
AcontecendoAqui – Em março de 2007 anunciamos sua saida da OneWG para a Propague. E nesta semana anunciamos seu retorno. Como você se sente retornando após 7 anos?
Rogério Alves – Voltar à OneWG é uma satisfação enorme. Não apenas por ser uma das principais agências do Sul do Brasil, mas também por ter sido a minha casa durante 4 anos. É um lugar onde fiz grandes amigos e, juntos, realizamos grandes trabalhos. Hoje a OneWG vive um ótimo momento, tem clientes muito interessantes para se trabalhar, tem um plano muito bem definido de onde quer chegar e uma equipe de profissionais de altíssimo nível em todas as áreas. Não tem como não ficar empolgado em fazer parte desse time.
AcontecendoAqui – O que motivou sua saída da Propague já que você era sócio de Roberto Costa?
Rogério Alves – Geralmente quando alguém deixa uma sociedade, as pessoas concluem que não deu certo. Neste caso especificamente, não foi o que aconteceu. Deu certo durante 7 anos, e a maior prova disso é o desempenho da agência nesse período. Ela conquistou muitos clientes, apresentou uma qualidade criativa que ninguém pode questionar, evoluiu bastante. Mas depois desse tempo, eu considerei que havia concluído um ciclo, completado a missão, e passei a aplicar na prática aquele velho clichê que o pessoal escreve quando está se desligando de uma empresa: partir em busca de novos desafios profissionais. Não houve qualquer rusga ou desavença, ninguém arremessou pratos, foi um encerramento amigável.
AcontecendoAqui – Quais realizações durante sua estada na Propague você destacaria?
Rogério Alves – Acho que a minha contribuição maior foi a virada da agência a partir do Impacto Criativo, que se tornou uma bandeira, um guia para tudo o que foi feito depois. Aquele manifesto provocou uma mudança de postura que se refletiu no trabalho criativo da agência. Sem esse levante que fizemos lá em 2008, a agência não teria feito tantos trabalhos criativos como veio a fazer.
AcontecendoAqui – Quais são os planos para sua gestão nesta segunda vez na OneWG?
Rogério Alves – A OneWG tem uma meta muito desafiadora: ser a melhor agência do sul do País. Ela já está entre as melhores, mas nós queremos o topo da montanha. Para sermos a melhor, temos que obrigatoriamente ser a mais criativa, mas isso é apenas uma parte da equação. A outra parte é entregar soluções relevantes que gerem grandes resultados para os clientes. Em teoria, uma coisa deveria ser consequência da outra. Mas infelizmente não é bem assim. Não é incomum você ver uma agência ganhar um prêmio e o seu cliente perder mercado. Esse jeito de ser criativo nós não queremos. A criatividade precisa necessariamente estar a serviço do resultado. Ela deve ser praticada para o cliente, e não para a agência. Queremos ganhar prêmios e saber que aquele trabalho premiado trouxe resultados para o cliente. Essa é uma filosofia que a OneWG já vem implantando há algum tempo, e é uma forma de trabalho com a qual eu me identifico muito.
AcontecendoAqui – Você foi fundador do Clube de Criação de Santa Catarina. Fale sobre ele e essa nova tentativa de retomada das atividades?
Rogério Alves – A minha opinião sobre este assunto pode parecer um tanto quanto polêmica, principalmente vindo de alguém que esteve à frente da fundação do Clube de Criação. Mas aí vai ela assim mesmo: nosso mercado não tem massa suficiente para sustentar um Clube de Criação. Isso não é uma crítica, é uma constatação. Basta olhar as várias tentativas de manter este Clube em pé, por parte de vários profissionais que se aventuraram nesta empreitada. Mas não quero dizer com isso que os criativos de Santa Catarina não devam ter uma associação, um grupo organizado, que trabalhe pela valorização e pelo desenvolvimento da criatividade na comunicação.
A sugestão que eu dou ao mercado, e já disse isso em uma destas várias reuniões que participei, é que, em vez de tentar fundar um Clube de Criação, o mercado deveria se unir para fundar o Clube de Comunicação de Santa Catarina. Este clube deveria reunir profissionais de comunicação de todas as áreas, não apenas criativos. Ele deveria abrigar o Grupo de Mídia, o Grupo de Planejamento, veículos, talvez o Grupo de Criação (se os criativos conseguirem ao menos formar um grupo, já que um clube nós mostramos que não temos competência para manter), enfim, um clube que reúna os profissionais da comunicação. Em vez de um prêmio de criação, este Clube poderia organizar um fórum ou um encontro de comunicação, com palestrantes de diversas áreas, com workshops, trocas de ideias, etc. O prêmio que o Clube de Criação sempre tenta fazer, e nem sempre consegue, poderia ser um dos eventos deste fórum. Aí sim, com todo o mercado envolvido em uma ação focada no crescimento do nosso negócio – e não somente na criação publicitária – a gente poderia ter algo substancial, importante e perene.
Se o mercado topar essa ideia, eu me disponho a participar ativamente. Mas se a ideia for resgatar o Clube de Criação nos moldes que já foram tentados anteriormente, não acredito que haja chances de sucesso.
AcontecendoAqui – Um conselho para quem está iniciando na criação em agência de propaganda para tornar-se um diretor de criação de sucesso?
Rogério Alves – A primeira coisa a fazer é não entrar neste negócio pensando em ser diretor de criação. Se você for um criativo que pensa além da criação em si, que busca entender o negócio do cliente, que tem desenvoltura para apresentar suas ideias, que tem um perfil de liderança, a direção de criação tende a ser uma consequência natural.
Perfil de Rogério Alves
Rogério Alves é o diretor de criação mais premiado de Santa Catarina. Seus trabalhos já tiveram reconhecimento nacional e internacional em diversas premiações, como o New York Festivals, onde conquistou 3 medalhas, o London Awards, o Prêmio Abril de Publicidade, o Profissionais do Ano, o Fiptur, o Prêmio Voto Popular, a Archive e o anuário do Clube de Criação de São Paulo. Em 2002, foi o primeiro presidente do Clube de Criação de Santa Catarina. Conquistou, no último Prêmio Catarinense de Propaganda, o título de Diretor de Criação do Ano. Retorna à OneWG onde já ocupou a direção de criação entre 2003 e 2007.
