguagem psicológica, Ormond dedica em seus projetos autorais a exploração da fotografia em sua forma marginal de utilização, que segundo ele, compreende a parte a ser explorada pelos artistas e profissionais a fim de avançar na qualidade da comunicação e formação da cultura contemporânea.

 

AcontecendoAqui: Como você se tornou fotógrafo e o que te motivou a optar pela profissão?

Rodrigo Ormond: Comecei praticando com a curiosidade de expressar graficamente formas, por mais que não refletisse sobre isso, em meio as fotografias, muitas vezes pensava com a representação visual de uma forma psicológica. Então entrei na faculdade de Design Gráfico, na UFSC, onde estudando o universo da Comunicação Visual optei por me desenvolver pelo registro fotográfico. Durante esse período e após me formar busquei um caminho que achava mais tradicional e seguro: me especializei em Marketing pela FGV e abracei a carreira de comunicação corporativa e marketing. Quando estava em uma ótima fase profissional percebi que pessoalmente queria estar em outro lugar fazendo outra coisa: a fotografia. Decidi então priorizar essa atividade e preparar meu estúdio profissional. Isso foi em 2010.

 

AAqui: O que a fotografia significa além do cenário e do clic?

RO: Ela significa tudo o que se compreende entre o cenário/assunto e o clic. Ela engloba tudo que você pode projetar, pensar e registrar e, pessoalmente eu vejo que ela compreende principalmente tudo aquilo que não estava lá para ser visto mas sim, sentido. A fotografia, significa dessa forma explorar a expressão  estética que afete nossos sentidos visuais fazendo com que nossa mente crie sua própria percepção. Ela significa muito mais que registrar signos e símbolos, ela significa entregar informações mais abertas que nos afetam em sua essência e não com códigos preestabelecidos. Comercialmente, penso que mantendo esse pensamento estamos mais propensos a encontrar imagens improváveis e muitas vezes mais impactantes, mais originais. Depois, claro, de sabermos que cumprimos com oque o cliente pedia.

 

AAqui:  Que tipo de fotografia desafia mais um profissional como você a buscar o novo?

RO: A fotografia na minha vida tem 2 caminhos: o trabalho autoral e o trabalho comercial, eventualmente busco colocar meus processos criativos autorais a serviço dos clientes, buscando algo novo para suas ideias.

A fotografia autoral nos permite um exercício de desapego a técnicas rígidas e obrigatórias. Nos permite ir contra as regras, contra convenções do que se tem como um retrato popularmente “bem feito” . Obrigo-me a inverter valores, regras, luzes, aniquilar passos e deformar cenas. Aprendi com isso a farejar o que não poderia ser visto, mas que se sentia e tendo revelado essa dimensão, reconhecer o que chamo de fenômenos visuais. A fotografia autoral me permite mais perguntas sobre o que pode ser descoberto visualmente e conceitualmente, como isso se encaixa no nosso mundo visual e intelectual.

Não busco enigmas em cenas super descritivas e esquemáticas, acho que precisamos pensar mais no “e por que não?” ao invés de “como se copia isso?”

 

AAqui: Você tem uma expertise ou um segmento de mercado onde atue mais?

RO: Gosto muito de desafios e sempre odiei admitir para mim mesmo que eu “não sabia fazer algo”. Estudei iluminação, narrativa, projeto e busco investigar isso em todos os desafios que imagino virem a ser uma realidade. Gosto de fotografar joias por exemplo, que é uma técnica complexa, mas posso aplicar isso para fotografar uma pia de banheiro e assim diferenciar o produto entregue. Da mesma  forma ao fotografar moda, gosto de questionar as regras, pois vejo lá espaço para experimentarmos o conceito de imagem sobre o conceito de foto. Construir uma narrativa mais complexa como a capacidade de processamento e momento contemporâneo do ser humano, não somos bidimensionais, não pensamos assim e nosso cérebro está pronto para ser surpreendido. Retratar a realidade é uma ideia empalhada. Minha atuação atualmente está mais ligada na fotografia publicitária.

 

AAqui: Qual segmento é o mais complexo na hora de produzir uma fotografia?

RO: A fotografia de moda geralmente não me é apresentada com cenas prontas, então por isso é preciso ter um bom repertório de imagens na mente, mas, o mais importante é tentar refletir sobre uma questão específica, uma mensagem a se interiorizar e buscar nela a inspiração para as imagens. Procurar um estado de ideia ou sentimento e explorar ele. Porém isso esbarra na convencionalidade com que boa parte do mercado lida. É preciso seguir a receita comercial e entregar o retrato, a fotografia que se vê e no meio disso buscar entregar um resultado mais pessoal e improvável ao cliente, que talvez, vá aprovar.

