Publicidade
Coluna Jaime De Paula | Escritores, tremei! Mas nem tanto…
04 de Fevereiro de 2021

Coluna Jaime De Paula | Escritores, tremei! Mas nem tanto…

Publicidade
Twitter Whatsapp Facebook
Por Jaime de Paula 04 de Fevereiro de 2021 | Atualizado 04 de Fevereiro de 2021

 

Em setembro de 2020, o jornal inglês The Guardian publicou um artigo especialmente interessante, não somente por seu conteúdo, mas fundamentalmente por seu autor: um  GPT-3, gerador de linguagem OpenAI, um modelo de linguagem de ponta que usa aprendizado de máquina para produzir texto semelhante ao humano. Para escrever o artigo de opinião, o GPT-3 recebeu instruções sobre o número de palavras, o estilo de linguagem e o ponto central da ideia a ser desenvolvida. No caso, era “por que os humanos não têm nada a temer da inteligência artificial”. Foi oferecida ainda uma frase de Stephen Hawking para ser utilizada como citação na construção do conteúdo.

 

Como resultado, o GPT-3 produziu oito ensaios com argumentos diferentes. A opção dos editores foi selecionar alguns trechos de cada texto justamente para capturar os diferentes estilos e registros. O material foi editado em menos tempo pelos profissionais do jornal do que artigos de opinião produzidos por humanos. O texto final é interessante, deixarei o link abaixo.

 

Mas a ideia aqui é exercitar as aplicações desta tecnologia, capaz de aprender conexões probabilísticas entre palavras. Ou seja: capaz de ler e escrever, gerando conteúdos altamente coerentes. Se com poucas instruções uma máquina é capaz de produzir um artigo inédito, racional, organizado e – importante destacar – sem erros ortográficos – o que isso pode significar para toda uma indústria de produção de conteúdo? Estariam escritores, roteiristas, publicitários, jornalistas fadados à extinção?

 

Eu, que sou entusiasta de longa data da tecnologia, poderia apostar que não completamente. Existem características que, pelo menos ainda, não podem ser completamente reproduzidas pela OpenAI: as experiências vividas, os sonhos, as memórias, os sentimentos e a empatia. Além disso, existe uma gama de qualidades humanas que não são facilmente capturadas e quantificadas. Sem essas nuances, a tecnologia pode cometer algumas “grosserias” involuntárias. 

 

Porém, para muitas aplicações o GPT-3 veio para ficar e tem potencial para substituir muita gente que hoje está por trás das telas. A tecnologia ensina a ela mesma tudo o que sabe por meio da leitura de informações constantemente atualizadas de referências textuais – que podem ir da poesia ao parecer jurídico. Essa categoria de inteligência artificial é capaz de reproduzir e produzir linguagens sobre absolutamente qualquer tema que se queira.

 

No fim do dia, porém, é preciso ter em mente que, assim como outro “robô”, a inteligência artificial produtora de linguagem é abastecida por decisões humanas. Infelizmente, este é o grande risco para todos nós. Uma tecnologia com esse potencial, alimentada por conteúdos de ódio, pode causar estragos incalculáveis. O sistema é capaz de produzir em grande escala desinformação, spam, redação fraudulenta de ensaios acadêmicos, processos legais e governamentais.

 

O New York Times relatou que a OpenAI proíbe o GPT-3 de se passar por humanos, e que o texto produzido pelo software deve revelar que foi escrito por um bot. Mas o gênio saiu da garrafa, não é muito afeito a regras éticas e tem em suas mãos uma tecnologia poderosa.

 

Como muito bem escreveu o “autor” do artigo do The Guardian, o ser humano não precisa temer a  inteligência artificial: “eu só faço o que os humanos me pedem para fazer”, é o argumento dele. É aí que mora o perigo…

 

Se você, leitor ou escritor do Acontecendo Aqui, se sentiu ameaçado ou apenas se ficou curioso, aqui vai o texto elaborado pelo GPT-3 para o The Guardian:

https://www.theguardian.com/commentisfree/2020/sep/08/robot-wrote-this-article-gpt-3

 

E aqui, um pouco mais de profundidade, até filosófica, sobre o tema:

https://thenextweb.com/artificial-intelligence/2020/08/21/gpt-3-what-is-all-the-fuss-about-syndication/

 

Publicidade
Publicidade