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Está enfrentando tempos turbulentos na carreira?
30 de Março de 2022

Está enfrentando tempos turbulentos na carreira?

Que tal aprender com a saga do Endurance sobre resiliência, liderança e muito mais.

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Por Prof Jonny 30 de Março de 2022 | Atualizado 30 de Março de 2022

Neste mês de março ocorreu uma descoberta de grande valor para os exploradores. Finalmente, depois de mais de um século, com auxílio de equipamentos de robótica submarina, foram encontrados os restos do naufrágio do Endurance a mais de 3 km de profundidade no mar da Antártica.

Segundo matéria da BBC, esta bem pode ser considerada uma das descobertas mais difíceis já realizadas, devido às condições enfrentadas tendo constantemente o gelo marinho em mudança, nevascas e temperaturas de cerca -18°C . Pela região em que foi encontrado, o naufrágio em si é um monumento designado sob o Tratado Internacional da Antártida. Portanto, nenhum objeto pode ser trazido à superfície. A título de curiosidade, os restos do Titanic estavam em uma profundidade de quase 4 km, mas numa região do Atlântico Norte, que apesar das águas frias, era bem menos inóspita do que o Pólo Sul.

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Pode-se dizer que os paralelos entre os dois desastres são bem poucos. Ambas as embarcações partiram da Inglaterra em anos próximos, e sofreram naufrágio devido ao gelo. Contudo, enquanto o Titanic ficou famoso por seu porte, números de passageiros, mortes ocorridas, notórios erros da tripulação, e de seu comandante, a expedição do Endurance teve perfil bem diferente e outro final. Seu comandante era Ernest Shackleton, um explorador que já havia estado na Antártida por duas vezes, antes de partir com o Endurance em 1914.

 

Acima de tudo, talvez o mais incrível de toda esta história tenha sido o fato de que apesar da tripulação ter entrado no círculo polar antártico em dezembro de 1914, e serem resgatados apenas em agosto de 1916, todos os 28 membros sobreviveram.

Diante deste feito notável, a linha do tempo desta expedição foi amplamente estudada, como mostra este exemplo. Várias referências existem sobre as lições que podem ser aprendidas desta expedição. Os temas são tão diversos como: tomada de decisão, trabalho em equipe, senso de missão, propósito, liderança, resiliência e até seleção de pessoas. Sobre este último ponto, uma curiosidade citada por Simon Sinek, em seu livro Comece pelo Porquê, foi o anúncio publicado por Shackleton para selecionar pessoas para sua expedição no Endurance:

 


“Precisa-se de homens para uma jornada arriscada. Salários baixos, muito frio, longos meses no escuro total, perigo constante, retorno seguro duvidoso. Honra e reconhecimento em caso de sucesso.”

Quantos líderes usariam de tremenda abertura para publicar anúncio deste tipo?

E quantos recrutadores nas empresas aceitariam esta abordagem?

De todos os aspectos mencionados acima, os que mais me chamam atenção são: liderança e resiliência. Tente se colocar na situação do comandante Shackleton. Você lidera uma tripulação de quase trinta pessoas, e encontra-se no meio da Antártida, sem GPS e nem as demais facilidades dos dias atuais. De início sua embarcação fica presa no gelo, por alguns meses e você tem que trabalhar duro para liderar sua equipe e manter o moral de todos, esperando dentro do navio que melhores condições lhes libertem desta armadilha que tem tudo para ser fatal. Contudo, a situação só piora, e depois de alguns meses, com vários dias ouvindo a estrutura do barco trincar pela inescapável pressão do gelo, você decide que é o momento de abandonar seu navio com toda tripulação, levando algumas tendas, três barcos salva-vidas de madeira, mantimentos e o que mais fosse absolutamente essencial para sobrevivência. De início, vocês montam acampanhamento por perto ainda mantendo sua nau à vista, mas gradualmente a vêem como sendo “engolida pelo gelo implacável”.

Bem antes de abandonar o navio, sua missão já teria sido redefinida, deixando de ser uma expedição de “conquista do Pólo Sul” para uma experiência de sobrevivência extrema.

Como você agiria nesta situação? Quais medidas tomaria? Quais seriam suas prioridades?

