Poucas histórias empreendedoras são tão autênticas quanto a de Leandro Vieira. De um jovem inquieto, que experimentou diversas faculdades em busca de propósito, à criação do maior portal de Administração em língua portuguesa, sua jornada é marcada por visão, coragem e muita execução. Nesta entrevista exclusiva, ele compartilha os bastidores de sua trajetória, as origens do Administradores.com e a nova fase com o Empreendedores.com, uma rede que une networking, conteúdo e impacto real no ecossistema de negócios.
MMuito grato por contribuir com nossa coluna de carreira. Ainda no início da sua trajetória, você optou por cursar duas graduações, Administração na UFPB e Direito no UNIPÊ, o que revela uma inquietação intelectual e uma busca por múltiplas perspectivas. O que motivou essa escolha dupla e como ela impactou suas primeiras decisões profissionais?
Olha só, Jonny, a gente começa logo fazendo uma brincadeira, porque no currículo fica bonito — duas graduações e tal —, mas a história é outra. Eu fiz duas graduações, ok, mas entrei em cinco cursos universitários. E isso não foi só por conta dessa inquietação; a verdade é que eu estava perdido no terceiro ano do ensino médio, sem saber para onde ir.
Minha primeira opção foi Direito, justamente porque as pessoas começavam a dar conselhos — familiares e tudo mais —, mas eu não tinha a menor noção do que era a carreira de Direito. Na prática, quando entrei no curso, me deparei com algo totalmente contrário à minha própria natureza. Eu era um cara inquieto, criativo, inovador, e fui para um curso extremamente conservador, não só no conteúdo, mas na didática e na cultura. Ali foi meu primeiro choque. Sei que existe aquele choque tradicional de sair do colégio para a faculdade, mas esse foi mais profundo, de visão de mundo mesmo. Isso me deu um certo desespero. Aquele jovem que eu tinha sido durante toda a infância e adolescência se viu perdido naquela carreira.
Foi uma fase difícil. Por conta dessa inquietude — eu gostava de escrever, de outras áreas — acabei entrando em vários cursos: Jornalismo, Matemática, Ciências Sociais… tudo para ver se me encontrava. Então fui fazendo Direito, meio que empurrando com a barriga, testando outras faculdades.
Com o amadurecimento e o início do trabalho, comecei a me interessar por outros temas. Um dia, ainda cursando Direito, percebi que estava estudando livros de Administração e Empreendedorismo — mesmo sem estar matriculado em Administração. Eu devorava aqueles conteúdos, levava os livros para a faculdade de Direito, para aproveitar o tempo com algo que eu realmente gostava.
Até que, um dia, pensei: “Nasci para isso — Administração, gestão, etc.”. Meu pai, nessa época, já estava muito bravo comigo, porque eu ficava trocando de curso e passava muito tempo na internet, que estava começando. Ele achava que eu estava perdendo tempo. Mas eu sentia esse chamado. E sei que era o último dia de inscrição para o vestibular da federal. Falei com minha mãe, minha cúmplice: “Hoje é o último dia, e eu sinto que nasci para isso.” Ela respondeu: “Deixa comigo.” Eu estava trabalhando com meu irmão, em uma distribuidora de alimentos. Ela fez minha inscrição sem contar ao meu pai. Fiz o vestibular, passei.
Quando fiz a inscrição, disse a mim mesmo: “Vou passar.” Larguei o curso de Direito — nem tranquei — e não voltei mais. Comecei o curso de Administração com uns 19 ou 20 anos. Entrei no Direito com 17. E foi amor à primeira vista.
Eu estava mais maduro. Já tinha feito metade de Direito e passado por outras faculdades. Na Administração, voltei a ser o cara inovador e engajado da época do colégio. Fui excelente aluno, participei de tudo: monitoria, pesquisa, extensão, empresa júnior. E aí a história se conecta com a vida pessoal. Conheci uma menina, começamos a namorar, e ela me disse: “Se você voltar para o curso de Direito, vamos estudar na mesma sala.” Achei legal e voltei. Hoje estamos casados, temos dois filhos. Concluí Direito só por essa motivação extra, porque eu realmente não gostava. No currículo, fica bonito dizer “formado em Administração e Direito”, mas a realidade foi essa.
Sobre como isso impactou minha carreira profissional: Durante a formação, por já ter passado por vários cursos, as pessoas me viam como alguém perdido. Familiares e amigos diziam: “Esse cara não sabe o que quer da vida.” Fiquei meio traumatizado com isso. Decidi que tudo o que eu começasse, eu terminaria. Fiquei obcecado com isso: se começo, eu termino.
