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ENTREVISTA | Mauri Heerdt, reitor da UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina
14 de Novembro de 2022

ENTREVISTA | Mauri Heerdt, reitor da UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina

A instituição receberá, este ano, o Prêmio ESG, da ADVB/SC, na categoria social, com o projeto “Gente Unisul”.

O AcontecendoAqui conversou com o reitor da Unisul – Universidade do Sul de Santa Catarina, Mauri Heerdt, para contar à Comunidade Acontecendo Aqui como foi o processo de construção e evolução das práticas sociais, ambientais e de governança da instituição, no decorrer destes 58 anos de trajetória.

A Unisul é uma das instituições mais premiadas pelo Prêmio ESG, antigo Empresa Cidadã, da ADVB/SC, em 23 anos de história da premiação, a universidade recebeu o prêmio 12 vezes, em diferentes categorias. Este ano, em 2022, também foi premiada com a iniciativa “Gente Unisul”, a solenidade de entrega da premiação ocorrerá em Chapecó, no dia 25/10.

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Como os pilares sociais, ambientais e de governança são praticados pela Unisul e quando a instituição começa a se atentar a estas questões?

O tema ESG entrou com muita força na Unisul, principalmente depois da integração com a Ânima Educação, que tem a ESG como um dos pilares do seu posicionamento e da sua gestão. Depois que houve essa integração com a Unisul como uma das instituições do Ecossistema Ânima, começou a se utilizar dessa expressão em seus posicionamentos que, na verdade, é muito mais do que uma expressão, é uma prática nos setores ambientais, sociais e de governança, porque nós acreditamos que as pessoas hoje querem investir não apenas na empresa, a partir do lucro, mas também em empresas com propósitos, com princípios e com valores. E, por essa razão, as práticas da ESG são tão importantes para a Unisul. Mas muito antes disso, a Unisul é fruto de uma mobilização da comunidade de Tubarão, da cidade de Tubarão. Foram lideranças da cidade que na década de 60, se organizaram para que na cidade de Tubarão houvesse educação superior. Estava praticamente restrita, naquele ano de 1964, a capital, e surgiram algumas exceções de outras cidades. Então, a Unisul desde sua concepção, a sua origem, ela tem uma integração muito grande com a comunidade, com as questões sociais e ambientais, por isso a gente costuma dizer que a Unisul é da comunidade. E a Ânima ao escolher instituições, com as quais ela quer se associar, ela quer se integrar, ela também procura instituições que tem esse lastro social, esse lastro comunitário. E por essa razão que Unisul e a Ânima se encontraram.


A Unisul é uma das instituições mais premiadas pelo Prêmio ESG, antigo Empresa Cidadã, da ADVB/SC. Como a Unisul recebe esse reconhecimento em relação às práticas sociais, ambientais e de governança?

Hoje, diferentes empresas e organizações promovem premiações, mas pouquíssimas, eu diria raras, que tem a assinatura de uma ADVB. Porque a ADVB/SC tem uma história e essa história atribui credibilidade e reputação. Por isso receber uma premiação da ADVB é, por si só, já muito vitoriosa. Agora receber uma premiação ESG, é de uma relevância enorme para a credibilidade e a reputação da empresa. Então a Unisul, em primeiro lugar, ela usou da credibilidade e a reputação da própria ADVB, e nós entendemos isso como uma forma de avaliação do nosso próprio trabalho enquanto Universidade. Nós encaramos isso como uma forma de comunicação com a sociedade, nós encaramos isso como uma maneira de reforçar o nosso compromisso social, ambiental e comunitário. E é uma premiação que está em total sintonia com o nosso posicionamento. Nós temos o nosso lema, que é a nossa assinatura institucional, que é a seguinte: Unisul, fortalecendo comunidades e formando cidadãos do mundo. Então você vê que, por essa assinatura nossa, que o prêmio ESG, tem total sintonia com o nosso jeito de ser.


Qual o papel do contexto social, cultural e histórico para o desenvolvimento dos projetos da Unisul? E, podes contar um pouco sobre o projeto da Unisul, vencedor deste ano do Prêmio ESG, da ADVB/SC, na categoria social, o “Gente Unisul”?