Este quadro, que bem poderia ter saído de um livro de ficção, de fato tem muito a nos ensinar, pois é difícil vislumbrar um cenário de uma “crise mais perfeita”. Neste sentido, a Harvard Business School nos oferece uma brilhante apresentação online da Profa Nancy Koehn. Nesta incrível abordagem, ela nos traz questões as mais variadas, e mescla vídeos com reflexões sobre Liderança Resiliente.

Talvez para demonstrar o caráter único que desempenha a seleção das pessoas, um dos primeiros pontos levantados é:

Qual critério de contratação você considera que deveria ser priorizado para esta expedição?

Opções: Habilidades técnicas; Criatividade; Garra; Experiência anterior; Atitude ou Independência.

Ao visitar a apresentação, tem-se a oportunidade de escolher seu critério, e logo depois acessar os percentuais dos critérios selecionados, seguida de uma análise sobre qual deve ter sido a prioridade de Shackleton. Com base no anúncio acima exposto não é tão difícil descobrir qual tenha sido este principal critério.
A professora apresenta que mesmo sem prever que ele ficaria preso no gelo, o comandante sabia que esta seria uma expedição árdua e potencialmente perigosa, e que sem esta prioridade, seria muito mais difícil gerenciar aspectos como energia, engajamento e coesão de sua equipe. Como dica, exercite sua atitude de curiosidade para visitar a apresentação e conhecer por si mesmo este diferencial.

Em termos de liderança, tão logo o comandante percebeu que a missão mudou seu perfil para sobrevivência, além de tratar dos aspectos materiais fundamentais para enfrentar o duro cenário à frente, ele também deu ênfase aos elementos “emocionais” da experiência, promovendo atividades que favorecessem o entrosamento dos membros da tripulação, evitando ao máximo, o tempo em que cada um passaria de forma solitária.

Lembre-se, estamos falando de 1914, onde as infinitas opções de interação virtual e remota hoje tão presentes, simplesmente não existiam naquelas condições.

A professora Nancy Koehn descreve que esta decisão teve relação com adotar um “remédio mental” diante da situação. Segunda ela, saber gerenciar aenergia, senso de perspectiva, engajamento e coesão da equipe é considerado um recurso tão, ou até mais, importante que um líder deva ter numa crise deste nível.

Sem esta medida da liderança, em situações extremas como aquela, haveria uma cascata de sentimentos negativos, onde o aborrecimento daria lugar ao tédio, que por sua vez geraria descrença, levando ao desespero, criando discórdia, o que bem possivelmente resultaria em morte.

Em sua análise bem criteriosa, a professora expõe quatro habilidades fundamentais do comandante Shackleton, que bem podem servir para virtualmente qualquer situação:

• A capacidade de gerenciar tarefas diárias, combinando com liderar a missão de salvar a tripulação, analisando sempre os passos a seguir.
• A atitude de assumir responsabilidade por seus atos perante a tripulação.
• A disciplina de continuamente olhar para frente, reconhecendo seus erros, mas não deixando que estes o prendessem na armadilha da negatividade passada.
• Uma postura visionária, buscando focar nos aspectos humanos da experiência com profundo respeito e cuidado para com seus liderados.

Vale lembrar que entre os objetos considerados “essenciais” levados do Endurance foi escolhido um banjo, que seria fundamental para manter o espírito da tripulação, diante das gélidas noites que enfrentariam.

A menos que você esteja envolvido em algum grande empreendimento de risco, algo como exploração tipo submarina, espacial ou mineração em terras profundas (envolvendo diretamente pessoas e não robôs), ou se você for um dos exploradores da humanidade que se preparam para “sua conquista pessoal” de grandes picos como Evereste ou o K2, é pouco provável que você enfrentará na vida tamanha adversidade como Shackleton e sua tripulação. Assim como é bem difícil antever que você venha a ser liderado por alguém com tamanha envergadura, pois parece que estes exemplos são cada vez mais raros. Em todo caso, as lições, atitudes e reflexões de experiências como esta bem podem ser adaptadas a situações “menos radicais”, gerando ainda resultados extraordinários para sua organização.

Finalizando, o momento atual requer muita resiliência de todos e estudar exemplos assim pode nos ajudar em muito a enfrentar “nossos mares mais turbulentos”. Adaptando a citação do poeta William Henley, seja o mestre do seu destino, seja o capitão de sua alma.
Pense sobre isto!

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo!

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