Outra coisa foi a sensação de que eu tinha “perdido tempo”. Pensava: “Se tivesse entrado direto em Administração, já estaria formado.” Mas hoje vejo que não perdi tempo. As experiências que tive, mesmo em cursos que não concluí, me deram uma formação muito rica. Na Administração, isso foi essencial. Muitos pensam que basta ler os livros da área, mas isso é uma formação pobre. A Administração não tem um corpo científico próprio; ela bebe de várias fontes. Ter tido contato com outras áreas foi uma grande vantagem. Percebi que tive uma boa formação — não planejada, mas fruto dessa busca. E essa busca, no fim das contas, não é perda de tempo. Todo jovem deveria se permitir isso, porque só enriquece a formação.
Ao longo da carreira, você também se destacou no meio acadêmico, chegando a lecionar na Escola de Administração da UFRGS e a concluir um mestrado pela mesma instituição. Quais aprendizados desse período como pesquisador e professor ainda influenciam seu trabalho como empreendedor e líder hoje?
Ah, que bacana. Eu acho que foi uma experiência muito positiva. Por mais que você tenha um objetivo de vida, como o de empreender, ter uma experiência em um mestrado totalmente acadêmico também é algo muito valioso. Por quê? Porque são outras habilidades que você desenvolve. Habilidades de pesquisa, a possibilidade de se envolver com o ensino… tudo isso enriquece o seu perfil como empreendedor.
Você será um líder, ensinará pessoas dentro da sua empresa, buscará muitas informações ao longo da trajetória empreendedora. Então, o aprendizado dessa fase foi muito rico.
Além disso, tem a questão de trabalhar com projetos, com prazos — algo que também é exigido no ambiente empresarial. Para mim, foi uma época em que me dediquei intensamente a essas atividades acadêmicas.
Quer dizer, nem tão exclusivamente assim, porque o Administradores já havia nascido. Então, apesar de estar envolvido com aulas — tanto ministrando quanto assistindo —, eu ainda precisava encontrar tempo para tocar meu sonho, que era o Administradores. Mas, para mim, não existiu experiência melhor do que essa. Mesmo que alguém diga: “Ah, mas é um mestrado acadêmico, fora da realidade do empreendedorismo…”, acredito que, se a pessoa tiver sensibilidade para perceber as lições de cada fase, a experiência se torna extremamente rica.
Sua formação internacional, com passagens pela Harvard Business School e pelo Instituto Português de Administração e Marketing, certamente trouxe uma visão mais ampla do campo da Administração. Quais experiências desses ambientes internacionais mais marcaram sua forma de pensar e empreender no Brasil?
Essa parte também está bonita no currículo, mas vamos lá. O curso de Harvard, por exemplo, foi feito aqui no Brasil. Foi uma iniciativa chamada Building Ventures in Latin America (BVLA). Aproveitei quando eles estiveram aqui com um programa de uma semana, com professores de Harvard e também alguns da Dom Cabral, da FGV — era um consórcio entre essas instituições.
Foi uma experiência muito rica, sem dúvida. Mas, para ser honesto, não foi no ambiente internacional propriamente dito. Tive contato com os professores de lá, mas os colegas eram todos brasileiros. Então, não dá para dizer que foi uma vivência internacional completa. O MBA foi algo semelhante. Fiz com o Instituto Português de Administração e Marketing, também em uma parceria local. Aproveitei essa oportunidade ainda antes de estar formado em Administração. Na época, existiam rankings da revista Você S/A que avaliavam programas de MBA no Brasil, e esse do CEDEP, em Pernambuco, estava entre os mais bem colocados, justamente por conta dessa parceria com o instituto português.
Os professores vinham de Portugal, e o curso era todo ministrado por eles. Era uma época em que o câmbio ainda era mais acessível — algo em torno de um para um, ou dois para um —, então programas assim eram possíveis. Hoje, acho que não existem mais com esse formato.
Foi uma experiência excelente. O IPAM é o principal instituto de marketing em Portugal, e aproveitei muito o curso. Existe uma possibilidade, que muita gente não conhece, de iniciar uma pós-graduação quando se está a seis meses da formatura. E foi o que fiz: cursei seis meses do MBA durante a graduação em Administração. Logo depois, me formei já com uma pós-graduação concluída — também motivado por essa ânsia de recuperar o tempo que sentia ter perdido. Mas valeu muito a pena.
Em 2000, ao fundar o Administradores.com, você tomou uma decisão pioneira: criar um portal voltado à comunidade de Administração num momento em que a internet ainda não era tão desenvolvida no Brasil. O que o levou a acreditar nesse projeto naquele contexto e quais foram os principais desafios para transformar a ideia em uma plataforma relevante e duradoura?
