
AcontecendoAqui – O Governo de SC lançou um novo portal. Quais foram os principais desafios na realização desse projeto?
João Debiasi – O principal desafio foi, e ainda está sendo, contribuir para a disseminação de uma cultura on-line, com utilização pró-ativa de novas ferramentas e planejamento da presença digital de forma estratégica. Nossa proposta é que todos os demais sites do governo tenham um foco ainda maior no cidadão. A forma e o conteúdo produzidos pela Secom (Secretaria de Estado da Comunicação) e os demais assessores de comunicação passam a atender uma nova dinâmica que seja mais adequada à comunicação on-line.
AAqui – Quais são os principais diferenciais desse novo portal?
J.D. – São vários, mas o principal é a área que conversa diretamente com o cidadão, o Perto de Você, que é um agregador de serviços úteis ao cidadão, às empresas e ao produtor rural. Lá você encontra os principais serviços oferecidos pela rede pública estadual e pelo governo federal num só lugar.
É um projeto coordenado pela competente equipe do secretário (de Estado da Administração) Derly Massaud de Anunciação, por meio da Diretoria de Governo Eletrônico (DGOV) – representada pelo diretor Gustavo Favero e a gerente Lucy Barroso –, e também pela servidora Andrea Nolasco (CIASC), principal idealizadora do projeto. Não podemos deixar de destacar o comprometimento e a dedicação da equipe de profissionais do CIASC (Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina), liderados pelo presidente Cel. João Rufino.
Além dessa nova área, o portal do Governo do Estado, de forma geral, está bem mais objetivo e de fácil navegação. Sem dúvida, o design é um diferencial que salta aos olhos e contribui para melhor usabilidade. O layout foi criado com base num estudo de arquitetura de informação para organizar a disposição dos conteúdos.
Aos profissionais de comunicação, o portal facilita o acesso aos conteúdos produzidos pela equipe de assessoria de imprensa do Governo do Estado. As redações impressa (jornais, revistas), eletrônica (rádio e TV) e on-line serão contempladas com subsídios para contemplar uma comunicação mais abrangente. O site é uma ferramenta para a imprensa do estado, que usa o portal como importante fonte de material (jornais, rádios, TVs e portais de notícia).
AAqui – Depois do lançamento do novo portal, quais serão os próximos passos da Diretoria de Novas Mídias?
J.D. – É um projeto que não tem um fim, do tipo “pronto, acabou!”. Sempre haverá novas demandas, ajustes e melhorias que serão resolvidas com o tempo, sobretudo nos primeiros dias conforme aumentar o número de acessos. Acreditamos muito na gestão colaborativa e, com o novo portal no ar, a equipe tem de estar preparada para atender aos feedbacks recebidos. Mas não ficaremos só nisso. Nossa próxima meta será ampliar quantitativa e qualitativamente a presença digital do governo nas redes sociais. Vamos desenvolver uma política de comunicação para os meios digitais com definição de processos e linhas editoriais para a interação com o cidadão e com a imprensa.
AAqui – Provavelmente será um grande volume de trabalho. Como essa demanda poderá afetar o mercado publicitário de Santa Catarina?
J.D. – Com certeza é uma oportunidade que se abre ao mercado. As agências que atendem os lotes do Governo do Estado estarão diretamente envolvidas na criação dos novos sites e devem estar preparadas para atender a essa demanda. Isso, sem dúvida, implica num aquecimento do segmento, principalmente nos quesitos relacionados a soluções on-line.
AAqui – Explique o contexto da criação da Diretoria de Novas Mídias e como você foi conduzido a esse cargo?
J.D. – Do ponto de vista administrativo, não houve a criação de cargos. Vale dizer que o que houve foi uma reformulação e a revisão de algumas atribuições na estrutura que já existia. Ou seja, alguns cargos passaram a atender especificamente as questões ligadas às Novas Mídias.
Foi o (então secretário de Estado de Comunicação) Ênio Branco quem me convidou para o cargo. Aceitei e, logo de início, identificamos a necessidade de modernização e uniformização dos sites do governo. Foi um período de planejamento e organização interna, avaliação dos requisitos, mapeamento de processos, entendimento de quais seriam nossas atribuições etc.
