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7 Perguntas Para Douglas Narcizo, diretor da Produtora Onda Sonora
29 de Julho de 2011

7 Perguntas Para Douglas Narcizo, diretor da Produtora Onda Sonora

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Na segunda entrevista da série “Sete Perguntas Para”, AcontecendoAqui conversou com Douglas Narcizo*,  fundador e sócio-diretor da Onda Sonora, produtora de áudio com sede em Florianópolis e que está completando 20 anos de atividades no Estado de Santa Catarina. Ele respondeu sobre a história de sua empresa, as transformações verificadas no setor nos últimos tempos, a comunicação catarinense, criação e produção de áudio para publicidade. Confira:
AcontecendoAqui – Sua produtora Onda Sonora está completando 20 anos em Santa Catarina. Como foi o início e qual o caminho para tal longevidade?
Douglas Narcizo  – Como a maioria das empresas, começamos com uma estrutura realmente muito pequena. E na época o acesso à informação não era tão fácil. Para conhecer o mercado, e nos tornarmos conhecidos, foi na base do trabalho braçal mesmo.
Lembro-me de nos primeiros anos enviar muitas malas-diretas para agências de propaganda de todo o estado. Me refiro àquelas correspondências de papel mesmo. Todo mês era envelopar e etiquetar um bocado de cartinhas pra postar no correio. Enviávamos tabelas de preço corrigidas mensalmente, pois a inflação era muito alta.
Para qualquer empresa crescer e sobreviver por longos anos, o único caminho é se reinventar constantemente. A paixão pelo que se faz tem que estar ali, sempre. Se você deixar a rotina tomar conta e ‘enjoar’ de fazer o que faz, certamente o seu cliente também ‘enjoará’ de trabalhar com você. E essa ameaça está no caminho de toda e qualquer empresa, mais cedo ou mais tarde. Se você não detectar a tempo, e não se reinventar, a sua paixão pelo que faz fica ameaçada. E só ela nos motiva e move pra frente.
Além disso, investir nas pessoas. O maior capital de qualquer organização é a sua equipe. Cercar-se dos melhores profissionais, e dar a eles ferramentas que possibilitem desenvolver todo o seu potencial, é muito mais do que meio caminho andado. Se o cliente é o combustível que move a empresa, uma boa equipe é o oxigênio que torna possível esse movimento acontecer.
AAqui – Como você vê o mercado da comunicação atualmente?
D. N. – Comunicação trabalha com informação. E a informação está cada vez mais acessível, e justamente por isso, também mais volátil. Hoje é muito fácil publicar, comunicar o que você quiser. Mas como fazer pra se destacar, pra essa publicação ser relevante por pelo menos alguns dias, ou por um dia que seja, ou mesmo algumas horas? Se não gerar um ‘buzz’, não for comentado, ou repassado por quem estava ‘online’ naqueles poucos minutos em que estava no início da lista, aquela informação evapora.
O mercado ainda está se adaptando para assimilar essa nova e definitiva realidade. E quando assimilar, ela já vai ter evoluído novamente. É assim mesmo que funciona. Não devemos de forma alguma nos assustar com isso. Quando novas ferramentas são criadas, nem mesmo os próprios criadores conseguem ter ideia de todos os diferentes usos, e do alcance que elas podem ter, quando colocadas à disposição do grande público e sua inventividade.
O problema que surge disso é a demanda por velocidade. Cria-se uma expectativa de que as pessoas consigam acompanhar essa evolução, e passem a produzir mais conteúdo em menos tempo. Equipes de criação e de produção são pressionadas por essa demanda crescente, e como consequência, não podem se envolver muito com cada job. Se esse envolvimento faz falta ou não, já é uma outra questão. Acaba sendo compensado de outras formas.
AAqui – A evolução da tecnologia ajudou? Ou trouxe muitos sobrinhos para o setor?
D. N. – Falando um pouco sobre a minha realidade, do áudio: Há 20 anos se gravava em fita. Edição de locução era tão trabalhosa que praticamente não se cogitava. Corrigir afinação dos cantores era só um sonho muito distante. A lista de facilidades que se tem hoje é interminável.
A tecnologia democratizou a produção. Tornou possível produzir peças com excelente acabamento a partir de estruturas extremamente enxutas e com baixo custo. Isso sem dúvida possibilitou a entrada no mercado de muito mais profissionais e empresas. O que é extremamente saudável, porque nivela por cima. Hoje é muito mais acessível se produzir fonogramas com ótima sonoridade.