É aquela história que o Steve Jobs contava: você só entende a jornada olhando para trás, só consegue conectar os pontos depois. E foi exatamente isso que aconteceu. Contei que meu pai estava bravo comigo porque eu passava o dia na internet, desbravando aquele ambiente digital que ainda estava começando. Mas eu fazia isso apenas como usuário — estava entusiasmado com o fato de poder conhecer pessoas, fazer amizades com quem não estava fisicamente próximo.
Ao mesmo tempo, eu tinha entrado com todo o gás no curso de Administração. A junção dessas duas coisas — estar imerso em um novo ambiente e estar profundamente engajado na carreira que havia escolhido — criou o terreno fértil para o surgimento da ideia.
Em uma aula, o professor, pela primeira vez, disse que tinha um arquivo eletrônico para compartilhar. Na época, não existia nenhuma plataforma para isso. Ele simplesmente colocou o e-mail no quadro, com senha e tudo, e disse: “Vocês podem entrar no meu e-mail e baixar o arquivo para a próxima aula.”
Aquilo me incomodou. Achei muito amador. Pensei: “Esse professor precisava de um site para publicar seus arquivos, artigos, materiais de aula.” E eu, que já mexia com HTML por curiosidade, pensei: “Posso fazer isso para ele.” Depois pensei: “Se faço para ele, posso fazer para todos da faculdade. E, se faço para todos da faculdade, posso fazer para o Brasil inteiro.”
Foi aí que tive o estalo. Corri para casa e resolvi colocar a ideia no papel, criar um plano de negócio. Fui atrás de nomes e domínios — e encontrei “administradores.com”. Quando vi que estava disponível, não tive dúvidas. A ideia, claro, foi evoluindo. Mas logo surgiu o primeiro desafio: eu não era desenvolvedor nem designer. Contratei uma empresa — muito amadora — para criar o site. Investi o pouco dinheiro que tinha guardado do trabalho como estagiário. Eles prometeram entregar o projeto em três meses… mas passou um ano e nada. Perdi o dinheiro.
Mesmo assim, não perdi a esperança. Juntei mais um pouco, encontrei outra empresa, dessa vez com mais experiência. Eles conseguiram colocar o projeto de pé. Enquanto isso, não fiquei parado.
Criei um grupo de discussão no Yahoo, que era a ferramenta disponível na época. Comecei do zero, convidando colegas. Quando participava de eventos — no Sebrae, por exemplo — levava uma folha para colher nomes e e-mails de quem quisesse entrar no grupo.
Fiz isso em 30 ou 40 eventos. O grupo cresceu, saiu de João Pessoa, começou a atrair gente de outros estados. Quando percebi, já tinha três mil pessoas participando ativamente. Era uma comunidade de troca, de networking. Eu liderava aquilo — e aprendia a liderar.
Foi uma verdadeira escola. A criação da comunidade veio antes do portal. Quando o site ficou pronto, eu disse: “Galera, agora temos um portal.” E todo mundo foi junto, passou a publicar artigos, chamar outros. Ou seja, o Administradores nasceu com uma base formada. Não era apenas um número — era uma comunidade, pessoas em torno de um objetivo, com espírito de contribuição.
O Administradores surgiu com um perfil diferente da mídia tradicional, como Exame ou Valor Econômico, que já estavam presentes no meio digital. Esses veículos sempre foram centrados na informação — produzida por poucos para muitos.
No Administradores, as próprias pessoas da comunidade publicavam seus artigos. Eram centenas de colaboradores, cada um com sua visão. Isso foi um grande diferencial: não era uma única perspectiva sendo compartilhada com muitos, mas muitas visões sendo compartilhadas entre muitas pessoas.
Milhões de pessoas já acompanham o seu trabalho no Administradores.com. Com o Empreendedores.com, você amplia esse alcance com um projeto ainda mais ousado. Qual é o impacto transformador que você espera gerar com essa nova iniciativa, tanto no ecossistema de negócios quanto na mentalidade dos empreendedores brasileiros?
No finalzinho do ano passado, por volta de outubro, eu estava no carro e comecei a refletir sobre algumas coisas. Durante toda essa trajetória de 25 anos, uma coisa muito marcante — e que gosto muito de fazer — é conectar pontas. Se conheço alguém agora, e percebo que há sinergia com outra pessoa, faço questão de criar essa ponte, porque gosto de ver o que pode nascer dessa conexão.
