Boa parte das notícias que o portal publica tem imagem ou vídeo. Em muitos casos, nas fichas técnicas não há menção aos profissionais responsáveis pela produção e realização deles. Quando a notícia tem origem numa produtora ou por um fotógrafo, a ficha técnica inclui alguns profissionais de agências de propaganda, quando há uma no processo. Muitas vezes nossa redação recebe mensagens solicitando a inclusão de alguns nomes que foram esquecidos por esses fornecedores.
Com a finalidade de trazer aos leitores uma noção da rotina, dos desafios e do relacionamento dos fotógrafos com o mundo da publicidade, o AcontecendoAqui produziu uma série de entrevistas com profissionais indicados por diretores de criação de agências de propaganda consultados pelo portal. Você vai acompanhar durante uma semana, as publicações diárias dessas entrevistas com Fabio Cabral, Michel Téo Sin, Rodrigo Ormond, Jeferson Caldart, Walmor Oliveira e Philippe Arruda.

Dentre suas preferências, destacam-se a fotografia de gastronomia, retratos e produtos. Atualmente além de fotógrafo também é sócio do Estúdio Cafeína, diretor de iluminação, palestrante e consultor
AcontecendoAqui: Como você se tornou fotógrafo e o que te motivou a optar pela profissão?
Michel Téo Sin: Comecei a fazer meus primeiros trabalhos em 2005 mas me lembro que desde pequeno o mundo da fotografia me fascinava, desde as imagens dos anúncios de revistas, fotografias da família até os equipamentos que eu tinha contato. Pegava as câmeras sem filme mesmo, ficava enquadrando e fotografando. À medida que fui crescendo, o hobby se tornou algo sério e o caminho para virar profissão foi natural, pois sabia que iria trabalhar em alguma área da criação. Além do sonho de viver fazendo algo que gosto acredito que a era digital na fotografia e a internet me motivaram muito por optar a fotografia como profissão pois me incentivaram a praticar mais, testar, inventar, buscar informações, referências e interagir com outros fotógrafos na internet. Digo que graças à internet hoje sou fotógrafo, conheço e mantenho contato com várias pessoas da área no Brasil, como também é uma forma de muita gente acompanha meu trabalho desde aquela época.
AAqui: O que a fotografia significa além do cenário e do clic?
M.T.S: Profissionalmente, como minha formação é em design gráfico, acredito que a fotografia é uma ferramenta importante na comunicação das empresas, seja para valorizar a marca, conceitos ou vender mais, no fundo está tudo relacionado. No lado pessoal, a fotografia além de uma linguagem de expressão, para mim é algo como um pequeno rastro, uma pegada fossilizada, uma obra ou fragmento de história que deixarei para as próximas gerações e isto anda sendo um constante exercício de autoconhecimento para mim.
AAqui: Que tipo de fotografia desafia mais um profissional como você a buscar o novo?
M.T.S: Aqueles que estão no senso comum. Na publicidade, independente do assunto ou área, há muitas fotografias que são conhecidas como “padrão” e são nesses tipos de trabalhos que me desafiam a pensar como fazer diferente sem que seja rejeitado por estar muito fora de contexto mas sem que a mudança seja discreta ao ponto de não ser percebida. E também trabalhos que é preciso aplicar conhecimentos de áreas e assuntos diferentes para achar uma solução.
AAqui: Você tem uma expertise ou um segmento de mercado onde atue mais?
M.T.S: Em 2009 decidi me especializar e entrar no mercado da fotografia de gastronomia. Ainda há muito caminho pela frente, mas desde então ando colhendo bons frutos como parcerias, reconhecimento na área, diversos workshops e trabalhos realizados no país. Se vocês querem conhecer mais do nosso trabalho na área, deem uma olhada em www.fotografiadecomida.com.br
AAqui: Qual segmento é o mais complexo na hora de produzir uma fotografia?
M.T.S: As campanhas quem envolvem produções maiores, com modelos, locações externas que dependem do clima e horário. É uma logística de pessoas e equipamentos que lembra um plano de guerra e que no final nada pode dar errado.
AAqui: Qual seu principal concorrente? O outro fotógrafo do seu nível ou os bancos de imagens?
M.T.S: Com a popularização da fotografia, desenvolvimento de tecnologia e as mudanças da comunicação, até um amador com celular pode ser um concorrente. Não consigo ver outros fotógrafos como concorrente, pois cada profissional tem seu perfil e diferencial, que acaba atraindo o cliente que se identifica com suas características, como também faço trabalhos em conjunto com outros fotógrafos. Não consigo ver um banco de imagem como concorrente, pois há imagens que realmente é mais vantajoso adquirir nele, também já utilizamos o banco de imagem no nosso trabalho e em breve farei parte de um onde poderei colocar algumas das minhas fotografias de viagens e pessoais à disposição para uso comercial.
AAqui: Considera importante estudar fotografia ou o dia a dia resolve?
M.T.S: Os dois são importantes. É como na música. A parte teórica/técnica dá base para facilitar a sua vida no dia-a-dia. Estudar o lado conceitual da fotografia ajuda a dar um rumo ao seu trabalho e o estudo/domínio da técnica deixa você mais livre para pensar e criar pois no lugar de limitar, abre possibilidades. É no dia a dia que cada fotógrafo descobre detalhes, preferências, situações e nuances que o ajudam a desenvolver a sua linguagem e estilo.
AAqui: Qual a sua opinião sobre a lei brasileira que garante os direitos autorais dos fotógrafos?
M.T.S: Simples e complexo ao mesmo tempo. Simples, pois no ponto de vista que uma fotografia é uma obra onde o fotógrafo é o autor, sendo assim toda obra é protegida por lei como também todo autor tem seus direitos. Complexo, pois em algumas situações, quando envolvem outros profissionais, o fotógrafo não é o único autor na construção da imagem.
AAqui: Lugar ou pessoa que fez a diferença na hora da foto?
M.T.S: Acho que foi a pessoa, lugar certo, na hora certa que fez diferença no trabalho. Fizemos um trabalho para o Pimentel Studio que estava criando imagens para uma campanha da Riffel. A nossa função era captar algumas imagens para o Pimentel Studio realizar as fusões e 3D. Quando recebemos o briefing da cena de fundo de uma das imagens lembramos-nos das ruas da cidade de Nova Iorque e o amigo e fotógrafo Diogo Pedro estava morando lá na época. Fizemos o briefing da luz, composição, ângulos e fotografamos a moto com o motociclista em estúdio em Florianópolis e ele as cenas de fundo em Nova Iorque.
AAqui: As agências de propaganda de Santa Catarina valorizam a boa fotografia nas suas campanhas?
M.T.S: Sim. Apesar de estar a apenas 9 anos no mercado é perceptível a evolução e crescimento da publicidade em Santa Catarina nestes anos. Além dos grandes profissionais estabelecidos surgem novos talentos locais ou de outros estados que ajudam e desenvolver o mercado da comunicação e consequentemente a exigência de boas fotografias. Isto é bom para as empresas, as agências, para nós fotógrafos e todos os profissionais envolvidos na produção de uma fotografia.
Algumas imagens dos trabalhos do Michel:



