
AcontecendoAqui – Depois de completar 18 anos, em 2012, a 30 Plus Productions se reposicionou no mercado. Quais as razões para essa mudança?
Fernando Pereira Oliveira – Primeiro foi um amadurecimento da produção, porque todo esse tempo em que estamos atuando no mercado local marca também o desenvolvimento do setor. Há 18 anos, as agências buscavam parceiros em Porto Alegre e São Paulo, e alguns profissionais começaram a vir de fora, ajudando a fomentar o mercado. Hoje, com esse cenário consolidado e a qualificação crescente dos profissionais, nossa busca é por novos desafios nacionais e internacionais, pensando na diversificação da publicidade, da produção de conteúdo e da produção cinematográfica.
AAqui – Qual é a atuação da 30 Plus hoje?
F. P. O. – Na publicidade, estamos trabalhando técnicas diferenciadas de produção e investindo continuamente em profissionais qualificados e em tecnologia de ponta. Também estamos produzindo conteúdo para televisão, que é um trabalho contínuo dentro da 30 Plus e abre boas perspectivas, sobretudo com a vigência da Lei 12.485 (TV com Acesso Condicionado) desde o ano passado. No final de 2012, investimos bastante na área cinematográfica, com o lançamento do nosso terceiro filme, o média-metragem “O Tesouro do Morro da Igreja”. Agora, temos mais dois filmes longa-metragem em produção, para os quais pretendemos captar recursos ainda neste ano.
AAqui – E como foi a produção do último filme lançado pela 30 Plus?
F. P. O. – Foi uma produção bastante pensada e ao mesmo tempo ousada. Rodamos na região de Bom Jardim da Serra e Urubici, no auge do inverno de 2012, em locações de difícil acesso. Optamos por usar apenas mão de obra e elenco catarinense e apostamos num diretor estreante no cinema, Alexandre Corrêa. Outro diferencial foi termos idealizado o lançamento do filme com um viés mais comercial, mesmo ciente das dificuldades de produzir filmes locais. Fizemos uma exposição para mostrar os bastidores e aproximar o público da produção audiovisual no Estado, em parceria com a Fundação Catarinense de Cultura. A FCC nos cedeu espaço no Museu da Imagem e do Som, no CIC, onde montamos a Sala do Cinema Catarinense. O filme foi um sucesso. Ficou em cartaz de dezembro 2012 a março de 2013, com uma média de público de 25 pessoas por sessão, um número maior que o registrado em algumas salas comerciais. O filme foi exibido também na serra catarinense em maio, com sessões lotadas.
AAqui – Como é o relacionamento da 30 Plus com as agências de propaganda?
F. P. O. – A parceria com as agências representa 80% das produções publicitárias, o que resulta em filmes mais criativos, com alta qualidade técnica e artística e que atinge os resultados esperados pelos clientes. Ter a agência como parceira no processo de desenvolvimento dos filmes é primordial e necessário. A agência planeja e cria e a produtora dá vida ao comercial, agregando criatividade, sugerindo técnicas e soluções produtivas para “materializar” essa ideia. Sempre que existe o envolvimento dos departamentos de atendimento, planejamento e principalmente do departamento de criação junto à produtora, o resultado do trabalho cresce e os objetivos são alcançados.
AAqui – Você também atua como secretário-geral do Sindicato da Indústria Audiovisual de Santa Catarina, o Santacine. Como a entidade tem contribuído para o desenvolvimento da produção audiovisual no Estado?
F. P. O. – Precisamos profissionalizar a captação de recursos e apostar em novas fontes de investimento. Criado oficialmente em 2005, o Santacine já obteve várias conquistas. Temos três dezenas de sócios num mercado predominantemente representado por micro e pequenas empresas e estamos lutando pela descentralização das verbas, que geralmente ficam em São Paulo e Rio de Janeiro. Santa Catarina pode reverter este quadro em que os poucos projetos são regionalizados, gerando apenas interesse local. Além disso, os projetos de lá normalmente contemplam a produção, finalização e distribuição, portanto todo o ciclo dessa indústria.
AAqui – E quais seriam as principais formas de financiamento?
F. P. O. – Os Fundos Setoriais do Audiovisual, que são fundos mantidos por empresas dispostas a investir nos projetos selecionados. É uma nova ferramenta, mais uma possibilidade de fomentar a produção, mas que exige uma perspectiva mais comercial. Desde o ano passado, 84 projetos em todo o País foram contemplados pelo Fundo, somando R$ 107,1 milhões. O filme “Somos tão Jovens”, em cartaz nos cinemas, foi um dos selecionados. Prova de que esses incentivos geram boas produções, um cenário que melhorou bastante a partir de 2009, com o Funcine (Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional). Em 2010, a legislação passou a contemplar a produção audiovisual para TV e, em 2012, tivemos um divisor de águas com a Lei que aumenta a demanda por conteúdo nacional dentro das TVs pagas.
AAqui – Como seria possível a profissionalização do setor no Estado?
F. P. O. – O Santacine está se consolidando como entidade representativa e econômica. Prova disso é que ingressamos no Sistema FIESC, que nos abre horizontes para futuras missões no Estado, Brasil e mesmo no exterior, e também nos aproxima do Senai para que possamos oferecer cursos de formação e qualificação da mão de obra. Planejamos, por exemplo, a realização de cursos de qualificação para profissionais de cenografia, produção e iluminação, com o apoio da Federação. Também tivemos avanços importantes como parcerias com entidades representativas para propor o Prodav Sul (Programa para o Desenvolvimento do Audiovisual na Região Sul). O mercado está crescendo. Hoje temos cerca de 120 produtoras de conteúdo e uma certa tradição em produções independentes. Há dois cursos superiores de cinema, na UFSC e na Unisul, que vão formar novos talentos em roteiro, crítica, direção e produção. E o Sapiens Parque, centro de fomento à inovação, tem o segmento de cinema e games contemplado. O campo está favorável, portanto, para que a indústria audiovisual catarinense finalmente conquiste o espaço que merece no mercado nacional.