Foi exatamente com esse pensamento que fiz uma conexão entre o Otaviano Costa, apresentador, e o Luís Câmara, um empreendedor fantástico, criador da rede de franquias de escolas de oratória Vox You. Pensei: “O Luís tem uma escola de comunicação, e o Otaviano é um comunicador extraordinário. Se eu juntar os dois, vamos ver o que acontece.” Resultado: os dois se tornaram sócios, apenas por conta dessa apresentação que fiz.
Ao refletir sobre isso, pensei: “Isso é muito legal. Preciso criar algo que permita que isso aconteça mais vezes.” Ou seja, transformar uma característica natural que tenho em algo intencional e estruturado.
Foi aí que surgiu a ideia do empreendedores.com.br. Criamos um grupo, uma comunidade de networking — retomando aquela experiência lá atrás com o grupo de discussão do Administradores. É a mesma lógica, agora voltada para empreendedores.
Mas com um diferencial enorme: hoje temos toda a estrutura construída com o Administradores, que dá suporte a essa nova iniciativa. Alcançamos milhões de pessoas por mês, e pensei: “Vamos criar não apenas um grupo de networking, mas algo que também dê visibilidade aos negócios dos membros.”
Assim nasceu o primeiro clube de networking do Brasil que também é um canal de mídia. Ele promove conexões de altíssimo nível e, ao mesmo tempo, dá projeção aos negócios dos participantes.
Criamos esse conceito e o negócio explodiu. Estamos completando cinco meses e já temos duas comunidades: uma para pequenos e médios negócios, e outra formada por grandes nomes do mercado.
Lá estão praticamente metade dos integrantes do Shark Tank: José Carlos Semenzato, Cristiana Arcangeli, Carol Pfeifer, Sérgio Zimerman (da Petz), Ricardo Amorim, Luiz Rusto (do Rock in Rio)… enfim, uma galera de peso. Todos compartilham uma mesma cultura de troca e apoio — uma verdadeira cultura de comunidade.
Não é um grupo de compra e venda. Não é para entrar e vender produtos. É sobre relacionamento. Para mim, esse é o verdadeiro sentido do networking. Não é sobre trocar cartões. É sobre criar conexões genuínas. E, a partir dessas conexões, os negócios nascem. E tem sido exatamente isso que acontece desde então. E, cada vez mais, essa minha característica de fazer pontes vai sendo potencializada — e é fascinante ver o que acontece quando as mentes certas colidem.
Ao longo de sua jornada, você tomou decisões estratégicas de ampla escala. Agora, com o Empreendedores.com, lança uma nova frente que reúne conteúdo, networking e protagonismo empresarial. Iniciativas assim exigem visão, coragem e muita execução. Quais aprendizados da sua trajetória empreendedora você aplicou na concepção e estruturação desse novo projeto?
Acredito nisso também, e resgato muito aquela experiência lá de trás — a gestão e a liderança de um grupo virtual, com pessoas de várias localidades, como São Paulo, Rio, entre outras, muitas das quais eu nem fazia ideia de onde estavam.
Como trazer essas pessoas para um ambiente comum? Como estabelecer um propósito compartilhado entre todos?
E, principalmente, como evitar situações como aquelas em que alguém entra no grupo apenas para vender um produto ou serviço — algo que ninguém gosta?
Todo esse aprendizado vem, sem dúvida, daquela experiência anterior. Naquele grupo, volta e meia entrava alguém oferecendo, por exemplo, “compre na sapataria tal”, e eu aprendi a lidar com isso.
Aprendi como dar feedback, como dizer: “Não vamos fazer assim, vamos por outro caminho.” A educar as pessoas nesse sentido. Afinal, a pergunta é: qual é o uso inteligente que podemos fazer desses meios?
Com milhões de acessos mensais, o Administradores.com se consolidou como uma das principais plataformas de conteúdo em negócios do Brasil, alcançando profissionais de todas as regiões. Ainda assim, a sede do portal segue firme em João Pessoa, cidade onde nasceu. Você já enfrentou algum tipo de preconceito ou subestimação por estar no Nordeste? Como enxerga hoje a relação entre território, inovação e reconhecimento no cenário nacional?
Como posso dizer… Eu acho que muito dessa ideia que as pessoas chamam de preconceito pode, às vezes, ser algo que a própria pessoa coloca na cabeça.
Muito ao contrário, sempre estivemos aqui em João Pessoa — já são mais de 30 anos — e realizamos reuniões como esta todos os dias. É muito comum que a gente se comunique com pessoas do eixo Rio-São Paulo, por exemplo, e, no início da conversa, sempre nos perguntam: “Vocês estão onde?” Quando respondemos “João Pessoa”, a reação costuma ser: “Ah, que delícia!”