A fotografia de ideias, vindas mais das agências, tem questões estéticas mais desafiadoras, pois as ideias são criadas por profissionais com personalidade, com visão e muito conhecimento de técnicas de expressão. Eles sabem o que acidentalmente fica bom, mas sabem muito também o que você sabe e não sabe fazer. E eles querem o melhor, uma luz que encaixe com sua ideia, um momento que não deixe dúvidas, querem um enigma ou uma cena extremamente didática.

Lamentavelmente, vejo na moda pouca vanguarda, frequentemente “mais do mesmo” O cliente esta preparado para muitas questões de mercado e design, mas como não pode investir em formação artística a fundo, muitas vezes aceita uma foto pela foto, a fotografia convencional retratista, aceita e não tem a oportunidade de cobrar uma imagem que realmente fala como a moda se propõe: discutir e formar a cultura da sociedade.

 

AAqui: Qual seu principal concorrente? O outro fotógrafo do seu nível ou os bancos de imagens?

RO: O concorrente que eu mais crio expectativas e dúvidas pessoais certamente é aquele que pensa como um compositor de imagens. A fotografia está na mão de todos, técnicas estão ao alcance de quem buscá-las, mas buscar tornar-se um maestro, um compositor do mundo das imagens requer uma dedicação mais profunda da arte visual junto à arte conceitual. Quanto ao banco de imagens, vejo apenas como um recurso a mais disponível no mercado, mas não um concorrente.

 

AAqui: Considera importante estudar fotografia ou o dia a dia resolve?

RO: Certamente, estudar técnicas é imprescindível, podemos refinar sempre, podemos chegar a resultados que não sabíamos como executar. Mas a inspiração vem com o trabalho assim como o resultado técnico. Desocupados encontramos poucos desafios.

 

AAqui: Qual a sua opinião sobre a lei brasileira que garante os direitos autorais dos fotógrafos?

RO: Primeiramente entendo que a obra pode ser considerada uma criação do fotógrafo pensando em termos de autoria e exclusividade, quando o fotógrafo cria algo que em duas dimensões mostra que não foi criado por outra pessoa, ou seja quando ele registra algo autêntico e a imagem tem esse significado carregado na sua apresentação visual.

No fotojornalismo torna-se discutível, afinal o momento não foi criado pelo fotógrafo, o personagem se identificável como figura pública, também não. Torna-se autoria do fotógrafo quando ele da um significado exclusivo a imagem. Nas artes visuais torna-se mais fácil assimilar pois pressupomos que o mesmo resultado visual não pode ser alcançado por outra fotografia. Então qual o objeto de autoria? O que foi fotografado ou o registro em forma de imagem. O que foi criado? A reprodução de uma obra que existiu ou a leitura exclusiva de um fenômeno visual registrado por uma câmera? Na publicidade e em produções similares onde está o direito autoral de quem criou a cena para ser fotografada? Temos a produção de moda que cria o visual de moda, temos direção de arte que cria o cenário/ambiente. Eles compõem a obra a ser reproduzida como imagem mas quem tem evidenciado o direito de autoria é o fotografo ou eles são os co-autores somente? São co-autores em uma lei que só protege a imagem ou seriam também autores em uma lei que protege a criação da obra? Estas são algumas perguntas a serem respondida, afinal, os direitos devem ser de todos.

 

AAqui: Lugar ou pessoa que fez a diferença na hora da foto?

RO: Modelos humildes e a equipe do cliente com disposição fazem toda a diferença, quando tem grande consciência corporal e interpretativa fazem o trabalho se tornar uma performance de alto nível. Na minha atividade fotográfica tive uma grande diferença com um professor e amigo o artista Scott Macleay, que consolidou minhas expectativas quanto a minha realização pessoal com a fotografia autoral, possibilitando que eu avançasse nesta área a ponto de estar agora em março fazendo minha primeira exposição individual a convite do Governo.

 

AAqui: As agências de propaganda de Santa Catarina valorizam a boa fotografia nas suas campanhas?

RO: Como disse anteriormente, nas agências está os intelectos refinados e os donos dos sentidos a flor da pele, eles sabem o que é bom. Você não pode errar e entregar o erro, você pode errar e entregar algo interessante sim, mas precisa entregar exatamente o que a ideia pedia. Eles têm formação para cobrar o estado da arte, se eles não suspiram ao ver o resultado, esquece. Os criativos são nosso parceiros, a maioria sabe que a fotografia vai muito além, eles propõem muita criatividade e novos caminhos ao cliente, colocar o cliente frente ao jamais feito não é nada fácil, mas eles insistem e abrem novos caminhos. As agências de Santa Catarina estão se desenvolvendo rapidamente e se encaminhando ao padrão dos grandes centros.

 

Algumas imagens dos trabalhos de Rodrigo que juntamente com a realidade comercial mostram exemplos de experimentações mais abertas ao conceito de imagem .

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Confira também as entrevistas anteriores: Walmor de OliveiraMichel Téo Sin.

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