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ENTREVISTA | Arquiteta Thaisa Bohrer, aborda as tendências em projetos residenciais
27 de Maio de 2022

ENTREVISTA | Arquiteta Thaisa Bohrer, aborda as tendências em projetos residenciais

“Olhar para a casa” é “caminho sem volta”

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A maior permanência das pessoas em suas moradias, desde o início da pandemia, vem se refletindo em mudanças gradativas no desenvolvimento de projetos residenciais, de casas ou apartamentos. Na visão da arquiteta Thaisa Bohrer, da Bohrer Arquitetos, sediada em Londrina (PR), algumas tendências que já vinham sendo observadas antes se consolidaram no período, como um redimensionamento dos espaços internos, ampliando as áreas íntimas, que ganham a companhia de estruturas de home office, por exemplo.

“A pandemia realmente acelerou tendências que já vinham em curso, talvez antecipando mudanças que ocorreriam de forma lógica, tranquila e gradual”, sublinha Thaisa. A arquiteta assina o primeiro projeto da construtora Plaenge em Joinville (SC), o residencial Vitra, no bairro Atiradores, região central. Nesta entrevista, afirma que o “olhar para a casa” como porto seguro e espaço de refúgio é um “caminho sem volta”, e aposta em tendências como a escolha pela qualidade e pelo uso da tecnologia em favor dos moradores, além da consolidação de elementos como áreas de delivery e conveniência nos empreendimentos.
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Que mudanças você identifica na expectativa das famílias para projetos residenciais desde o início da pandemia? Surgiram demandas que até então não eram comuns?

Antes de mais nada, vimos uma grande mudança na proporção da área íntima versus área social. Antes, os apartamentos compreendiam uma área social muito grande, enquanto a íntima ficava em segundo plano. As famílias preferiam ter mais espaço na sala, pensando em receber. Com a pandemia, vimos a necessidade de aumentar, principalmente, a dimensão dos quartos de solteiro (o “quarto dos filhos”), incorporando, por exemplo, uma bancada para um possível home schooling, para atividades diárias que eram feitas na escola e passaram a ser absorvidas dentro da residência. Vimos um aumento dessas áreas para que cada pessoa da família pudesse ter seu próprio espaço. Algumas tendências, como home office, já eram importantes e valorizadas, mas muitas vezes incorporadas à sala, em um ambiente mais aberto; agora, temos feito esse espaço mais fechado ou então misturando com o quarto de hóspedes, prevendo um hóspede eventual, com uso diário como home office. Em alguns apartamentos, incorporamos o home office à suíte – uma porta faz a separação do quarto. Houve mudanças no dimensionamento das cozinhas, área de serviço e regiões como o acesso dos apartamentos às áreas comuns do empreendimento. Em alguns casos, pode-se oferecer um espaço específico para o morador tirar os sapatos, fazer a higienização das mãos etc. Também são valorizados lavabo com porta de acesso próxima à porta de entrada do apartamento, igualmente para a higienização pessoal. Tudo isso foi potencializado pela pandemia.

 

De que maneira a permanência maior das pessoas em casa alterou a configuração de edifícios residenciais, por exemplo, com áreas de lazer mais estruturadas?

A pandemia realmente acelerou tendências, talvez antecipando algumas mudanças que ocorreriam de forma lógica, tranquila e gradual. Há muito tempo, víamos a onda do “condomínio clube”. Até por uma condição de segurança, condomínios começaram a absorver atividades que, antes, eram feitas fora de casa, como academia e pista de caminhada. Até com boliche. Agora, em função dos altos custos para se manter essas áreas, e das cidades mais consolidadas e terrenos menores, alguns empreendimentos foram se transformando meio que em hotéis e “resorts boutique”, com um número menor de espaços, priorizando aqueles mais utilizados no dia a dia e trazendo praticidade aos moradores. Não quer dizer que diminuíram o tamanho, pelo contrário, existem ainda salões de festas, por exemplo, para 80 pessoas. Más há um bom salão de festas, uma boa área gourmet, por vezes com piscina privativa. A área gourmet, aliás, une o melhor dos mundos: você pode morar na estrutura de um empreendimento onde não precisa ter jardineiro, piscineiro, toda aquela demanda que uma casa exige, mas consegue usufruir do “churrasquinho com piscina” no final de semana. Reúne o espaço gourmet, alguns ambientes de estar, um lounge, a ideia de casa mesmo, e a piscina privativa para quem estiver utilizando esse espaço, que é bem valorizado. Em alguns empreendimentos da Plaenge e da Vanguard, temos colocado até dois desses espaços, as pessoas gostam bastante. Você ter a possibilidade de usufruir de uma piscina com seus amigos, com um paisagismo legal, piscina, churrasqueira, e, quando acabou a festa, fecha tudo e sobe para o seu apartamento, que está intacto, impecável. Outra demanda que teve um “superboom” pós-pandemia são as áreas de delivery e minimarket. Cada vez mais, as pessoas fazem compras on-line e esses itens precisam ser armazenados com segurança. Os empreendimentos passam a dispor de um ambiente com refrigerador e nichos para armazenamento, sob monitoramento da portaria ou do síndico. E outro é o minimarket, um minimercado, uma área de conveniência, com alimentos não perecíveis, bebida, carvão. Brincamos que esse item está sendo se tornando “original de fábrica”, os projetos já dispõem desse espaço previamente destinado.