Quando o Nelson (Santiago, atual secretário de Estado de Comunicação) assumiu, ele me chamou para um café e me perguntou: “Debiasi, e as Novas Mídias?”. Expliquei o contexto, nos debruçamos no mapeamento dos processos e ele me perguntou quanto tempo precisaria para o publicar o novo site. Respondi: “6 de Junho”, e o site foi para o ar no dia 7! Devo um almoço pra ele (risos).
AAqui – Sabemos que uma andorinha só não faz verão. Qual o seu critério para a escolha de sua equipe?
J.D. – Preponderantemente técnico. Nossa equipe é multidisciplinar, e o bacana é que todos reúnem boas experiências, tanto acadêmicas quanto de mercado. Temos a Gerente de Integração Gisiela Klein, jornalista com ampla experiência em portais e que atuou também como analista de marketing e planejamento, além da gestão de redes sociais em várias empresas de comunicação. É mestranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento na área de Mídia e Conhecimento.
Pela Gerência de Planejamento On-line quem responde é a Alícia Alão. Jornalista com MBA em gestão de projetos interativos, trabalhou em TV comunitária, veículos impressos e em agências de marketing e publicidade, on e offline. Tem forte capacitação na área de produção de conteúdos para web e planejamento e gestão de projetos, que é o sistema nervoso do processo.
É um trabalho que aparece pouco, mas quando dá certo é porque houve um planejamento criterioso.
Não posso deixar de citar a jornalista Vanessa Aguiar, que antecedeu a Alícia e foi importantíssima no desenho e no planejamento das Novas Mídias de forma geral, o que nos deu uma base muito consistente para tocarmos o projeto em diante. A Vanessa hoje atua no Ministério Público de Santa Catarina como especialista em Novas Mídias e Inovação.
Temos ainda o Marcius Furtado, especialista em infografia e comunicação audiovisual. Diretor de Animação com atuação nas áreas de produção multimídia e interativa, design gráfico, webdesign e animação, Marcius traz uma importante bagagem criativa e digital. Ele fez mestrado em Belas Artes na Academy of Art Univesrity, em São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos. Sua pesquisa foi voltada para a formação artística, e ele teve aulas com professores que trabalham em estúdios de cinema como ILM, Pixar, Dream Works, Tippet Studios etc.
Essa é a equipe principal. Mas é importante destacar que esse é um projeto de TODA a SECOM. Cada um deu e continua dando o que tem de melhor para esse projeto.
AAqui – Fale um pouco sobre sua trajetória profissional e como você enxerga o mercado digital em SC.
J.D. – Sou administrador, minha “escola” é na área de pesquisa e planejamento da comunicação. Em 2001, logo depois de me casar com a Cris, tive a oportunidade de viver na Espanha, em Madrid, onde fiz duas pós-graduações: uma em Política Aplicada (ciência política com foco em gestão de políticas públicas) e outra em Jornalismo e Comunicação Política. Fui bolsista do governo espanhol. Lá, fiz estágio no departamento de Telegenia do Partido Popular quando o presidente era o Josemaría Aznar. Foi meu primeiro contato com Inteligência Competitiva e meios de comunicação não-convencionais (era assim que se falava na época). Depois, trabalhei com pesquisas de opinião e mercado e com consultoria em vários projetos na área de comunicação política em Brasília.
Com o crescimento e a democratização do acesso às novas mídias, comecei a pesquisar muito sobre comportamento da opinião pública nos novos meios. Em 2006, conheci alguns amigos bem próximos à Universidade de Navarra que me falaram sobre a pós em Jornalismo Digital e Multimídia do IICS – Instituto Internacional de Ciências Sociais (vinculado à Universidade de Navarra). Resolvi levar a coisa mais a sério e ir a fundo para entendera dinâmica dos meios digitais. Desde então, percebi que a presença nos meios digitais para qualquer instituição era e é urgente em função do acesso aos meios tecnológicos deixarem de ser privilégio das classes A e B. Estou nisso até hoje. O mercado digital em SC é muito promissor! Temos excelentes empresas e profissionais no mercado. SC é um estado que ainda tem muito para ser explorado nesse segmento e os catarinenses estão cada vez mais inseridos nos meios digitais. Temos índices de acesso altíssimos. Estamos confiantes que esse é o caminho.