Sempre percebi uma simpatia muito grande pelo fato de estarmos no Nordeste, desenvolvendo um negócio relevante aqui na Paraíba. Claro, eu sei que existe, sim, esse preconceito em algumas situações. Mas, para nós, isso sempre foi talvez o ponto forte da história. Mesmo estando em uma cidade que não é o centro econômico do país, conseguimos desenvolver um negócio que independe disso.
Mostramos que é possível construir algo relevante a partir de qualquer lugar do mundo. Se o negócio tem valor, ele vai encontrar seu espaço. Além disso, as pessoas têm uma simpatia enorme pela cidade, pela região e pelo fato de estarmos aqui. Tenho muito orgulho disso.
Com sinceridade, nem sei se teríamos conseguido fazer o que fizemos em outra cidade. Claro que é possível empreender de qualquer lugar — como já disse antes —, mas João Pessoa tem características únicas. É uma cidade que reúne talentos incríveis, pessoas criativas, comprometidas, e isso fez muita diferença para nós. Começamos como uma empresa pequena, e, por não estarmos em um grande centro, como São Paulo, conseguimos contratar pessoas excelentes por custos mais acessíveis — o que talvez não fosse viável pagando três ou quatro vezes mais.
Sempre penso em negócios dessa forma: onde podemos estruturar com inteligência? João Pessoa une essas qualidades — além de ser uma ótima cidade para se viver, com qualidade de vida, o que também impacta positivamente no desenvolvimento do negócio.
Diante de sua vasta experiência como líder no setor digital, qual seria sua mensagem final para esta entrevista, visando contribuir com alguém em início ou fase de transição de carreira voltada a esta área?
O que eu acho — o que tenho para dizer — é que é muito comum termos determinados sonhos na vida e começarmos a ouvir algumas vozes que acabam nos sabotando. Às vezes, essas vozes são internas — na maioria das vezes, na verdade. Mas também existem vozes externas, de pessoas ao nosso redor.
E muitas vezes essas pessoas não agem com má intenção ao sabotar. Vou dar o meu próprio exemplo. Eu tinha uma visão muito clara na minha cabeça, mas era uma época em que a internet ainda estava começando. Imagine ser filho, por exemplo, de alguém como meu pai — um homem muito trabalhador, que começou a trabalhar cedo, que vendia máquinas de escrever, enciclopédias, entre outras coisas. Ele vinha de um universo muito ligado à indústria tradicional. Então, ele simplesmente não entendia o que eu estava fazendo. Meus pais não compreendiam. Eles achavam que eu estava brincando, enquanto, na minha cabeça, eu pensava: “Estou construindo algo que vai gerar muito valor para as pessoas.”
Meu pai dizia: “Sai dessa internet e vem vender frango comigo.” Ele queria que eu trabalhasse com ele, em algo concreto, conhecido. Demora-se a se provar. Demora-se a mostrar que aquela visão vai, de fato, dar frutos e se tornar um bom negócio. Por isso, muitas vezes, é preciso calar essas vozes — seguir em frente, apostar, colocar sua energia naquilo em que acredita.
E quando você coloca energia, a coisa floresce, frutifica. Também é importante não começar a duvidar de si mesmo por causa desse barulho, desse ruído ao redor — que vai existir, mesmo nas melhores famílias. E não estou aqui reclamando dos meus pais — muito pelo contrário. Me apoiaram em tudo o que fiz na vida. Mas houve momentos de descrença, e, nesses momentos, é preciso ter força para dizer: “Eu vou pagar o preço. Quero ver onde isso vai dar. Vou colocar minha energia nisso.”
A partir daí, as coisas começam a acontecer. E você desenvolve uma autoconfiança real com relação às suas capacidades — de colocar uma ideia em prática, de transformar uma visão em realidade. Acho que essa é a mensagem final: nos momentos de dúvida, acredite e siga em frente. Siga em frente, porque vai valer a pena.
Lições de carreira
O que começou como uma busca pessoal virou uma plataforma que inspira milhões. Leandro Vieira transformou dúvidas em descobertas, conexões em comunidades, e ideias em realidades. Sua história é um lembrete de que acreditar em si mesmo, mesmo quando ninguém mais acredita, pode ser o primeiro passo para mudar o mundo — ou, pelo menos, o seu mundo. Sua jornada nos mostra que inovação nasce da escuta, que comunidades se constroem com confiança, e que os maiores projetos têm raízes nas decisões difíceis. Um verdadeiro convite a transformar inquietação em movimento e movimento em legado.
Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!
Abraço, Jonny
