Coluna Jaime De Paula | Mais saúde com tecnologias disruptivas

23 de Agosto de 2021

O cenário futuro da tecnologia na saúde é muito mais amplo do que conseguimos prever.

 

Sem dúvida a área da saúde, em todos os seus processos, foi e está sendo a mais impactada pela pandemia Covid-19, com uma transformação em velocidade sem precedentes. O setor que antes do coronavírus já vivenciava uma crise por conta do esgotamento dos sistemas públicos e dos planos de saúde, foi obrigado a se reinventar para não colapsar em definitivo. Com a desaceleração da curva de internações e mortes, o novo desafio é buscar a sustentabilidade do que está por vir.

Por mais paradoxal que possa ser, o caos trazido pela Covid-19 ao setor de saúde no mundo inteiro trouxe ganhos em muitos processos que, de forma acelerada, foram adaptados para as exigências da situação. A tecnologia passou a ser a grande ferramenta para dar conta de tantas demandas simultâneas. E, felizmente, essa associação de tecnologia, inteligência artificial e saúde veio para ficar e evoluir.

O exemplo mais palpável é o das teleconsultas, que se firmaram definitivamente como forma de garantir maior abrangência dos atendimentos e diminuir a sobrecarga em clínicas, hospitais e postos de saúde. Recentemente o Conselho Federal de Medicina passou a permitir que pacientes acessem os profissionais de saúde pela internet. A prescrição digital também é realidade para muitos médicos, livres de impressoras e carimbos.

A telemedicina, que já reduz o contato entre profissionais e pacientes, tem potencial enorme de crescer com a adoção de dispositivos vestíveis capazes de monitorar os dados dos pacientes que estão em casa. Será possível ao médico, à distância, ter acesso a medições como temperatura, glicose e pressão arterial.

Mas é possível ir muito além quando se pensa em aplicação de aprendizado de máquina na saúde. Neste cenário, as Health Techs, empresas especializadas em desenvolver soluções tecnológicas para o setor, ganham destaque e potencial de crescimento que deve ser turbinado com a chegada do 5G, que levará a realidade virtual e a realidade aumentada, por exemplo, a um novo patamar.

As tecnologias de rastreamento associadas à IA permitem identificar e prevenir doenças crônicas e a inteligência artificial pode ser uma grande aliada na identificação de novas pandemias e desenvolvimento de outras vacinas, além de popularizar o reconhecimento facial (inclusive de máscara) e a triagem térmica. A tecnologia pode estar presente em toda a trajetória do paciente, da prevenção ao diagnóstico com muito mais precisão e agilidade. Por meio do aprendizado de máquina e análises com base em IA é possível ao profissional médico determinar a abordagem e o medicamento mais apropriados a cada paciente. Ter os modelos preditivos dos exames e consultas que não foram realizadas durante a pandemia, com uma acurácia de mais de 90%, já é uma prática sendo utilizada por gigantes do setor, como Siemens e Dasa.

A parte gerencial não fica de fora, já que a integração com prontuários eletrônicos hospedados em nuvem  permite agilidade no registro digital dos atendimentos. O uso de AI, principalmente Machine Learning, vem ganhando destaque no aumento da produtividade das empresas, apoiando a área comercial na busca de novos clientes (B2B), e auxiliando a encontrar a melhor localização e ocupação para um grande laboratório e seus equipamentos complexos.

O aprendizado humano, no caso, o aprendizado em saúde, também é diretamente afetado pelos ganhos tecnológicos, com ferramentas que auxiliam na tomada de decisão sobre a conduta a ser tomada. O erro humano na medicina, aliás, deve diminuir cada vez mais por conta de decisões tomadas com base em informações fidedignas sobre cada paciente e cada moléstia, assim como nos exames, cirurgias e procedimentos médicos em geral.

O cenário futuro da tecnologia na saúde é muito mais amplo do que conseguimos prever. E assim como traz soluções, nos colocará cada vez mais diante de desafios com ética, proteção de dados e relação humana. Assuntos para um próximo artigo. Obrigado pela leitura e até a próxima!

Jaime De Paula

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    Jaime de Paula é empreendedor de tecnologia, engenheiro, PHD em Inteligência Artificial (UFSC), cursando pos-doc na Univalli, também em IA. Iniciou como executivo de grandes empresas como a BRFoods até fundar a Paradigma e depois a Neoway, onde foi CEO até junho de 2019. Mentor Endeavor e Darwin, investe em mais de 20 startups do ecossistema catarinense de tecnologia. Participa ativamente de projetos sociais como o IVG – Instituto Vilson Groh (que cuida de mais de 5000 crianças diariamente), entidade da qual é fundador convidado pelo Padre Vilson Groh. Apoia também os projetos Superando Barreiras, que oferece aulas gratuitas de jiu-jítsu para jovens e crianças em vulnerabilidade social, e o Mama Solidária, que oportuniza cirurgias de reconstrução mamária a pacientes vítimas de câncer. Acompanhe Jaime pelo LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/jaimedepaula

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