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Metaverso, vento forte e uma guinada nada repentina na minha carreira
30 de Março de 2022

Metaverso, vento forte e uma guinada nada repentina na minha carreira

Uma história de resiliência em forma de desabafo e uma pedido de desculpas aos leitores do Acontecendo Aqui

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Por Cristiano Chaussard 30 de Março de 2022 | Atualizado 30 de Março de 2022

Meus últimos quatro anos têm sido marcado por guindas e ventos fortes.

No decorrer da vida, todos enfrentamos ventos fortes, tempestades e bonanças. Contarei aqui algumas das minhas aventuras e das guinadas que tive que dar para superá-las, desde os primeiros empreendimentos até o metaverso. Peço também ao leitor as minhas desculpas por tanto tempo sem atualizar a coluna e explico o motivo com a sequência dos fatos descritos abaixo. Creio que todos entenderão.

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Em 2003, depois de diversos empregos prestações de serviços como programador, resolvi empreender a OmniFocus Tecnologia e com ela fui feliz criando sistemas para diversos clientes até que em 2010 criei a WeJoy, um incrível sistema de gestão de mercado que incluia CRM, automação de marketing, gestão de projetos comerciais e inbound. Isso tudo em uma época que essas metodologias (exceto CRM) ainda nem haviam sido sistematizadas.

Ainda em 2010 o investidor deste empreendimento rasgou as velas e me deixou à deriva. Ato irresponsável do ex-sócio que tive que bancar e dar a volta por cima.
Em 2012, com outros dois sócios, fundei a Flexy Negócios Digitais, hoje uma das melhores plataformas de e-commerce, marketplaces e vendas B2B do Brasil.
Crescemos em taxas aceleradas no início, como qualquer novo negócio iniciando, mas nos dois últimos anos crescemos mais de 50% ao ano. Em períodos politicamente complicados para o Brasil, como no impeachment de 2014, tivemos que nos adaptar à falta de vento e diminuímos a empresa para um terço de seu tamanho para atravessar aquele período, em 2017, já mais preparados, não decrescemos, mas igualamos os resultados do ano anterior. Hoje somos fortes e temos um futuro brilhante, mas passamos por momentos complexos, com a resiliência que um empresário brasileiro precisa ter.
Em 2016 comecei a preparar meu sócio para me substituir em funções gerenciais e diretivas de marketing e vendas na Flexy, e em 2019 quando de fato precisei me afastar, estava tudo redondo e pude deixar a Flexy crescer como cresce hoje.

O que aconteceu em 2019? Você pode entender em profundidade em www.theovive.com, mas vou resumir caso você não pretenda ler o blog inteiro, apesar de valer a pena.

 

Em junho de 2019 estávamos aos 5 pra 6 meses de gestação do Theo quando recebemos o prognóstico de que ele tinha uma rara doença renal genética. 2% de Chance de vida, foi o que descobri em um estudo sobre essa doença, liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Entrei então em luto. Um luto doído demais. Um luto ainda vivo e lutando para não morrer. Um luto na barriga, pulsando.
Nesse período, meus sócios assumiram a sala de comando com maestria.
Pude então lidar com depressão e euforias difíceis de controlar. Encontrei conforto e escape em uma atividade que eu nunca levara à sério o suficiente, a arte.

Desde a adolescência eu fui músico, mais tarde comecei a pintar, já adulto, fiz aulas de canto, bateria, teatro e produção artística digital como forma de equilibrar trabalho e lazer. Em um período entre 2008 e 2018 levei a fotografia artística muito a sério mas nunca com o intuito de fazer dela uma carreira.
Pois foi assim que em 2019 mergulhei na arte para salvar a alma. Quando levantei a cabeça para ver o que eu havia feito daquele período, eu já tinha quase 200 telas em pouco mais de 6 meses. Foram momentos de depressão e de euforia.
Mas euforia porque, se a situação era de morte? Porque, surpreendentemente, Theo usou os 2% de chance de vida que tinha para nascer e uma probabilidade ainda muito menor que isso para continuar vivo mesmo com a doença.