Os projetos e, por consequência, as premiações são formas de diálogo, de sintonia com o que acontecia na sociedade, esse é o grande papel da universidade. Se você pegar o prêmio que nós ganhamos deste ano, em 2022, que é o Gente Unisul, ele está em total sintonia com o momento atual. Passamos por um momento muito triste de pandemia, com muitas mortes, um verdadeiro flagelo da humanidade. Então, nada é mais importante neste momento da nossa história, que integrarmos o tema saúde ao foco, que é a pessoa. Então nós, através desse projeto, conseguimos unir isso e unir todo esse trabalho social e comunitário de conexão com as pessoas e conexão com a sociedade. O Gente Unisul acontece por meio de ações específicas, em grupos específicos, como população da Amazônia, como população da África, como populações que vivem no entorno da universidade. Seja com a colocação de DIU em mulheres do município de Palhoça, com o atendimento às crianças, com cuidados em relação à saúde feminina e à saúde masculina. O Gente Unisul, é o exemplo concreto das diferentes identidades, dos diferentes grupos que existem dentro de uma cidade, que existem dentro do Brasil e no mundo. E com esse projeto a gente conseguiu dar uma atenção especial e promover a vida. Essa é a nossa maior missão.


Hoje a visão sobre a economia global parte do conceito de ESG, o que leva aos gestores das instituições de ensino superior o desafio de pensar nas graduações conectadas a este cenário. Como a Unisul age nesse sentido?

Acho que isso é um grande desafio para todas as Universidade. Nós estamos tentando fazer isso a partir do nosso próprio currículo. Nós temos um currículo que chamamos de E2A, que integra todos os nossos estudantes, desde reflexões e práticas. Nós defendemos a educação com essa integração de reflexão e prática. Mas grandes temas da humanidade, como por exemplo meio ambiente, saúde e ética, são alguns temas trabalhados nas graduações, independente de qual curso tenha sido escolhido pelo estudante. Então, acho que o primeiro posicionamento é esse: essas temáticas tão importantes para o ESG são temáticas curriculares para nós. Além disso, colocamos dentro dos nossos currículos práticas de pesquisa e práticas de extensão. Por exemplo, o Gente Unisul, ele é um trabalho também de voluntários, em que centenas de alunos nossos, a partir do nosso currículo, podem fazer esse trabalho. No caso do Gente Unisul, especialmente no curso de medicina, mas também no curso de fisioterapia, no curso de cinema, que está integrado a este projeto. Então, acreditamos que educação não se faz apenas para dentro da escola, somente para dentro da universidade, uma educação ela se faz em uma sintonia, com uma conexão com as cidades, com as sociedades. Por isso, eu sempre digo que esse nosso currículo, ele é um currículo que obrigatoriamente nos faz dialogar, nos faz conversar com o mundo externo. Então, acho que esse é um grande desafio para a educação, hoje, integrar os currículos, as trajetórias pessoais dos nossos estudantes, mas também uma grande sintonia, uma grande conexão com um projeto de vida melhor para todos. E nós, assumimos, para concluir, a agenda 2030 da ONU. Os objetivos do desenvolvimento sustentável para o ano de 2030, nós temos essa convicção, essa crença, de que esses objetivos representam hoje esse mundo melhor que a gente quer para todas as pessoas.


Pensando nos pilares ESG, como a Unisul se prepara para o futuro?

Mauri: Uma empresa só está no futuro, se ela tiver algumas coisas muito claras. E uma delas é ter um propósito, é ter princípios. E a Unisul, ela é integrada ao ecossistema Ânima, ela tem um propósito muito forte, e muito presente na vida de todas as pessoas aqui dentro, que é transformar o país pela educação. Veja que é um propósito audacioso, um propósito nobre. Mas nós nos movemos por conta desse propósito e em nome desse propósito. Em primeiro lugar, temos um compromisso muito forte de desenvolver uma educação de qualidade e, em segundo lugar, esse propósito exige uma conexão muito forte com tantas outras organizações, sejam organizações educativas, sejam organizações de muitas outras áreas para que a gente de fato, proporcione uma transformação no nosso país. Então, nós nos preparamos para o futuro, principalmente, a partir desse grande propósito, e em nome desse propósito que nós trabalhamos a cada dia para fazermos uma educação melhor e para nos conectarmos com outras organizações que também tem um propósito nobre e, juntos, é que a gente poderá fazer isso acontecer definitivamente.


Imagem: Denison Fagundes

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