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Liderando a transformação: Insights com Alessandra Holmo, diretora do Centro de Inovação Suécia-Brasil
12 de Junho de 2023

Liderando a transformação: Insights com Alessandra Holmo, diretora do Centro de Inovação Suécia-Brasil

Os conhecimentos adquiridos em Market Intelligence ajudam principalmente na estratégia de formação de redes

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Por Prof Jonny 12 de Junho de 2023 | Atualizado 12 de Junho de 2023

Alessandra Holmo é diretora do CISB – Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro. Ela é engenheira de materiais pela UFSCar, com pós-graduação em marketing e em inovação pela ESPM, e especialização em Marketing Intelligence pela FIA. Nesta entrevista, além de pontos de sua carreira, Alessandra nos fala sobre o CISB e suas principais realizações.

 

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Sabemos que a transição de carreira muitas vezes requer coragem e disposição para sair da zona de conforto. Você poderia compartilhar uma experiência em que precisou tomar uma decisão difícil para se reinventar profissionalmente? Como você lidou com os desafios dessa transição e quais foram os resultados alcançados?

 

Em 2005-06, fiz uma pós-graduação em inovação tecnológica e comecei a me interessar por trabalhar na área de inovação.
Nessa época eu já tinha uma carreira estabelecida na indústria petroquímica na área técnica e em desenvolvimento de mercado, onde trabalhei por 17 anos, mas a Empresa na época não possuía muito espaço na área de inovação. Com isso em mente, comecei a buscar centros de pesquisa e de inovação, cheguei a trabalhar com educação e captação de projetos de P&D na Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) da USP, até que encontrei o CISB enquanto prospectava projetos.

Quando entrei no CISB, tive que me reinventar. Foi um desafio enorme, até então eu tinha trabalhado em grandes empresas e em vários departamentos, e o CISB é uma instituição pequena, onde tive que aprender a ser multidisciplinar. Não só isso, mas também apreender a trabalhar com cooperação internacional, criação de redes, inovação aberta, gestão de inovação, administração de uma empresa, etc. Lidando com os desafios e visando o meu desenvolvimento, tive a oportunidade de ter mentoria de pessoas qualificadas e com muita experiência de diversas áreas, como Diplomatas, CEO de parque tecnológico, pessoas da área de defesa, especialista em administração de empresa, liderança feminina e também o Chairman do CISB, CTO de uma grande empresa sueca.

 

Em sua trajetória profissional, estão registradas experiências em diferentes setores. Quais foram as principais diferenças em atuar nos setores e como você lidou com tais aspectos? 

Eu sou formada em engenharia de materiais pela UFSCar, com especialização em polímeros, que é uma formação técnica.
Comecei minha carreira numa empresa pequena produtora de compostos poliméricos e rapidamente consegui uma posição na indústria
petroquímica na unidade de negócios especialidades, trabalhando comassistência técnica dos produtos aplicados em diversos setores da
economia (automotiva, linha branca, fios &cabos, etc..). Nesta fase tive oportunidade de trabalhar com pessoas maravilhosas, formamos um grande time, o que ajudou muito o meu desenvolvimento e do negocio em si e superação dos desafios.

Num certo momento, decidi fazer uma pós-graduação em marketing na ESPM, pois tinha como objetivo trabalhar com desenvolvimento de
mercado. Por meio desta pós-graduação conheci pessoas de diversos setores, e pudemos compartilhar muitas experiências e me ensinou
muito a superar desafios de transição de carreira dentro de uma empresa, além de me capacitar para um estágio fora do país por 3 meses.

Ainda durante a fase da indústria petroquímica, trabalhei numa outra empresa do setor, e numa unidade de comodities, onde tive de fazer uso de toda a bagagem profissional adquirida ao logo dos anos, para encarar o desafio de desenvolver a área de negócios focada em materiais para revestimentos de tubos em aplicações offshore e tubos para transporte de água quente, além de uma grande exposição internacional, pois as concorrentes deste negócio eram empresas multinacionais europeias. Foi enriquecedora a experiência de construir um plano de negócio de uma nova unidade e lidar com o processo de aprovação junto ao Conselho da empresa.

E posteriormente, como já citado passei a atuar na área de Inovação / Cooperação internacional, como já explicado na resposta anterior

 

A gestão da inovação é uma área crucial nos dias de hoje. Como você administra a rede de inovação nos seus projetos nos últimos
anos? Quais são os principais desafios que você enfrentou e como os superou?

Tendo trabalhado na indústria petroquímica eu lidei com uma vasta carteira de clientes de diferentes setores na perspectiva técnica, o que me deu uma grande experiência em gestão de relacionamentos, que é uma competência importante para gestão de redes.

No início do CISB, nós tínhamos o desafio de montar uma rede Brasil-Suécia, e foi importante achar grandes referências de pesquisadores que pudessem nos ajudar e integrar essa rede em formação, além de convidar a indústria. Iniciamos com atividades em vários setores, mas acabamos focando nossos esforços no setor aeronáutico, obtendo resultado se muitas lições aprendidas.

Um dos facilitadores da montagem da rede no setor aeronáutico, foi o programa que temos em parceria o CNPq e Saab, pois tivemos a  oportunidade de palestrar em mais de 20 universidades no Brasil divulgando o programa, convidamos pesquisadores de alto nível para
fazerem pós-graduação na Suécia em Universidades de excelência e em parceira com Saab no setor. Alguns pesquisadores contemplados
neste programa, são chamados “nossas estrelas”, pois entenderam o ecossistema de inovação sueco após 1 ano na Suécia, retornaram ao Brasil e continuaram a cooperação com atores suecos e participam ativamente da nossa rede.