No meio dessa euforia e das incertezas resolvi colocar meu trabalho à prova. Fiz um catálogo caprichadíssimo e enviei a um bocado de galerias de arte europeias. Acabei conquistando em um mês 9 galerias e com isso, nos últimos 3 anos expus em Florianópolis, Blumenau, São Paulo, Portugal (Lisboa, Mira de Aire, Porto, e Porto de Mós), Dubai, Tóquio, Pequim, Paris, Miami, Berlin, Frankfurt, Shanghai e fui o único artista plástico chamado para expor no Centenário da Semana de Arte Moderna de 22 organizado pela PUC-SP que apoiou o movimento há cem anos e que me apoiou agora a fundar e lançar o manifesto pelo digitalismo.
Tudo isso realizado com a energia de resiliência de um ser machucado, indignado, apaixonado, protagonista e empreendedor.
No meio deste processo, resgatei um projeto que eu tinha em 2002, por isso afirmo que minha guinada para o Metaverso não foi nada repentina. Naquela época, eu empreendi uma empresa de tecnologia, chamada Real Commerce, para montar um shopping e um supermercado em 3D com tecnologia parecida com a dos games, mas com a diferença que deveria rodar na internet. Cheguei a conquistar interessantes investidores, mas eles recuaram assim que chegamos à conclusão que seria necessário convencer o cliente final a instalar softwares em sua máquina para realizar suas compras e para isso o investimento em marketing teria que ser quintuplicado.

Agora, com novas tecnologias de desenvolvimento de games no mercado, eu havia descoberto que seria possível rodar um game completo em um navegador comum da internet, usando a tecnologia 3D já embutida neles, a WebGL.

Contratei um desenvolvedor e fiz minha galeria virtual em 3D (disponível em https://art2.life/digitalismo). Juntos, inventamos tanta coisa nessa galeria que, chamamos mais dois sócios e criamos então a YouniOn.me.

Neste meio tempo, a situação de meu filho já havia se complicado e passei a morar em São Paulo, para fazermos hemodiálise todos os dias, e um transplante renal, que agora já sedimentou o sucesso do tratamento e da vida do Theo.

 

HOJE

Altos e baixos neste período todo. Flexy voando sem precisar de mim, saldo positivo e medo/trauma dos reveses. Este era o clima. Mas entramos em 2021 com produto desenvolvido e Mark Zuckerberg resolve resgatar um termo usado em um livro de ficção científica para dar sentido ao que pretendia fazer no mercado de ambientes virtuais em 3D. Batizou então, o que já existia, de Metaverso e rapidamente o mercado de NFT e Criptomoedas colou neste conceito.

 

Iniciamos 2022 com uma empresa focada em ambientes virtuais 3D utilitários para atendimento e vendas e descobrimos que isso se assemelhava suficientemente com o conceito de metaverso.

Hastear as velas! Aí vamos novamente aproveitar uma ventania das boas.

O conceito de metaverso ainda não está consolidado. Trata-se de um conceito guarda-chuva para abarcar tudo aquilo que colabora com a presença virtual imersiva na internet. Há quem queira provar que só pode ser metaverso se vender espaço virtual. Há quem acredite que só é metaverso se envolver criptomoedas. Nada disso está posto. Estamos construindo esses conceitos e resolvi ser protagonista nessa construção.
Na essencia do nome da empresa está a mensagem: Una-se a mim.
Hoje construo espaços que adicionam MUITO VALOR aos encontros virtuais. Espaços de vendas de imóveis, atendimento médico, vendas de produtos e serviços. Tudo isso com conversa direta e em tempo real, como em uma videoconferência, mas em uma experiência imersiva de luxo.
Cada vez que enfrento uma nova tempestade, estou mais preparado para usar a energia dela para protagonizar mais inovação.

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