Antes, um bom acabamento era um dos diferenciais, hoje é obrigação. É inconcebível, por exemplo, um jingle ir ao ar com um vocal desafinado, por pouco que seja. As pessoas vão estranhar ouvir, e os recursos para esse tipo de correção já são amplamente difundidos.
O diferencial então continua sendo o elemento humano, a criatividade. A tecnologia veio para facilitar a obtenção do resultado que está lá na ideia, dentro da nossa cabeça.
AAqui – O que te realiza e o que te preocupa nesse mercado?
D. N. – Me realiza ver o nosso mercado evoluindo, portas se abrindo para a produção cultural e audiovisual no Estado. Evolução essa que cada vez mais atrai profissionais de outras partes do país e até do mundo, a se estabelecerem aqui, trazendo consigo outras experiências e culturas, que por sua vez alimentam e qualificam o mercado, num ciclo que só faz avançar positivamente.
Me preocupa a demanda por velocidade. As pautas são cada vez maiores e precisam ser resolvidas em menos tempo. As pessoas se envolvem menos, e acabam adiando decisões. Ao invés de revisar um texto com calma, revisa-se apressadamente. O cliente aprova, mas não prestou atenção, aprovou apressadamente. Ao invés de produzir para o dia seguinte, produz-se para o mesmo dia. Depois de pronto, na última hora antes de veicular, aí tem que prestar atenção, pois vai dali pra emissora. Só então é que todo mundo se dá conta de que tinha uma informação errada, ou duvidosa. Aí tem que segurar a veiculação, e refazer para o dia seguinte. O resultado foi o mesmo – foi pra emissora somente no dia seguinte, mas só se deu atenção ao material de fato quando a corda já estava no pescoço.
AAqui – A Onda Sonora trabalha só com publicidade? Qual o ponto forte da sua produtora?
D. N. – A Onda sempre trabalhou bem para o mercado publicitário. Mas a produção fonográfica também esteve bem presente durante todo o tempo.
Nos últimos anos, com o crescimento da produção cinematográfica em nosso Estado, foi possível aumentar significativamente a nossa participação também nesse mercado. A cultura da importância da edição de som em nossos filmes é recente, e ainda vai crescer muito nos próximos anos.
A mixagem de DVDs em 5.1 também está ganhando força. Mas ainda é preciso criar uma cultura nos clientes de que esses padrões vieram pra ficar.
Eu destaco dois pontos que considero fortes no nosso trabalho: as trilhas que produzimos, e a direção de vozes nas locuções. Gosto de dirigir pessoas.
AAqui – Você prefere trabalhar com um brief mais preciso ou ter mais liberdade para criar?
D. N. – É ótimo produzir para um cliente que sabe bem o que quer, e também o que não quer. Gosto quando o brief está claro, pois a chance de acertar no resultado e todo mundo ficar satisfeito é grande.
Por outro lado, a escolha de referências muito específicas pode engessar totalmente o trabalho. Muitas vezes aquela referência só funciona bem dentro do contexto em que está inserida, e fora dele, o resultado pode não ser o esperado.
Uma letra de jingle, quando já vem pronta, aprovada pelo cliente – pode conter problemas de métrica, que dificultem a aplicação de uma melodia atraente e “pegajosa” como se deseja.
AAqui – Qual recado que você daria pra quem está chegando no mercado agora?
D. N. – Invista em sua própria formação. Não se apoie no mito de que a tecnologia por si só irá imprimir qualidade ao seu trabalho. A qualidade, e consequentemente o resultado, virá do seu talento e das pessoas que trabalham com você.
Para sobreviver no mercado, você precisa realmente querer estar ali, fazendo o que faz. Erros podem e vão acontecer durante o caminho, mas os riscos são sempre calculáveis. Se uma empresa quer de verdade seguir em frente, vai ser difícil um ou outro erro derrubá-la, ela vai sobreviver e prosperar.
* Douglas Narcizo, Músico e Produtor, 42 anos, natural de Blumenau e criado em Florianópolis. Apaixonado pela música e pelo cinema, a decisão de investir na
carreira de produtor foi uma escolha natural. Proprietário da produtora de áudio Onda Sonora, que acaba de completar 20 anos de funcionamento.
Nesse tempo, assinou incontáveis produções, criando, dirigindo, gravando e mixando, desde jingles e spots publicitários, até CDs, DVDs e longas-metragens para cinema.

 

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