Atualmente estamos usando toda nossa expertise desenvolvida para criar uma nova rede Brasil-Suécia em IA aplicado e com impacto muito maior em todas as áreas da cooperação Brasil-Suécia (aeronáutica, cidades inteligentes, ciências da vida, bioeconomia, mineração sustentável) devido sua característica de transversalidade.

Para manter o engajamento desta rede, temos feito uso de uma boa gestão de comunicação, por meio de diversas ferramentas principalmente no
LinkedIn, compartilhando diversas iniciativas, oportunidades e artigos sobre casos de sucesso da cooperação Brasil-Suécia. Além disso, temos o nosso
Annual Meeting onde convidamos toda a nossa rede para uma série de eventos presenciais, híbridos e online no mês de novembro.

 

Em linhas gerais, poderia nos apresentar o que é o CISB (Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro)? Quando e como este centro
foi criado e alguns dos projetos de inovação já desenvolvidos em seu âmbito?

Neste caso, posso responder focando em algumas das nossas iniciativas inovadoras, como por exemplo a chamada que você foi aprovado. O
Centro Sueco-Brasileiro de Pesquisa e Inovação (CISB) atua como uma arena de inovação aberta e serve como uma plataforma internacional
para identificar, facilitar e apoiar projetos de pesquisa e desenvolvimento envolvendo tecnologias avançadas. As áreas de foco do Centro são: Aeronáutica, Defesa & Segurança, Energia Sustentável, Transporte & Logística e Desenvolvimento Urbano. É uma associação sem fins lucrativos, inaugurado em 18 de maio de 2011. Sua sede está localizada em São Paulo, Brasil.

Dentro os seus projetos destaca-se: administração de arenas de inovação aberta; programa de mobilidade (bolsas de pós-graduação); programa
de cátedras (professores suecos que visitam o Brasil regularmente); organização de missões; organização de
matchmaking Grandes Corporações – startups (brasileiras e suecas); mapeamento do ambiente de P&D&I em setores específicos.

 

Como diretora do CISB, como você lidera a gestão do portfólio de projetos e parcerias? Quais são os desafios que você enfrenta nessa
posição e como você os supera?

Hoje em dia, o CISB conta com um portfólio de projetos bem solidificado, assim como parcerias muito fortes. O CISB já tem 12 anos, e o tempo
possibilitou essa consolidação. Os principais desafios foram no início, enquanto procurávamos criar um portfólio de projetos, financiamentos e relações com a academia e a indústria. O que tem nos apoiado nesta trajetória é a experiência dos membros do conselho deliberativo do CISB, que desde o início conta com representantes da indústria e da academia que são experientes na área internacional e em projetos de P&D&I.

 

A área de Market Intelligence é fundamental para identificação de oportunidades. Como você aplica os conhecimentos adquiridos em sua pós-graduação nesta área atuando na diretoria do CISB? Quais são as melhores práticas que você utiliza para obter e analisar informações estratégicas?

Os conhecimentos adquiridos em Market Intelligence ajudam principalmente na estratégia de formação de redes e ou busca especifica de pesquisadores em determinadas áreas realizadas por meio de mapeamentos em base de dados do sistema brasileiro de inovação (Lattes, agências de financiamento e outras inúmeras fontes de dados disponíveis) fazendo um cruzamento de dados que possibilita a descoberta de quem é um parceiro potencial para um determinado projeto. Além disso, esta capacitação também ajuda na definição estratégica de abordagem ativa, ao convidar empresas a serem associadas ao CISB.

 

Muitas pessoas enfrentam dúvidas e incertezas ao considerar uma transição de carreira. Com base em sua experiência, quais conselhos você daria para aqueles que estão pensando em mudar de área ou explorar novas oportunidades profissionais? Quais são os passos essenciais a serem considerados ao planejar uma transição de carreira bem-sucedida?

Primeiramente, persiga seu sonho e faça o que você gosta. Esse é o meu principal conselho e acho essencial. A partir disso é necessário se
capacitar, é importante estudar, não só pós-graduações, mas mesmo cursos curtos; nesses últimos anos vimos as possibilidades abertas por cursos on-line e acho que é bom aproveitar isso. Também acredito ser fundamental, principalmente em termos de uma transição de carreira, procurar onde está o networking desta nova área que se almeja. Procurar falar com pessoas que atuam nesta área para saber sobre a realidade da área e se ela confere com as expectativas. O LinkedIn é um ótimo lugar para isso.

 

Qual seria sua mensagem final para esta entrevista?

Minha mensagem final seria: sonhe, tenha foco, estude, fique antenado com relação as oportunidades, compartilhe experiências e saiba criar e
manter relacionamentos que são essenciais para o seu sucesso profissional e pessoal. E por último e não menos importante: seja feliz!

 

Lições de Carreira

Nesta entrevista, tivemos a oportunidade de conhecer o CISB-Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro, por meio dos olhos de sua
diretora, Alessandra Holmo. Ela compartilhou sua visão sobre o centro, sua criação e alguns dos projetos de inovação desenvolvidos. Além disso, Alessandra ressaltou a importância da gestão da inovação e do processo de inovação aberta em projetos de P&D. Sua liderança na identificação de oportunidades e sua capacidade de lidar com os desafios inerentes a esses projetos são inspiradoras. Como conclusão, Alessandra nos deixa com uma mensagem que reflete sua paixão pela inovação e o desejo de inspirar outros profissionais a perseguirem seus sonhos e alcançarem o sucesso em suas transições de carreira.

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo!

Abraço,

Jonny

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