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O Perfil do Novo Professor na Era da IA: Marco Proposto pela UNESCO
22 de Outubro de 2025

O Perfil do Novo Professor na Era da IA: Marco Proposto pela UNESCO

O uso de IA na educação está levantando questões fundamentais sobre a autonomia do professor

Por Prof Jonny 22 de Outubro de 2025 | Atualizado 22 de Outubro de 2025

A imagem foi criada pelo colunista com apoio da IA.

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Publicado originariamente em 12 de agosto de 2025

 

Em meio à avalanche de notícias sobre Inteligência Artificial, um documento recente elaborado pela UNESCO passa quase despercebido do grande público, mas merece maior atenção. Trata-se do Marco referencial de competências em IA para professores (1). Talvez o título seja meio institucional demais, mas seu conteúdo é de grande valor, pois o texto propõe redefinir o papel do educador no século XXI.

Até que ponto estamos preparados?

Segundo o documento, até 2022, apenas sete países haviam desenvolvido diretrizes ou programas nacionais sobre IA voltados para professores. Isso revela o tamanho do desafio, pois enquanto a IA avança sobre diversas esferas da sociedade, o sistema educacional global ainda está engatinhando em como preparar seus agentes mais importantes: os educadores.

No Brasil, apesar de existirem esforços valiosos em áreas como letramento digital, programação e até propostas curriculares experimentais de IA no ensino médio, ainda não temos um marco referencial nacional específico para formação de professores em Inteligência Artificial, nos moldes do documento proposto pela UNESCO em 2025.

Como contraponto, cabe destacar que a partir de 2025, torna-se obrigatório o ensino de IA nas escolas de Pequim. Com isto, a China reafirma seu objetivo de liderar o futuro da tecnologia. Ao integrar pelo menos oito horas de aulas de IA ao currículo, o país pretende formar uma geração de inovadores prontos para enfrentar os desafios do futuro (2). No entanto, as descobertas de estudos sobre o impacto da IA nas habilidades cognitivas servem como um lembrete para equilibrar o entusiasmo com o engajamento crítico nessas tecnologias.

Por isto mesmo, a UNESCO defende que todo professor deve adquirir competências em IA, não para se tornar um técnico ou programador, mas para agir com consciência, ética e protagonismo diante das transformações que já chegaram à sala de aula.

Quais são os riscos da negligência?

Como o documento aponta, o uso de IA na educação está levantando questões fundamentais sobre a autonomia do professor e sua capacidade de determinar como e quando fazer uso criterioso dessa tecnologia. Entre os riscos potenciais relacionados ao uso da IA, o documento destaca:

• Ameaçar a autonomia humana,
• Intensificar a mudança climática,
• Violar a privacidade dos dados,
• Aprofundar desigualdades e exclusões sistêmicas de longa data
• Levar a novas formas de discriminação,
• Reduzir os processos de ensino e aprendizagem a cálculos e tarefas automatizadas,
• Desvalorizar o papel e a influência dos professores
• Enfraquecer suas relações com os estudantes.

A proposta é estruturada em cinco dimensões: mentalidade centrada no ser humano, ética da IA, fundamentos e aplicações de IA, pedagogia de IA e IA para o desenvolvimento profissional, organizadas em três níveis de progressão: Adquirir, Aprofundar e Criar.

Como destaque, vemos que a primeira dimensão apresentada no Marco é a “mentalidade centrada no ser humano”, pois a IA não deve ser tratada como um modismo, mas como uma ferramenta que precisa servir às pessoas, e não o contrário. Essa abordagem humanizada é essencial para evitar a reprodução de vieses, a desinformação e a exclusão digital. O professor, nesse novo cenário, é mais do que um transmissor de conteúdo: ele se torna um mediador crítico entre tecnologias complexas e processos de aprendizagem significativos.

Educação e carreira: uma conversa urgente

Mais do que uma pauta educacional, essa questão tem reflexos em várias dimensões da sociedade, incluindo na carreira profissional. Nesta coluna, já apresentamos, sobre o perfil do profissional que integra competências humanas e tecnológicas para prosperar na era da IA, propondo a visão do “profissional centauro” (3). Esse debate agora bate à porta da educação básica, da universidade e da formação continuada.

Ao capacitar os professores para compreender e aplicar a IA de maneira ética e criativa, eles ganharão ainda maior relevância na sociedade, trabalhando de forma integrada a ferramentas sobre as quais conhecem, e participando das soluções dos grandes problemas da sociedade de forma ainda mais efetiva.

O início de uma jornada

Existem muitas reflexões sobre o impacto da IA na sociedade. Algumas apresentam sua relevância comparada aos grandes marcos como a descoberta do fogo, a criação da linguagem escrita, a invenção da prensa, o desenvolvimento da eletricidade, a própria criação da internet, entre outras (4). Independente de qual seja sua visão, é importante que tenhamos consciência desta magnitude.

Neste sentido, o Marco da UNESCO pode ser considerado como começo, pois fornece estratégias para que os professores construam conhecimento sobre IA, apliquem princípios éticos e apoiem seu crescimento profissional. Mesmo que órgãos governamentais, em diferentes níveis, ainda não tenham definido seus marcos sobre o tema, acredito muito no papel transformador que um professor possa ter na vida de seus alunos, podendo até redefinir estruturas, como foi o exemplo da professora Erin Gruwell, que criou a fundação Freedom Writers, cuja jornada foi retratada no grande filme “Escritores da Liberdade”. Tenho me dedicado ao estudo deste e de outros documentos, e pretendo seguir compartilhando reflexões sobre como a IA pode se integrar de forma ética e efetiva nos vários campos do desenvolvimento humano.

Que este artigo seja um convite para que professores conheçam este documento, e assumam seu lugar no debate sobre IA. E para que gestores e formuladores de políticas compreendam que educação sem IA em 2025 já não é mais uma escolha, é um risco.

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!

Abraço, Jonny


Fontes:

(1)- Marco referencial de competências em IA para professores (UNESCO, 2025)
(2)- Beijing Mandates Artificial Intelligence Courses for Students (TechNews, 2025)
(3)- Carreira Centauro: A Evolução Profissional na Era da Inteligência Artificial (2024)
(4) AI: A Tectonic Shift in Human Society (UCDavis, 2024)

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