
AcontecendoAqui– No Startup Weekend, as ideias de negócios devem ser desenvolvidas em 54 horas de evento. É possível concluir os projetos ou então deixá-los bem encaminhados neste período?
Lindália Reis – É possível, sim. Os participantes formam grupos e são ‘mentorados’ por diversos especialistas, que ajudam a acelerar esse processo. O mais importante são as validações direto com os usuários, o que garante que os projetos apresentados realmente resolvam algum problema real e aumentam as chances de serem bem sucedidos no mercado após o fim de semana.
AAqui – Pesquisas mostram que os brasileiros estão empreendendo cada vez mais. Hoje já são cerca de 40 milhões de brasileiros desenvolvendo novos negócios, fazendo com que o país ocupe a quarta posição em número absoluto de empreendedores, atrás apenas da China, Índia e Nigéria*. O brasileiro tem mesmo ‘espírito’ empreendedor? E quais são as características de um empreendedor de sucesso?
L.R. – O brasileiro tem uma vocação natural de buscar soluções criativas, o que facilita quando enfrentam algum problema no dia a dia do negócio. Mas ainda é necessário amadurecer bastante esse ecossistema de empreendedorismo no Brasil. E o empreendedor também precisa buscar uma formação, uma base em educação empreendedora para dar sustentabilidade no desenvolvimento de novos negócios. Correr riscos faz parte do caminho, porém na nossa cultura não é divulgado, valorizado como parte do processo de aprendizagem, o que inibe várias iniciativas empreendedoras. Os números no Brasil são sempre elevados, mas, ao mesmo tempo em que temos 40 milhões de brasileiros empreendendo, também temos quase 10 milhões de jovens da geração ‘nem-nem’ (nem estudam, nem trabalham e nem procuram), que precisamos despertar o interesse na busca de conhecimento para virar essa mesa. Por isso a Universidade Estácio criou o 1º Programa de Pré-Aceleração, para apoiar esses empreendedores e fazer decolar a sua startup. Para termos os “craques da seleção”, temos que criar as escolinhas de futebol por todo Brasil. Entre as características de um empreendedor de sucesso, estão a atitude empreendedora, de correr atrás e não desistir jamais, mesmo diante das dificuldades; e humildade e generosidade, para ouvir experiências de outros e compartilhar acertos e também erros.
AAqui – No início deste ano foi realizada uma edição do Startup Weekend no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, a primeira realizada em uma favela. Como foi a experiência de participar deste evento?
L.R. – Alto impacto e fortes emoções, pois ao mesmo tempo em que pudemos ajudar a desenvolver projetos relevantes para a comunidade, revelamos vários talentos que nunca antes tinham participado e que agora acreditam que podem. Ou seja, todos podem ser empreendedores. Mudamos a vida de algumas pessoas certamente.
AAqui – Incentivar o empreendedorismo pode ser uma saída para o crescimento econômico inclusivo? Sim E quais as condições ajudariam a estimular iniciativa deste tipo, especialmente em comunidades de baixa renda?
L.R. – Ter um ambiente propício na comunidade para a criação de espaços de troca de informação conectados com outros empreendedores. E criar um programa contínuo de educação empreendedora com apoio de uma rede de instituições que possam dar visibilidade aos projetos que forem desenvolvidos.
AAqui – O Startup Weekend está sendo realizado em várias cidades país a Estácio é uma das principais apoiadoras. Qual o papel das instituições de ensino superior na formação de jovens empreendedores?
L.R. – A Universidade Estácio apoia esse movimento, pois acredita no potencial desses jovens. Também oferece um programa de suporte para continuarem seu desenvolvimento. Já temos um canal direto entre a Universidade e o mercado através do nosso Espaço E3 (Estágio e Emprego) com orientação de carreira e vagas de estágio para potencializar empregabilidade dos nossos alunos. Mas agora também abrimos essa frente de Empreendedorismo para quem sonha em criar seu próprio negócio, seja um loja ou um aplicativo para celular.
AAqui – Você foi a responsável pela criação do Espaço NAVE (Núcleo de Aceleração e Valorização da Estácio), primeira pré-aceleradora de startups ligada a uma instituição de ensino superior no país. Como funciona este espaço e como os empreendedores catarinenses podem participar?
L.R. – Esse programa tem três etapas: a de formação, a de lançamento e a de órbita, durante cinco meses. A fase de formação é de capacitação em modelo de negócios com foco em cada startup e um plano de ação personalizado. São cerca de 90 horas de workshops em design thinking, business model canvas, orientação jurídica etc. E tudo com especialistas e mentores de referência no mercado. A segunda fase é de criação do MVP (Mínimo Produto Viável) para lançamento da startup no mercado e preparação do pitch para investidores. A última fase é de preparação para atuação direta no mercado, seja em desafios ou programa de aceleradoras. A cada semestre temos uma turma de novos empreendedores, em que cada startup deve ter no mínimo dois e no máximo cinco participantes, preferencialmente que pelo menos um deles seja aluno, ex-aluno ou egresso da Estácio. Eles passam por uma seleção de especialistas. E quem quiser se inscrever de qualquer região do Brasil. pode acessar estacio.br/startupnave.
AAqui – Florianópolis é conhecida por ser um polo de muitas startups. O que vocês espera do evento na Capital catarinense e porque a edição daqui será específica desenvolver negócios para dispositivos móveis?
L.R. – Normalmente depois que já houve uma edição de startup weekend na cidade, os organizadores locais, que são voluntários, escolhem outra vertical como educação, como games, móbile, etc. que tenham mais adesão dos participantes. Certamente em Santa Catarina já existem diversas startups com esse foco e vão ter a oportunidade de mostrar todo esse potencial.
*Dados da pesquisa “Empreendedorismo no Brasil”, realizada em 2013 pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ) e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com o apoio do Sebrae.