 

O que mais vai ser tendência, a partir de agora, em decoração de interiores?

Lógico que existem sempre materiais que estão mais em alta, por exemplo, a textura dos tecidos chamando atenção e formando uma estética além da volumetria do móvel, ou então esses tecidos tecnológicos que encapam o móvel e você não enxerga as costuras… Mas a principal tendência é a tecnologia mesmo. Tecnologia dos materiais, mais do que uma tendência estética, tipo “tons terrosos”. A tendência é mais trazer essa inovação dispondo da tecnologia de materiais, de revestimentos etc. Na feira Revestir deste ano, pudemos ver alguns lançamentos, por exemplo, de materiais voltados não só à questão visual, mas também de funcionalidade. Nos revestimentos, materiais naturais estão sendo substituídos por porcelanato supertecnológico de grandes formatos. A estética não perde. Tem muito revestimento que, olhando, você não vai saber se é mármore ou um porcelanato imitando mármore, porque ele tem a textura, tem o toque e tem a cor do mármore natural. De forma geral, vemos uma tendência minimalista: as pessoas têm menos coisas dentro de casa, poucas e boas. As pessoas estão priorizando qualidade e conforto com uma estética interessante e investindo em peças duráveis. Até porque estamos usando mais a casa, então, é crescente a importância de você voltar o seu olhar para o lar, a partir deste período em que ficou todo mundo confinado… Quem já morava em um lugar de que gostava se deu bem, agora, quem tinha um lugar só mais de passagem, chegava à noite do trabalho, tomava banho, comia, fazia uma refeição rápida e ia dormir, essas pessoas sentiram mais. É um caminho sem volta: esse olhar para a casa como realmente o seu lugar, o seu porto seguro, o seu espaço de refúgio. A tendência maior é esta: a escolha pela qualidade, e usar a tecnologia ao nosso favor, em casas mais inteligentes do ponto de vista funcional, armários que vão trazer mais praticidade no dia a dia, uma marcenaria inteligente que esconde uma lavanderia promove uma ventilação, entre outros aspectos. Tem muito recurso de projeto que está sendo utilizado cada vez mais, e a gente vê a importância do projeto em si, não da decoração, mas de um bom projeto de interiores com um estudo de layout.

 

O que distingue a qualidade de um empreendimento residencial hoje em dia?

A qualidade de um projeto parte da base mesmo, da intenção aquele projeto. Escolha do terreno, um bom briefing de projeto, uma boa setorização. Desde um subsolo confortável, que tenha um bom giro de veículo, vagas de garagem que tragam segurança nas manobras. Pensando no térreo, a utilização dessas áreas de lazer precisa estar prevista já no primeiro esboço do projeto, onde a gente faz essa setorização e se pergunta “para quem é esse projeto”, o morador que o nosso cliente vai atender. Isso nos traz insights poderosos em relação ao primeiro desenho 2D do projeto, com a setorização de áreas. Uma cozinha confortável, uma área de serviço que acomode a dinâmica daquela família ou daquela pessoa, se for um apartamento estúdio, pensando não só no momento em que a pessoa esteja sozinha, mas quando ela queira receber visitas. De que maneira esse fluxo do dia a dia acontece, porque a casa é um cenário onde a vida e as relações são fortalecidas. Isso tudo vai se refletindo naquela qualidade, naquele resultado final. Um bom início de projeto traz um bom resultado final. Falando diretamente dos empreendimentos da Plaenge, a gente vê um cuidado na especificação de materiais. O corpo técnico, a equipe de Engenharia, domina muito essa tecnologia de materiais, o padrão de qualidade dos materiais escolhidos. Essa troca de informações dentro do grupo é muito importante, como as peças de um quebra-cabeça. O apoio da Engenharia no quesito da execução, toda a parte de estética… A nossa equipe faz muitas pesquisas de mercado, nacional e internacionalmente. O resultado é um grande e atualizado repertório com o apoio de um time de especialistas; a nossa parceria com a Plaenge é como um verdadeiro dream team. Vale referir também a competência nas instalações de projeto elétrico, hidráulico, e tudo isso vai formando a qualidade do empreendimento. E, no que diz respeito à estética, a gente sabe que o Brasil tem uma produção altamente talentosa. Você incorporar tudo isso ao projeto de interiores é a receita do sucesso. Usar o que é de casa e trazer o melhor para o seu cliente é um privilégio que os arquitetos brasileiros têm. Outra coisa em relação aos projetos na Plaenge é o cuidado com o cliente a partir de toda uma pesquisa de mercado, tudo está bem redondinho e, lá na frente, vai surpreender, e trazer aquele “uau” na entrega das chaves. É isso que traz a maior qualidade no empreendimento, e que no dia da entrega nos faz ver nos rostos que as pessoas estão realizadas, porque é uma compra futura e é uma aposta, então, você acreditar na solidez de uma empresa e de parceiros, isso tudo tem muito valor para fazer um resultado de qualidade.

A Assessoria de Imprensa da Plaenge em Santa Catarina é de responsabilidade do Jornalista Guilherme Diefenthaeler, que desenvolveu esta entrevista

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